← Mundo
Mundo

A sangrenta imagem de 1770 que alimentou a Independência dos EUA

A sangrenta imagem de 1770 que alimentou a Independência dos EUA - Author, Deborah Nicholls-Lee - Role, BBC Culture - Published - Tempo de leitura: 7 min Importante

A sangrenta imagem de 1770 que alimentou a Independência dos EUA

A sangrenta imagem de 1770 que alimentou a Independência dos EUA- Author, Deborah Nicholls-Lee- Role, BBC Culture- Published- Tempo de leitura: 7 min Importante: esta reportagem contém uma imagem ilustrativa de combate que pode ser perturbadora para alguns leitores. A neve cobria os campos na noite de, em Boston, no Estado americano de Massachusetts. Um único sentinela britânico montava guarda em frente à alfândega local.

Sua respiração formava nuvens de névoa branca no ar congelante. Saindo da escuridão, um adolescente começou a insultá-lo e atirar neve contra ele. E logo chegou uma multidão cada vez maior para acompanhá-lo.

Leia no AINotícia: Mundo: Panorama da Semana em Geopolítica, Esporte e Ética Pública

Os soldados foram chamados para vir em auxílio do sentinela, causando a escalada do confronto. A multidão atirava conchas de ostras, carvão e pedaços de gelo contra os soldados, até que o distúrbio se tornou devastador. Os britânicos abriram fogo, matando três homens e deixando outros dois mortalmente feridos.

No Reino Unido, o evento ficou eufemisticamente conhecido como "o incidente de King Street". Mas, nas colônias, ele recebeu o nome de " Massacre de Boston".

O caso se tornou um importante catalisador da independência dos Estados Unidos, que comemora 250 anos neste dia 4 de julho e é comemorado por instituições culturais em todo o país. Três semanas depois do massacre, uma gravura em chapa de cobre, produzida pelo renomado ourives Paul Revere (1735-1818), apareceu para venda nos jornais de Boston. Seu título era " Leia também: Análise: Trump não tem opção melhor do que negociar com o Irã

O Massacre Sangrento perpetrado em King Street, Boston, em, por um grupo do 29° Regimento". Sua sangrenta ilustração dos nacionalistas caídos, banhados em sangue, sendo alvejados por uma linha de soldados sorridentes, despertou o sentimento antibritânico e alimentou a chama da rebelião. Uma das 29 impressões existentes da gravação está guardada no Museu de Arte de Wichita Falls, no Estado americano do Texas.

O museu comemora o aniversário da assinatura da Declaração de Independência dos Estados Unidos com a exposição intitulada Printing the American Revolution ("Imprimindo a Revolução Americana, em tradução livre). Ela examina a participação da imprensa escrita na Independência dos Estados Unidos. "

A ilustração do Massacre de Boston por Revere foi um poderoso instrumento de propaganda, especialmente em um mundo onde os índices de analfabetismo variavam entre as regiões e as populações", explica a professora de história Mary Draper, da Universidade Estadual Midwestern, nos Estados Unidos, e uma das curadoras da exposição. " Ao dispor os soldados britânicos em uma linha ordenada e retratar o caos dos colonos desarmados, ele transmitiu uma mensagem clara sobre quem estava errado e quem eram as vítimas.

A gravura convocou os colonos a resistir ao domínio britânico. " Mensagens ocultas

O trabalho também contém mensagens ocultas indicando quem está no lado errado da história. Uma placa com os dizeres "Açougue" ergue-se sobre os soldados britânicos, enquanto um cachorro (símbolo de lealdade) aparece em posição proeminente entre os colonos. " Mais de mundo

Esta imagem foi obviamente destinada a incitar o ódio no observador em relação à cena, pois exibe cidadãos indefesos sendo alvejados por soldados", explica à BBC Constance McPhee, uma das curadoras da exposição Revolution! ("Revolução! "), em cartaz no Museu Metropolitano de Arte de Nova York, nos Estados Unidos.

A gravura é um dos destaques da exposição, que reúne obras de arte que indicam as origens da Revolução Americana e dos eventos que se seguiram. A imagem insinuava que os britânicos não eram mais "uma força amiga e paternal", mas sim uma "força opressora", segundo ela. "

Ela começou a mudar a opinião das pessoas. " Para os alfabetizados, a inscrição inflamada incluída sob a imagem deixa muito clara a brutalidade dos britânicos, descritos como "bárbaros ferozes", que agiam com "rancor assassino". Leia também: Como paulistano 'importado' por Mussolini se tornou primeiro brasileiro campeão

Ela também convoca os nacionalistas a "apaziguar os queixosos Fantasmas das Vítimas", relacionas abaixo no texto. Em um ensaio de 2022 sobre a gravura, o historiador Steven L. Danver indica que a obra "desempenhou papel fundamental para definir a postura das colônias em relação ao domínio britânico" e "conseguiu unir os colonos por uma causa comum e promover um senso de urgência pela independência". Momento crucial

O momento da publicação da gravura foi fundamental. As tensões estavam aumentando entre os colonos americanos, desgostosos com a crescente presença militar britânica, redução das liberdades civis e por uma série de políticas fiscais indesejadas, que levavam os americanos a financiar a dívida nacional britânica. O incidente no lado de fora da alfândega de Boston, o grande símbolo dos impostos abusivos, era uma oportunidade boa demais para ser perdida.

Revere era membro do grupo de resistência Filhos da Liberdade. Ele foi posteriormente considerado herói nacional americano, devido à sua "cavalgada da meia-noite", em 1775. Na ocasião, ele ajudou a vencer o exército britânico, correndo para alertar os nacionalistas sobre os seus avanços.

Diversos outros cavaleiros também participaram desta missão. Revere aproveitou o massacre de Boston para fortalecer o apoio ao objetivo do grupo, capitalizando as emoções exacerbadas. Ele plagiou outro desenho do evento, de autoria de Henry Pelham (c.1748-1806), e correu para comercializar sua gravura.

Ele não deu crédito nem remunerou Pelham, que enviaria a Revere uma carta amargurada, lamentando suas "ações desonrosas". 'Alimentou a fúria' Parte do impacto da obra de arte é consequência da sua raridade. "É uma das poucas feitas por um impressor americano", conta McPhee.

Análise: Trump não tem opção melhor do que negociar com o Irã
Mundo

Análise: Trump não tem opção melhor do que negociar com o Irã

Ler matéria →

Leia também