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Ebola pode virar pandemia? Declaração da OMS não indica isso

Declaração da OMS não indica isso Risco de uma crise global não é nulo, mas é muito menor do que com o coronavírus

Ebola pode virar pandemia? Declaração da OMS não indica isso

Ebola pode virar pandemia? Declaração da OMS não indica isso Risco de uma crise global não é nulo, mas é muito menor do que com o coronavírus.

Saiba as razões O surto de ebola na região central da África segue se expandindo. Até o final do dia na terça-feira (19), autoridades sanitárias da República Democrática do Congo e de Uganda já reportavam 536 casos suspeitos (34 confirmados) e 105 prováveis para a doença, além de 134 mortes potencialmente causadas pela doença.

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Embora a imensa maioria dos registros siga concentrada no Congo – em Uganda, continuam sendo os dois casos e uma morte reportados ainda no primeiro dia do surto – a rápida aceleração dos números já levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a declarar uma emergência de saúde internacional. O continente africano, como um todo, também está em alerta. E a pergunta inevitável reaparece:

existe chance de essa crise evoluir e se transformar em uma pandemia? Por enquanto, a OMS enfatiza que o risco do ebola causar problemas fora da África ainda é baixo. A declaração do status de emergência serve para alertar os países sobre a circulação do vírus e acionar mais mecanismos de vigilância e controle. Leia também: previsão do tempo para hoje: o que muda após previsão do tempo: frente fria

O que a OMS disse sobre o risco de uma pandemia? Além da declaração do estado de emergência de saúde pública de importância internacional – que, como explicado, não necessariamente aponta para uma pandemia – a entidade também divulgou um novo documento, este sim relacionado ao risco de uma doença se espalhar pelo globo. No último dia 18, o Conselho Global de Monitoramento de Preparação (GMPB, na sigla em inglês) emitiu um relatório informando que o mundo está “à beira de uma pandemia com danos ainda maiores”.

Mas isso não por conta do ebola, mas sim porque doenças infecciosas no geral estão se tornando mais frequentes, com impactos sociais, econômicos e políticos cada vez maiores, e com menor capacidade de recuperação depois dos surtos. Isso porque, alerta o comitê, o investimento dos países em preparação não acompanha o crescimento do risco de uma nova pandemia. Como o ebola se espalha?

Como ele se compara com o coronavírus? O ebola é uma doença viral que tem em animais silvestres seu repositório natural. Como zoonose, seres humanos contraem o patógeno após consumir carne contaminada ou entrar em contato com sangue e outros fluidos corporais desses animais que venham a estar infectados.

Mas, uma vez que o contágio ocorre, os vírus causadores do ebola também podem ser transmitidos de pessoa para pessoa. Os surtos e epidemias de ebola registrados nos 50 anos desde que a doença é conhecida, porém, indicam uma diferença fundamental em relação ao coronavírus que levou à pandemia de covid-19: a transmissão entre seres humanos ocorre majoritariamente pelo contato – direto ou indireto – com fluidos e secreções corporais de outras pessoas infectadas. Ele não se espalha facilmente pelo ar como o temido SARS-CoV-2.

A consequência disso é que o potencial epidêmico do ebola acaba sendo mais reduzido. Na ciência, isso é calculado pelo R0, a taxa reprodutiva básica de um agente infeccioso quando medidas de contenção (como vacinas) não são adotadas ou não estão disponíveis: é o número de pessoas que alguém doente pode infectar, em média. Mais de saude

Embora o R0 exato para a covid-19 ainda seja discutido em diversos estudos, e pareça variar de acordo com a cepa, ele costuma ser estimado entre 2,5 e 6 – para o ebola, esse número fica em torno de 1,5. Ou seja, uma pessoa infectada contaminará mais um ou dois indivíduos. Além da forma de transmissão diferente, outra razão que pode ajudar a evitar uma crise tão grande no caso do ebola é sua altíssima letalidade aparente: em alguns surtos anteriores, até 90% dos pacientes que foram efetivamente testados para a doença acabaram morrendo.

Se um paciente se torna um caso grave e evolui a óbito rapidamente, sua capacidade de circular por aí transmitindo a doença é bem menor. É importante observar, porém, que esses números tendem a ser exagerados, já que a testagem muitas vezes só ocorre em quadros já graves e mais propensos a resultar em morte. Segundo especialistas, o ebola enfrenta uma realidade grande subnotificação, e pode haver pacientes menos graves que não estão sendo detectados adequadamente no momento. Leia também: Canetas emagrecedoras podem aumentar níveis de testosterona, indica novo estudo

Mesmo assim, tudo o que se sabe sobre o ebola até hoje indica um potencial epidêmico bem menor que o do coronavírus, ainda que ele não seja nulo. Mas, afinal, pode virar uma pandemia? A OMS segue ressaltando que o risco de uma epidemia fora da África permanece baixo, e a história confirma que é difícil a doença gerar crises muito grandes fora das áreas onde o vírus já é endêmico.

A maior epidemia registrada até hoje ocorreu entre 2014 e 2016 em Guiné, Libéria e Serra Leoa, com 28,6 mil casos confirmados e 11,3 mil mortes. Mesmo naquela crise, casos fora desses países foram raros, geralmente associados a profissionais de saúde que foram à África atuar na linha de frente e depois voltaram para casa contaminados. Na época, medidas de isolamento e rastreio garantiram que o ebola não rendesse novas epidemias fora da zona original.

Nada disso significa que uma pandemia de ebola seja necessariamente impossível, mas que é muito mais difícil o vírus provocar uma crise global de larga escala se mantiver seu comportamento observado até hoje. Um risco diferente surgiria, por exemplo, se alguma cepa do ebola passasse por mutações capazes de aumentar seu potencial de contágio, como uma maior facilidade de transmissão pelo ar – mas ainda não há evidências de que isso tenha ocorrido. De todo modo, a vigilância epidemiológica adequada é fundamental para garantir que os surtos de ebola permaneçam contidos nos lugares onde o vírus já existe, e que qualquer alteração em seu comportamento seja detectada precocemente para o resto do mundo poder se preparar da melhor maneira possível.

A OMS vem coordenando ações com os governos locais e outros países-membro para ajudar Congo, Uganda e outros vizinhos sob risco a identificar, isolar e tratar os pacientes que possam ter a doença.

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