O presidente colombiano, Gustavo Petro, disse neste domingo (31) que não aceita os resultados da contagem inicial dos votos na disputa pela sua sucessão, afirmando que aguardará os resultados finais, revisados pelos juízes. Nenhum candidato conseguiu vencer a eleição presidencial da Colômbia em primeiro turno neste domingo (31). Com 99,92% das urnas apuradas, o candidato de direita Abelardo de la Espriella terminou na liderança com 43,7% dos votos, seguido pelo esquerdista Ivan Cepeda, que obteve 40,90%, e disputarão o segundo turno em 21 de junho.
Os dois candidatos apareciam como favoritos para a disputa presidencial. Em postagem no X (antigo Twitter), Petro afirmou que aguardará comissões de recontagem compostas por juízes da República. O atual presidente da Colômbia apontou que a contagem preliminar não tem efeito legal e questionou o software da empresa Thomas Greg & Sons (TGS), responsável pela logística eleitoral no país.
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Na publicação, Petro fez referência a uma diferença de números entre a população votante local. " Como presidente, não aceito os resultados da pré-contagem da firma privada dos irmãos Bautista [...]
Há dois censos neste momento, o oficial e o do software dos irmãos Bautista que tem 800 mil pessoas adicionais". O ex-presidente colombiano Iván Duque, antecessor de Petro, criticou as declarações do atual mandatário e afirmou que o país "não perderá sua democracia". "
Petro quer desrespeitar a democracia e a organização eleitoral. As instituições devem se pronunciar imediatamente e a comunidade internacional deve estar alerta diante desta ameaça", escreveu na sua conta do X. Quem é Espriella? Líder nas urnas no 1º turno, Abelardo de la Espriella, de 47 anos, lidera o movimento ultraconservador Defensores da Pátria. Leia também: Panorama: Corpus Christi, Resgates e Acidente Aéreo Marcam Notícias
O candidato afirma admirar políticos de direita, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente de El Salvador, Nayib Bukele — com quem tem certa semelhança física. De la Espriella ganhou força na reta final da campanha. Ao contrário de Cepeda, ele não acredita que o problema das guerrilhas será resolvido por meio do diálogo.
Para enfrentar a questão, promete uma ofensiva militar. Dois integrantes da campanha do candidato foram mortos a tiros em 15 de maio. De la Espriella também acusou integrantes da inteligência colombiana de participarem de um plano para assassiná-lo.
Conhecido pelo apelido de "El Tigre", o advogado também defende retirar a Colômbia de organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA). Segundo ele, essas instituições servem para promover "políticas de esquerda". Ao mesmo tempo em que adota um discurso linha-dura, o candidato mantém um site chamado "
De la Espriella Style", onde vende bebidas alcoólicas, livros, músicas nas quais canta e até roupas em que aparece como garoto-propaganda. De la Espriella também se envolveu em polêmicas. Em uma entrevista na TV, por exemplo, se gabou do tamanho do órgão genital e afirmou que isso o ajudava a conquistar votos.
- O advogado também foi questionado por ter defendido Alex Saab, empresário colombiano acusado pelo governo dos EUA de atuar como laranja do ditador venezuelano Nicolás Maduro. - Saab foi deportado para os Estados Unidos em maio. - De la Espriella afirma que a relação profissional com Saab começou antes das acusações surgirem. Mais de noticia
Segundo ele, os dois deixaram de trabalhar juntos há seis anos. Quem é Cepeda? Senador e filósofo, Ivan Cepeda faz parte do partido Pacto Histórico e representa a esquerda colombiana.
O senador tem 63 anos e defende a continuidade das políticas adotadas pelo governo Petro. Ele ficou conhecido principalmente por atuar na mediação das negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), acordo assinado em 2016. Apesar do acordo, no qual as Farc concordaram em se desarmar, grupos dissidentes da guerrilha continuam ativos e são apontados como responsáveis pela violência no país.
Cepeda também foi pivô de um processo judicial que resultou na prisão do ex-presidente Álvaro Uribe. - Em 2012, Uribe acusou o esquerdista de organizar um complô para ligá-lo a grupos paramilitares - Seis anos depois, a Justiça concluiu que Cepeda agiu dentro de sua função parlamentar e que Uribe tentou influenciar testemunhas por meio de terceiros. - Em 2025, porém, o Tribunal Superior de Bogotá absolveu o ex-presidente das acusações de suborno e fraude processual. Leia também: Brasil x Panamá ganha destaque após novo desdobramento em ancelotti admite
Como candidato à Presidência, Cepeda defende o diálogo como forma de encerrar o conflito armado com guerrilhas. Também apoia o aumento do salário mínimo, a redução de benefícios para congressistas e uma reforma agrária. O senador promete dar continuidade às políticas sociais implementadas durante o governo de Gustavo Petro.
A gestão de esquerda assumiu o país em meio aos impactos econômicos da pandemia e registrou aumentos do salário mínimo e queda do desemprego, mas também enfrentou críticas pelo aumento do déficit fiscal e dificuldades para aprovar parte de sua agenda no Congresso. Mesmo assim, a economia não aparece entre as principais preocupações dos colombianos. Pesquisa do instituto Invamer divulgada neste mês apontou a segurança pública como o principal problema do país para 40% dos entrevistados, enquanto desemprego e economia foram citados por 11%.
Foi nesse cenário que De la Espriella ganhou força na disputa. Eleições na Colômbia: Abelardo de la Espriella (à esquerda) e Ivan Cepedo (à direita). —
Foto: Reuters Criminalidade O combate ao crime dominou a campanha presidencial. Um dos principais pontos de divergência entre os candidatos é a forma de lidar com as guerrilhas e organizações criminosas que atuam no país.
- As Farc são uma guerrilha considerada terrorista pelos EUA e surgiram na década de 1960. - O conflito travado pelo grupo contra paramilitares e forças estatais ao longo de cinco décadas deixou mais de 250 mil mortos e provocou o deslocamento de milhões de pessoas. O acordo mediado com a ajuda de Cepeda em 2016 levou as Farc a aceitarem o desarmamento.
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