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E se as vacinas desaparecessem? Veja simulação que projeta futuro sem imunizantes

Veja simulação que projeta futuro sem imunizantes Estudo diz que queda brusca da vacinação infantil pode levar a milhões de infecções e centenas de milhares de mortes em

E se as vacinas desaparecessem? Veja simulação que projeta futuro sem imunizantes

E se as vacinas desaparecessem? Veja simulação que projeta futuro sem imunizantes Estudo diz que queda brusca da vacinação infantil pode levar a milhões de infecções e centenas de milhares de mortes em crianças só nos Estados Unidos

Como era o mundo antes das vacinas? Graças ao próprio sucesso delas, pode parecer difícil visualizar o quão dramático esse cenário pode ser. Mas houve uma época em que as infecções na infância sempre deixavam rastros: ou você conhecia alguém que faleceu, ou alguém que ficou com sequelas.

Segundo o Instituto Butantan, antes das vacinas, doenças como varíola, tuberculose, sarampo e difteria chegavam a matar mais de 50% dos infectados. Na década de 1940, a taxa de mortalidade infantil no Brasil era de 212 óbitos a cada mil crianças nascidas. Hoje em dia, o número é de 12 crianças a cada mil.

94,3% a menos. Só que esse progresso todo está em risco, já que as Américas vivem um tempo de quedas nas coberturas vacinais e um surto de sarampo que já afeta milhares de crianças nos Estados Unidos e no Canadá. No Brasil, embora a imunização de crianças esteja se estabilizando desde 2022, os números vinham em tendência de queda desde 2015, como mostrado pelo Anuário VacinaBR 2025, e seguem abaixo da meta.

Desinformação, falsa sensação de segurança e dificuldades de acesso são apontados como as principais causas para o problema. Ora, como boa parte das doenças não são mais vistas justamente por causa das vacinas, muita gente perdeu o zelo com o preenchimento da carteirinha de vacinação. Como seria o mundo sem vacinas?

Para demonstrar por que elas são tão importantes, pesquisadores da Universidade de Stanford projetaram o que aconteceria com o mundo se as vacinas deixassem de existir hoje. Como estaríamos ao longo dos próximos 25 anos? Os resultados foram publicados no final do ano passado, no periódico JAMA. Leia também: Morte de mulher após cirurgias plásticas: por que pode acontecer e o que se sabe sobre o caso

Os professores criaram um modelo matemático capaz de estimar o número de casos e complicações por doenças que seriam registrados nos Estados Unidos em um cenário de declínio da vacinação infantil contra quatro infecções: sarampo, rubéola, poliomielite e difteria. A pesquisa simula como seriam as próximas duas décadas considerando os seguintes contextos: se a imunização seguir como está, se cair em 10, 25 ou 50% para cada uma das enfermidades.

Além disso, os cientistas também estimaram, mas somente para alguns cenários específicos, os desfechos de uma ausência total de vacinação. Como uma parcela considerável da população está atualmente vacinada, algumas infecções não se instalariam imediatamente. Mas, com o tempo, à medida que mais bebês nascem sem serem imunizados, uma parcela maior da população se tornaria suscetível.

E esse poderia ser o resultado: Se perdêssemos a vacina da poliomielite A poliomielite é uma doença contagiosa causada pelo poliovírus, um invasor que infecta o sistema nervoso e pode causar paralisia, principalmente em menores de cinco anos.

Ela pode atingir membros e os músculos necessários para respirar. Por isso, até as décadas de 50 e 60, muitas crianças tinham de viver dentro de “pulmões de aço“, dispositivos metálicos gigantescos que envolviam o corpo até o pescoço e usavam pressão para forçar a entrada e saída de ar dos pulmões. Além disso, em geral, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 30 anos atrás, a pólio paralisou quase 1000 crianças por dia em 125 países em todo o mundo, incluindo países das Américas.

Olhando para um futuro sem vacinas, o modelo de Stanford pressupõe que uma em cada 200 crianças que contraírem poliomielite ficará paralisada. Entre os acometidos, 5% a 10% morrerão. De acordo com os pesquisadores, se as vacinas caíssem só pela metade, os Estados Unidos sozinho já somaria um número de 4,3 milhões de infecções em 25 anos. Mais de saude

Destas, os pesquisadores destacam que é difícil calcular qual seria a real projeção de casos de paralisia infantil, mas estimam entre 5.415 e 26.261 ocorrências no mesmo período. + Se perdêssemos a vacina do sarampo

O sarampo é considerado por muitos como a doença infecciosa mais contagiosa do mundo. E já foi, também, a principal causa de morte de crianças no planeta. Não é uma fama ao léu. Leia também: Surfe ganha espaço entre mulheres (e pode ser praticado até longe do mar); entenda

Uma única pessoa com essa doença pode infectar entre 12 a 18 outras não vacinadas. Imagine, agora, uma criança que é contaminada e possui o convívio próximo com outras dez pessoas. Segundo as estimativas, 9 delas certamente serão infectadas também.

O sarampo é caracterizado por febre alta, tosse, conjuntivite e manchas vermelhas na pele. Mas, uma criança pode transmiti-lo mesmo sem apresentar erupções cutâneas e o vírus permanece no ar por até duas horas após ela sair de um ambiente. Assim, é muito fácil que seja iniciado um surto.

Por isso, segundo o modelo, se perdêssemos as vacinas hoje, até meados de 2040 os Estados Unidos teriam somado mais de 100 milhões de casos de sarampo. O modelo pressupõe que 3 em cada 1.000 pessoas infectadas morreriam. Isso significa cerca de 300 mil mortes acumuladas.

Para comparar, segundo relatório dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, os EUA registraram apenas seis mortes pela doença nos últimos 25 anos. No Brasil, a vacina que protege contra o sarampo, a tríplice viral (que também imuniza para caxumba e rubéola), chegou na década de 60, mas foi implantada no sistema público gradativamente entre os anos de 1992 até o ano 2000. No ano de 1990, segundo painel do Ministério da Saúde, foram registrados 478 óbitos pela doença no país.

Mas, os números caíram drasticamente a partir de 1999. Para comparar, na história recente, entre 2022 e 2026 (até o momento), não houve nenhuma morte. Um fato importante é que, de lá para cá, houve alguns altos e baixos.

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