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Ler matéria →As duas eleições que podem consolidar 'círculo de fogo' pró-Trump em torno do Brasil

Crédito, Reuters e EPA
- Author, Vitor Tavares
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 10 min
Neste mês de junho, dois países da América do Sul vizinhos ao Brasil vão decidir se querem ser governados pela direita ou pela esquerda nos próximos anos: Peru, neste domingo (7/6), e Colômbia, em 21 de junho.
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Em ambos, as últimas eleições presidenciais foram vencidas pela esquerda. Mas agora, os candidatos da direita são favoritos após terminarem o primeiro turno na frente.
São eleições com potencial de inclinar o mapa político da América Latina de vez para uma direita alinhada ao governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, e isso pode ter impacto direto no Brasil, segundo analistas.
"Os americanos estão fazendo um círculo de fogo em torno do Brasil, e isso já está pressionando o país", analisa Feliciano de Sá Guimarães, professor do Instituto de Relações Internacionais da USP (Universidade de São Paulo). Leia também: James Handy, ator de Jumanji, é morto a facadas aos 81 anos nos EUA, e enteado
Caso a esquerda saia vencedora, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode sentir um alívio por manter algum aliado ideológico na região, mas o cenário já é complicado para o Brasil, diz Carolina Silva Pedroso, pesquisadora do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
"Uma vitória da esquerda nesses países, principalmente na Colômbia, vai ser obviamente comemorada pelo Planalto. Mas não significa que a vida do Lula vai ser mais fácil. Só que não vai piorar", diz Pedroso.
No caso do Peru, as últimas eleições, de 2021, foram vencidas pelo dirigente sindical Pedro Castillo, que foi destituído do cargo e preso após tentar dissolver o Congresso no fim de 2022.
Desde então, o país vive uma duradoura instabilidade política, com uma sequência de presidentes que foi da vice de Castillo, Dina Boluarte, a membros do Congresso de diferentes correntes ideológicas. O atual presidente é José María Balcázar Zelada, um deputado de esquerda que assumiu o poder em Lima em fevereiro.
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No domingo, a direitista Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos, tenta pela quarta vez se tornar presidente. Ela enfrenta Roberto Sánchez, ex-ministro de Castillo que reproduz o estilo do ex-presidente preso.
Já a Colômbia vai decidir no fim do mês se dará continuidade ao projeto político de Gustavo Petro, ex-guerrilheiro que fez história ao se tornar o primeiro presidente de esquerda do país, ao vencer as eleições de 2022. Leia também: A solução de Oxford para reduzir polarização entre lulistas e bolsonaristas
Como o país não permite reeleição, Petro apoia o senador Ivan Cepeda, que terminou o primeiro turno em segundo lugar. Na frente, ficou Abelardo de la Espriella, político da direita radical que se inspira em figuras como os presidentes Javier Milei, da Argentina, e Nayib Bukele, de El Salvador.
Mas como os resultados dessas duas eleições podem influenciar os rumos da região e o que elas sinalizam sobre o estado atual das sociedades sul-americanas?
Onda conservadora e o efeito Trump

Crédito, Connie FRANCE / AFP via Getty Images
As últimas eleições na América do Sul mostram um sinal claro de um giro à direita na região.
Em novembro de 2023, o libertário Javier Milei tirou a esquerda do poder na Argentina, com um ambicioso projeto liberal para a economia do país.

Os impactos no Brasil

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