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Dono de casa de R$ 3,6 mi no Texas, aliado de Eduardo Bolsonaro declarou R$ 164

Mônica Bergamo Isabella Menon São Paulo e Washington Um fundo ligado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos EUA, comprou em fevereiro uma casa em Arlington

Dono de casa de R$ 3,6 mi no Texas, aliado de Eduardo Bolsonaro declarou R$ 164
Mônica Bergamo Isabella Menon
São Paulo e Washington

Um fundo ligado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos EUA, comprou em fevereiro uma casa em Arlington, no Texas, estado americano onde vive o ex-deputado federal.

O Mercury Legacy Trust, que adquiriu o imóvel por R$ 3,6 milhões, é um fundo privado de gestão de patrimônio, instrumento comum nos Estados Unidos para deter bens em nome de terceiros.

Leia no AINotícia: Flávio Bolsonaro admite encontro com banqueiro após prisão

Calixto também é o administrador do Havengate Development Fund, que recebeu uma parte dos R$ 61 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em 2025 a pedido de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O senador dizia que os recursos seriam investidos no filme "Dark Horse", sobre a vida de seu pai, Jair Bolsonaro.

A Polícia Federal investiga o destino dos recursos repassados ao Havengate pelo dono do Banco Master por suspeitar que parte deles foi transferida, na verdade, para custear a estadia e a estrutura para as atividades de lobby de Eduardo Bolsonaro nos EUA.

A PF investiga se a estrutura financeira no Texas serviu para burlar bloqueios judiciais impostos pelo STF (Supremo Tribunal Federal) às contas de Eduardo Bolsonaro no Brasil. Leia também: Datafolha aponta rejeição de 46% para Flávio Bolsonaro e 45% para Lula

Além do Mercury Legacy Trust, André Porciuncula aparece nos documentos como um dos responsáveis pela entidade que comprou a casa do Texas.

Porciuncula é apontado por aliados de Eduardo como uma espécie de representante operacional do ex-deputado nos Estados Unidos. Ex-PM, ele atuou no governo Bolsonaro como braço direito de Mario Frias, então secretário da Cultura e idealizador do filme sobre o ex-presidente.

Casa de dois andares com fachada combinando tijolos vermelhos e pedra clara. Porta de entrada central em arco, janelas com persianas verdes e telhado cinza. Jardim gramado com plantas e pedras decorativas na frente.
Imagem ilustrativa da fachada da casa que foi comprada por fundo ligado a advogado de Eduardo Bolsonaro. A imagem está disponível no site da corretora que anunciou a residência - Reprodução/Site Homes.com

Nesta semana, Flávio Bolsonaro admitiu que pediu dinheiro a Vorcaro, mas negou que os valores sustentaram o irmão nos EUA.

Uma reportagem publicada pelo site Intercept Brasil revelou que o pré-candidato à Presidência da República solicitou os recursos ao dono do Master dizendo que ele seria investido integralmente no filme.

Os depósitos foram transferidos de fevereiro a maio de 2025. Parcelas atrasaram, e Flávio voltou a cobrá-lo em novembro, um dia antes de Vorcaro ser preso. A empresa usada pelo dono do Master para fazer as transferências foi a Entre Investimentos e Participações. Mais de politica

Procurados, Eduardo Bolsonaro e Paulo Calixto não retornaram as chamadas da Folha. Ao atender a ligação, uma secretária afirmou que Calixto não vai falar com a imprensa e também não forneceu um contato dele.

Posteriormente, pelas redes sociais, Eduardo afirmou que o fundo Mercury não tem relação com o Havengate, tampouco com o filme ou com ele. Disse ainda que vive em uma casa alugada e não reside na cidade de Arlington.

A reportagem conseguiu contato com André Porciuncula. Por meio de mensagens, ele afirmou que a residência adquirida pelo fundo Mercury não tem "nenhuma relação com Eduardo Bolsonaro" e nem com o banco Master". Leia também: Governo anuncia bloqueio adicional de R$ 22,1 bilhões em gastos no Orçamento de

"A casa não tem relação com nenhum dos dois", afirmou. A reportagem questionou para quem a residência foi adquirida, e Porciuncula afirmou que "esta informação não é de interesse público".

Nas redes sociais, Eduardo negou que tenha sido beneficiado com o dinheiro de Vorcaro e disse que a suspeita da PF é "tola". Disse que seu status migratório nos Estados Unidos não permitiria o recebimento de dinheiro de fundos de investimento e que, se isso tivesse ocorrido, as próprias autoridades americanas o teriam punido.

Afirmou também que explicou a origem de todos os seus recursos às autoridades dos Estados Unidos no processo de imigração, sem nenhum problema.

Sobre o advogado Paulo Calixto, Eduardo disse que ele não é um simples escritório de migração: tem mais de 40 anos de experiência, mestrado e doutorado, e atua há mais de uma década na gestão de patrimônio e fundos de investimento.

A migração, segundo Eduardo, seria apenas um departamento do escritório, criado para atender clientes que precisam transferir capital e residência para onde investem.

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