Por que 'Total Eclipse of the Heart' é a canção pop mais dramática já feita?
Ler matéria →Da euforia ao 'nunca mais vai ser campeão': o que a eliminação do Brasil da Copa pode nos ensinar sobre frustrações

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- Author, Edison Veiga
- Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
- Published 9 julho 2026
- Tempo de leitura: 6 min
Em um país onde o futebol ocupa um lugar central na cultura e a Copa do Mundo mobiliza milhões de pessoas como poucos eventos são capazes de fazer, a eliminação precoce da Seleção brasileira no último domingo (5/7), em uma de suas piores campanhas na história do torneio, produz efeitos que ultrapassam o esporte e atingem o imaginário e a psicologia coletiva.
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O sentimento de frustração ficou evidente nas redes sociais. Levantamento da Orbit Data Science, baseado em uma amostra de 7.855 conversas no X, Instagram e TikTok, mostrou que, logo após a derrota para a Noruega, 41% das manifestações eram de descrença total.
"Ficha tá caindo aos poucos. Eu nunca vou ver o Brasil ganhar uma Copa do Mundo", escreveu um usuário. "Sinto muito, mas acho que nunca mais vamos ganhar uma Copa do Mundo. A seleção está totalmente despreparada", dizia outra publicação.
Em outras 12% das postagens analisadas, o pessimismo era um pouco menor, mas ainda predominava a sensação de que o hexacampeonato não seria visto pela geração atual. Apenas 17% demonstravam confiança de que a conquista virá já na edição de 2030. Leia também: Por que 'Total Eclipse of the Heart' é a canção pop mais dramática já feita?
Segundo Sérgio Freire, psicólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), esse tipo de reação é resultado do que a psicologia chama de pensamento catastrófico, combinado ao pensamento dicotômico.
"É o tudo ou nada, o hexa ou o nunca mais."
Segundo ele, diante de uma frustração intensa, a mente tende a generalizar o momento presente para o futuro, como uma forma de defesa.
Autor do livro Playfulness: Trilhas para uma vida resiliente e criativa, o psicólogo Lucas Freire afirma que esse mecanismo faz com que o cérebro projete a dor do presente para o futuro.
"O cérebro frustrado estica o presente doloroso até o infinito e aumenta o impacto de determinados eventos e ações. É o mesmo mecanismo que decreta que o fim de um namoro significa o término das formas de amar. Mas logo a pessoa está apaixonada de novo", pondera. Mais de mundo

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A neuropsicóloga Maria Carolina Fontana Antunes, pesquisadora da Universidade Paris Cité, na França, pontua, contudo, que as manifestações nas redes sociais refletem muito mais o estado emocional do momento do que uma avaliação racional sobre as chances futuras da seleção.
Do ponto de vista da psicologia, explica, emoções intensas alteram a forma como as pessoas interpretam a realidade.
"São como óculos", exemplifica. "Depois de uma derrota como foi essa ou como foi no 7 a 1 [em 2014], é comum um viés de negatividade e tendemos a superestimar os aspectos negativos. Imaginamos que essa situação vai ser assim para sempre", diz.
Esse viés, segundo a pesquisadora, é reforçado pela cultura do imediatismo. Acostumadas a respostas rápidas e recompensas instantâneas, as pessoas tendem a lidar pior com derrotas e com processos que exigem tempo.
"Por isso elas pensam que, porque perdeu agora, vai perder para sempre", afirma. Segundo a pesquisadora, há uma dificuldade crescente de compreender que o desempenho de uma seleção é construído ao longo dos anos, e não definido por um único torneio.
Inflamação emocional das redes sociais
Lições da derrota

Futebol como espelho social

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