Cinemas abandonados viram memória visual em livro de fotos de Sergio Poroger
Ler matéria →Quando Elis Regina morreu, aos 36 anos, em janeiro de 1982, seu primogênito, João Marcello Bôscoli, tinha 11. Sua curta e intensa convivência com a mãe foi descrita nas páginas de "Elis e Eu", que o filho lançou em 2019. Agora, o livro alimenta as imagens do documentário homônimo, que estreia no streaming Universal+ no próximo dia 25 de agosto.
Até quem consumiu todo o material produzido sobre a cantora nos últimos 40 anos vai se surpreender. Dirigido por André Bushatsky, responsável por "Mulheres no Pódio", sobre atletas paralímpicas, o documentário mostra um lado pouco conhecido de Elis. Bôscoli afirma que o filme tem um caráter complementar em relação a outras obras dedicadas à mãe.
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Além de imagens de arquivo nunca mostradas antes, há dramatização, com atores interpretando mãe e filho, principalmente no período em que Elis levou a família para morar na serra da Cantareira, ao norte de São Paulo. As imagens podem ser facilmente associadas à canção que Elis tornou clássica, com o verso "eu quero uma casa no campo". "
O filme aumenta a percepção da Elis como artista e mãe. Quando o André me procurou para transformar o livro em documentário, fiquei surpreso. Mas não interfiri em nada.
Nós somos assim", diz Bôscoli, falando pelos irmãos mais jovens, os cantores Pedro Mariano e Maria Rita. " Leia também: Entretenimento: O que rolou na semana
Não sou roteirista nem diretor. Deixo as pessoas trabalharem. Só assisti ao filme pronto.
Se aparecer algo que a gente vê como problema, há maneiras legais de tratar isso", ele segue. Bôscoli conta que, até hoje, a família barrou apenas uma peça que mostrava como Elis seria se estivesse viva. "
Aquilo não dava. Era uma Elis que nunca existiu, falando coisas que não tinham nada a ver com ela. Tivemos que impedir.
" Lílian Menezes, que, alternando com Laila Garin, estrelou no teatro "Elis, a Musical" em 2013, volta à personagem. Antônio Menqui e Victor Constantino interpretam Bôscoli aos seis e aos nove anos.
Bôscoli conta que tinha muitas lembranças fragmentadas, e o filme é montado com esses momentos curtos e emotivos. Ele acredita que não lembraria de vários deles se a mãe não tivesse morrido. " Mais de entretenimento
Coisas absolutamente cotidianas passaram a ser muito importantes. " Depois da morte, Bôscoli diz ter entendido melhor a importância dela para os fãs.
" Eu lembro que andava pela rua e as pessoas paravam, choravam. Entendi que era por causa da minha mãe.
" Os depoimentos permitem ver uma Elis que conduzia carreira e vida familiar de forma harmoniosa. Uma vez em casa, era uma mãe divertida e atenciosa. Leia também: Missa de 7º dia de Laura: o detalhe que mais repercutiu
Quando seus músicos a visitavam para ensaios no estúdio montado na casa, os filhos circulavam entre eles. Natan Marques, guitarrista e diretor musical da última turnê da cantora, recorda que Elis, mesmo sem escrever música, sabia o que queria e conduzia a banda pelo caminho escolhido. A fama de pessoa difícil que Elis carregou é atribuída por Bôscoli a um ambiente machista.
" Ela trabalhava cercada de homens. Hoje ainda é difícil para as mulheres, imagine há mais de 40 anos."
Fora do estúdio, a casa não indicava ser morada de uma cantora. " Esse lance de não ter os troféus na parede se soma a um conjunto de coisas", afirma Bôscoli.
" O despojamento da Elis é constrangedor para quem é metido a ser estrela, porque a minha mãe fazia compras, ia à feira. Uma mulher que foi dar um depoimento no Exército dirigindo o próprio carro.
Sem entourage, sem seguranças. " Produtor musical de sucesso, Bôscoli reconhece algumas influências da mãe em seu jeito de trabalhar.
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