← Mundo
Mundo

'Ele nos drogou e nos fez urinar na roupa': as acusações de mais de 200

Legenda da foto, Anaïs de Vos suspeita que o café que Nègre lhe ofereceu estava adulterado com alguma droga Article Information Author, Nuala McGovern & Emma Ailes

'Ele nos drogou e nos fez urinar na roupa': as acusações de mais de 200
Anaïs de Vos usa uma camisa azul-escura com a gola aberta e está diante de arbustos e de um muro baixo, de cor azul-clara e vibrante. Ela usa um colar dourado e tem cabelos claros e cacheados.
Legenda da foto, Anaïs de Vos suspeita que o café que Nègre lhe ofereceu estava adulterado com alguma droga
Article Information
    • Author, Nuala McGovern & Emma Ailes
    • Reporting from, Paris and Strasbourg
      e
    • Author, Amelia Butterly
    • Role, Serviço Mundial da BBC
  • Published Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 9 min

"Eu estava muito fraca, já não conseguia sentir direito as minhas pernas. Senti medo. Não sabia o que estava acontecendo", relata Anaïs de Vos.

Era julho de 2011 e Anaïs, então com 27 anos, estava em uma entrevista para uma vaga no Ministério da Cultura da França, em Paris.

Leia no AINotícia: Mundo: Tensão no Oriente Médio e reflexos da seca na Europa

Ele mesmo preparou o café, conta ela à BBC Global Women, mas "tinha um gosto ruim. então bebi metade".

A reunião tinha começado no escritório, mas, depois de alguns minutos, Nègre sugeriu que eles saíssem.

Enquanto caminhavam pelas ruas de Paris, Anaïs começou a sentir uma necessidade inexplicável e incontrolável de urinar. Leia também: Quem é Natalie Harp, assessora que se tornou presença constante ao lado de Trump

Ela se sentiu desconfortável em dizer a Nègre que queria voltar ao escritório para usar o banheiro e disse que estava com frio como desculpa para retornar ao prédio.

Mas, segundo ela, ele continuou andando, conduzindo os dois em direção às margens do rio Sena. Então ela disse que precisava encontrar um banheiro com urgência.

"Ele olhou no fundo dos meus olhos e disse: 'Ah, você precisa fazer xixi?'", lembra. Mais de mundo

"Eu me senti como uma criança. Achei muito estranho o jeito como ele olhou para mim, quase com satisfação."

Ela afirma que ele a levou até a porta de um depósito sob uma ponte sobre o Sena e disse: "Você pode fazer aqui."

Anaïs é uma das quase 250 mulheres que acreditam que Nègre as drogou em supostos incidentes ocorridos entre 2009 e 2018, submetendo-as ao que é conhecido como submissão química— situação em que drogas são utilizadas para obter controle sobre alguém. Leia também: 'Ele nos drogou e nos fez urinar na roupa': as acusações de mais de 200

"Comecei a entrar em pânico", continua Anaïs. "Imaginei que ele me empurraria para dentro da sala e fecharia a porta atrás de mim."

Achando aquilo "estranho demais", ela insistiu para que continuassem andando.

Eles caminharam até o Louvre para usar os banheiros, mas era preciso pagar um euro para entrar, e ela havia deixado a bolsa no escritório do ministério. Nègre disse que também não tinha dinheiro em espécie.

Naquele momento, "eu me sentia fisicamente muito fraca", diz ela. Ao se aproximar do banheiro, perdeu o controle e urinou em si mesma.

Um homem usando paletó escuro, camisa clara e gravata azul, com cabelos grisalhos curtos. Ele usa óculos. Ao fundo, há uma parede lisa de cor creme.

Crédito, Grand Est Region & Bas-Rhin Prefect

Legenda da foto, Aproximadamente 250 mulheres acusam Nègre de drogá-las entre 2009 e 2018

'Experimentos P'

Duas pirâmides modernas de vidro no Louvre, em Paris, com um edifício antigo à esquerda. O céu está azul e há algumas pessoas sentadas em frente às pirâmides. Ao fundo, à direita, há uma roda-gigante.
Legenda da foto, Anaïs e Nègre caminharam até o Louvre, onde ela esperava conseguir usar os banheiros públicos do local

Submissão química

Sandrine Josso olha fixamente para a câmera. Ela tem cabelos escuros de comprimento médio e veste uma blusa preta. Está diante de uma parede decorada com folhas de ouro.
Legenda da foto, Sandrine Josso se tornou uma das principais ativistas sobre a questão da submissão química
O professor Jean-Claude Alvarez aparece em seu laboratório de toxicologia, usando um jaleco branco. Ele tem cabelos grisalhos curtos e segura uma pinça com a qual prende alguns fios de cabelo.
Legenda da foto, O professor Jean-Claude Alvarez analisa amostras, incluindo cabelos, em busca de drogas no laboratório de toxicologia
  • Esta reportagem faz parte da série Global Women, do Serviço Mundial da BBC, que traz histórias importantes e pouco conhecidas de diferentes partes do mundo.
Quem é Natalie Harp, assessora que se tornou presença constante ao lado de Trump
Mundo

Quem é Natalie Harp, assessora que se tornou presença constante ao lado de Trump

Ler matéria →

Leia também