Dieta do celular: o plano de 4 anos que transformou minha saúde mental Após o sucesso digital e um quadro de ansiedade, adotei uma "dieta do celular" e compartilho os benefícios dessa escolha Ainda estamos vivos nesta terra. Nós, os que nasceram e viveram boa parte da vida sem um celular em mãos.
Não sei você, mas eu tenho memórias maravilhosas da minha infância e adolescência sem um smartphone à vista. Costumava passar a tarde toda brincando com os vizinhos, subíamos em árvores, comíamos fruta do pé… Em algumas dessas lembranças, minha mãe está sentada em uma cadeira de fios em frente à nossa casa; em outras, está me chamando para entrar e tomar banho.
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Em nenhuma delas está distraída em frente a um celular. + O nosso tempo de tela era em conjunto. Assistíamos às novelas da tarde do Vale a Pena Ver de Novo e ao Fantástico depois do culto na igreja.
Não era uma vida perfeita, claro, também havia dias sombrios. Mas era uma vida 100% presente. Não existia aquela anestesia das distrações online. Leia também: As regras do jogo: como superar o movimento antivacina?
E o fato de eu ter memórias tão vivas dessa época sem celular me ajuda a refletir sobre o bom uso dele hoje. Eu tinha 14 anos quando criei a minha primeira conta em uma rede social — e foi em um computador! Meu primeiro smartphone tive após os 18.
E foi aos 30 que um vídeo que publiquei na internet viralizou. Dormi uma usuária do Instagram, acordei influenciadora. E tive de aprender na marra a surfar essa onda.
Eu não queria ser garota-propaganda de nenhuma empresa, embora não enxergasse nada de errado nisso. Buscava um caminho diferente. +
Então decidi escrever um livro contando os bastidores daquele vídeo que viralizou e me projetou, e ele também estourou. Dormi amante da escrita, acordei escritora. Mas não posso mentir: esse sucesso (ou hype, como se diz hoje) me trouxe muita ansiedade.
A conta chegou poucos anos depois. Um quadro grave de ansiedade e depressão profunda. Foi aí que tive de iniciar minha dieta do celular. Mais de saude
Fiz um plano de quatro anos: no primeiro, me ausento das redes por uma semana; no segundo, por duas; no terceiro, três; no quarto, me retiro totalmente.
Estou na terceira etapa e já percebo como foi uma decisão acertada. Não financeiramente, mas me tornei uma escritora melhor. O casamento, a maternidade, as amizades, a espiritualidade… Leia também: Prescrições do editor ganha destaque após novo desdobramento em prescrições do
Tudo melhorou. Falando assim, parece que as redes sociais são o grande vilão e a solução é pular fora delas. Não penso assim.
Minha fé me ensinou que muitas vezes quem nos engana é o nosso próprio coração. Por ter me fartado nos banquetes online, hoje entendo que uma dieta do celular precisa fazer parte da minha vida. Porque, sem tantas distrações, consigo prestar mais atenção ao meu redor e me aperfeiçoar enquanto ser humano.
É desfrutar da tranquilidade ao ler um livro antes de dormir em vez de checar a nova trend do momento. É poder olhar nos olhos dos meus filhos enquanto eles falam, em vez de ouvi-los pela metade digitando uma mensagem. São pequenos atos e mudanças que me tornam mais sensível, saudável e contente.
E é por isso que, fortemente, recomendo essa dieta. Fernanda Wiwytzky é escritora, comunicadora, mãe de três filhos e autora do récem-lançado Luz aos Olhos: Um Chamado à Lucidez Espiritual em um Mundo Digital (Thomas Nelson Brasil)
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