Quando a Apple eliminou a entrada de fones dos iPhones em 2016, eu entrei em modo de resistência. Não ia deixar uma gigante ditar meus hábitos de escuta, então comprei um Android e me mantive firme no cabo.
Porém, meu celular deu seu último suspiro exatamente no mesmo mês em que o Google — um dos últimos resistentes — anunciou que também tiraria a entrada de fones de seus aparelhos.
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Parecia um sinal cósmico de derrota. Então voltei para o iPhone, joguei meus fones com fio na gaveta e me juntei às hordas dos usuários de Bluetooth.
Pode ser que eu tenha desistido cedo demais.
Recentemente, um movimento discreto vem crescendo, baseado em uma premissa controversa: a de que fones de ouvido com fio são melhores do que os conectados via Bluetooth. E as vendas vêm aumentando. Leia também: Tiros no Senado das Filipinas: Tensão em tentativa de prender senador
Talvez os consumidores tenham percebido que, muitas vezes, conseguem obter um som de melhor qualidade, e pelo mesmo preço, com um modelo com fio — mas esse não é um movimento apenas entre os audiófilos, aquelas pessoas muito exigentes com a qualidade do som.
Os fones com fio viraram uma tendência cultural, um ressurgimento que alguns associam a uma reação maior contra a tecnologia.
Há alguns meses, ela pegou emprestado o par de fones antigos do noivo e nunca mais voltou atrás. "Acho simplesmente reconfortante. Gosto de mostrar ao mundo que estou ouvindo alguma coisa."
Grusin não está sozinha. Depois de cinco anos seguidos de queda, as compras de fones de ouvido com fio explodiram na segunda metade de 2025, segundo a empresa de pesquisa de mercado Circana, e a receita com fones com fio cresceu 20% nas primeiras seis semanas de 2026.
"Parece que muita gente está meio que se voltando contra a tecnologia porque ela está ficando avançada demais", diz Grusin. Mais de mundo
"Acho que existe um sentimento coletivo de: 'não gosto do rumo que isso está tomando', e estamos todos voltando para o último lugar em que nos sentíamos confortáveis."
'Está virando uma questão de classe social'
A qualidade do som pode ser uma grande vantagem da vida com fio, diz Chris Thomas, editor especial do site de avaliações de fones SoundGuys. "Essa é a tecla na qual venho batendo há muitos anos", afirma.
Segundo Thomas, os fones sem fio melhoraram muito, mas os melhores geralmente vêm de marcas de nicho voltadas para audiófilos. Leia também: Trump na China ganha destaque após novo desdobramento em trump na china: irã
"Com um fio, você simplesmente conecta e funciona", diz Thomas.
Mas a qualidade sonora não basta para explicar a tendência.
De alguma forma, o Bluetooth parece ter se tornado profundamente pouco atraente. Não acredite só em mim. Pergunte à atriz e diretora Zoë Kravitz.
"Bluetooth não funciona", disse Kravitz em uma entrevista recente — criticando não apenas a tecnologia dos fones de ouvido, mas as conexões Bluetooth em geral.
"Está estragando momentos importantes. Imagine quantas vezes você está com alguém em um encontro, tentando criar um clima, e tem que 'esquecer a rede' (no celular para se reconectar). Em um encontro!"
O problema dos adaptadores
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