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CPTM: Ferroviários dão ultimato e aprovam greve para 4 de agosto

Vicente Vilardaga São Paulo Das sete linhas antes operadas pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), seis já foram concedidas à iniciativa privada, duas

CPTM: Ferroviários dão ultimato e aprovam greve para 4 de agosto
Vicente Vilardaga
São Paulo

Das sete linhas antes operadas pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), seis já foram concedidas à iniciativa privada, duas delas em 2022. A última que permanece estatal é a 10-turquesa. Todas continuam sofrendo com os problemas de sempre: lentidão, superlotação nos horários de pico e falhas elétricas. E a privatização não trouxe até agora melhorias ao sistema.

Mas fazia tempo que não se via algo comparável ao que aconteceu quinta-feira (23) na linha 12-safira, agora concedida à empresa Trivia Trens, que havia assumido a operação dois dias antes. Uma composição pegou fogo e milhares de paulistanos enfrentaram sérios transtornos. O problema foi tão grave que o governo prorrogou por 90 dias o início da concessão. É um sinal de que a privatização, às vezes, pode ser uma decisão temerária.

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Interior de ônibus com bancos vermelhos e estofados escuros, chão coberto por resíduos queimados e pedaços de material derretido. Estrutura metálica visível e janela ao fundo.
Interior de trem depois de explosão registrada na Linha 12-Safira da Trivia na última quinta-feira (23) - Reprodução TV Globo

Em São Paulo —estado e município— hoje só se fala sobre conceder serviços e espaços públicos para a iniciativa privada sem que se possa entender com exatidão os motivos que existem por trás disso. Não há critérios seletivos. Leia também: Capital Moto Week 2026: Rock in Rio do Cerrado atrai 150 mil fãs

Os governos defendem a entrega de seus equipamentos a empresas como algo vantajoso para a população, capaz de atrair investimentos e gerar retorno para os cofres públicos, mas não se aprofundam no assunto para analisar alguns efeitos colaterais.

Um caso exemplar é o da Sabesp, que aumentou tarifas e passou a receber mais reclamações. A privatização dos serviços de saneamento básico gerou problemas em várias partes do mundo e, em muitas cidades, como Paris e Berlim, eles foram reestatizados. Há várias experiências de fracasso. A maioria dos paulistas, segundo pesquisa Datafolha, não está de acordo com a mudança do destino de sua companhia de água e esgoto.

Estrutura metálica de grades forma um perímetro em gramado de parque. Dentro, há pilhas de equipamentos cobertos por lona preta. Árvores e prédios aparecem ao fundo sob céu nublado.
Frequentadores do Villa-Lobos reclamam do excesso de tapumes e cercas, reduzindo áreas livres - Rubens Cavallari/Folhapress

Outros alvos da fúria privatizadora dos governos locais são parques, praças e ambientes culturais. O que se vê nesses casos é um efeito de gentrificação, de afastamento dos mais pobres. As empresas que os assumem criam imediatamente espaços segregados para quem consegue pagar e inundam a paisagem de marcas de consumo. Mais de saude

Foi o que aconteceu no parque Ibirapuera e no Villa-Lobos. O da Água Branca segue na mesma toada. As áreas verdes podem até estar bem cuidadas, o mínimo que se espera, mas se transformaram em shoppings a céu aberto, e os preços dos produtos de consumo subiram muito. O vale do Anhangabaú virou palco de festas exclusivas cercadas por tapumes. A prefeitura ameaçou reestatizá-lo, principalmente por causa do barulho dos eventos que perturbam os moradores do centro.

Agora estão construindo um restaurante dentro do parque Trianon, na avenida Paulista, um dos últimos remanescentes de mata atlântica da cidade, privatizado em 2022. Para erguer o estabelecimento foram derrubadas quatro árvores. Tudo é muito repentino. Um lugar de contemplação é invadido pelo mundo dos negócios. As autoridades dizem que haverá vantagens para todos, mas não é bem assim. Leia também: Rio Grande do Sul: Chuva de agosto será acima da média e traz riscos

A prefeitura quer também conceder a praça Roosevelt e alguns equipamentos do entorno, como os estacionamentos, para a iniciativa privada por duas décadas. A proposta foi colocada em consulta pública e envolve a venda dos chamados "naming rights". Mais uma vez, o que se teme é a restrição do uso popular e a mercantilização de um patrimônio urbanístico. Outra crítica é a transferência de obrigações públicas de zeladoria.

O último alvo da privatização opressora é o Memorial da América Latina, um lugar criado por Oscar Niemeyer e Darcy Ribeiro para ser um centro de integração, pesquisa e memória e que agora está ameaçado pelo governo estadual de virar uma área de exploração comercial. Essa conversão está sendo planejada sem diálogo e teme-se que limite a utilização dos espaços culturais pela população.

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