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Deputados estaduais de SP destinaram R$ 700 mil a empresa e entidades ligadas à

Ana Gabriela Oliveira Lima São Paulo Ao justificar o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro , do Banco Master , para financiar um filme sobre a história de Jair Bolsonaro (

Deputados estaduais de SP destinaram R$ 700 mil a empresa e entidades ligadas à
Ana Gabriela Oliveira Lima
São Paulo

Ao justificar o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre a história de Jair Bolsonaro (PL), o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfatizou haver "zero de dinheiro público", mas a produtora responsável pelo projeto tem ligações com uma rede que já foi abastecida por emendas de deputados do PL e contrato com a Prefeitura de São Paulo na gestão Ricardo Nunes (MDB).

A Go Up, produtora do longa-metragem "Dark Horse" ("Azarão"), que trata da vida do ex-presidente, tem como sócia-administradora Karina Gama, que controla outras empresas ou entidades do ramo cultural beneficiadas por verbas públicas destinadas por deputados federais como Mario Frias (PL-SP).

Leia no AINotícia: Lula critica elo de Flávio Bolsonaro

O Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina, também firmou termo de colaboração para receber R$ 108 milhões da prefeitura paulistana, conforme revelado pelo The Intercept Brasil, para fornecer internet wi-fi em comunidades de baixa renda, após chamamento público realizado em 2024.

Karina nega que o filme sobre Bolsonaro tenha recebido dinheiro de pessoas ou empresas brasileiras, seja verba pública ou privada, e também nega que Daniel Vorcaro tenha passado qualquer valor à produção do longa-metragem.

Afirma ainda que a contratação pela prefeitura se deu de maneira regular, sem ligação com o "Dark Horse", assim como os recursos de emendas parlamentares. Leia também: Datafolha: STF marca 40% de reprovação e se mantém no pior patamar da série

A gestão Nunes diz que "a contratação do Instituto Conhecer Brasil para a instalação de 5.000 pontos do Wi-Fi Livre na cidade foi realizada por meio de chamamento público transparente e sem contestações". Segundo a prefeitura, "a organização social cumpriu todas as exigências previstas no edital, e a prestação do serviço está em andamento com 3.200 pontos de wi-fi implementados e 1.800 pontos previstos para 2026".

Após a publicação da reportagem, a gestão Nunes divulgou nota dizendo que "repudia a tentativa da Folha de S.Paulo de envolver a prefeitura em um episódio que não tem relação com a administração". "O jornal, inclusive, usa de má-fé quando questiona a gestão sobre o programa WiFi Livre sem qualquer contextualização a respeito do material que estava sendo preparado, fazendo assim com que a prefeitura fique refém de uma manchete que faz uma ilação infundada sem qualquer prova."

Em relação ao financiamento do filme sobre Bolsonaro, a Go Up, que também está associada a um endereço nos Estados Unidos, diz não ser possível revelar nenhum dos mais de dez investidores estrangeiros em razão de um acordo de confidencialidade.

Além da Go Up, Karina é associada a mais três empresas do ramo cultural. Todas têm o mesmo endereço e telefone fixo para contato nos dados oficiais da Receita Federal, mas o local abriga uma quarta empresa, a Gowork, um escritório virtual com endereço fiscal que atende diversas empresas para o recebimento de correspondência simples.

Segundo a Gowork, a produtora não tem relação com o endereço e apenas uma empresa de Karina, o Instituto Conhecer Brasil, é cliente do serviço. A Go Up nega qualquer irregularidade com os dados e afirma que suas "documentações seguem de forma regular junto aos prestadores de serviços". Mais de politica

Interior de local na avenida Paulista que consta como endereço da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse; segundo a Gowork, empresa não funciona nem tem ligação com o local - Ana Gabriela Oliveira Lima/Folhapress

O Instituto Conhecer Brasil também recebeu R$ 2 milhões do deputado Mario Frias em 2025 para projetos de letramento digital e incentivo ao esporte.

Segundo o parlamentar, as emendas foram entregues a "projetos sociais devidamente estruturados e supervisionados por órgãos federais" e nada têm a ver com o filme "Dark Horse", para o qual contribuiu com argumento inicial, atuação e produção executiva, "especialmente na articulação internacional e na captação de investimento privado e estrangeiro para o setor audiovisual nacional".

Ele, que também é citado pelo Intercept como possível intermediário nos trâmites com Vorcaro, endossou em nota o posicionamento da produtora e negou que tenha havido repasses. Leia também: Panorama Político: IA nas Eleições, Margem Equatorial e Teto do Funcionalismo

Outra empresa da qual Karina é presidente, a ANC (Academia Nacional de Cultura), teve R$ 2,6 milhões de emendas destinadas pelos deputados Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL- DF), além de Carla Zambelli, então deputada pelo PL de São Paulo, e Alexandre Ramagem, que exercia o mandato pelo PL do Rio de Janeiro.

Segundo a assessoria de Pollon, a emenda do parlamentar, de R$ 1 milhão, foi redirecionada para uma instituição oncológica depois de o projeto não cumprir os requisitos necessários. O deputado afirma que "não houve destinação de recursos para qualquer finalidade diferente daquela apresentada formalmente nos projetos" e que as emendas foram destinadas de forma regular, transparente e dentro das prerrogativas legais do mandato.

Kicis afirma que a emenda passada por ela, de R$ 150 mil, "sequer foi paga até o presente momento" e que o projeto tem natureza cultural e educativa, voltado à valorização da história nacional e ao fortalecimento da economia criativa.

Ela diz que, em momento algum, "destinou emenda parlamentar para a produção de filme ou qualquer conteúdo audiovisual relacionado à vida do presidente Jair Bolsonaro".

Gerido pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o estado de São Paulo confirmou que as emendas para a série "encontram-se, em sua totalidade, sem execução em razão de diligências em curso para sanar restrições técnicas e pendências documentais relacionadas ao beneficiário".

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