EUA registram primeiras mortes ligadas a surto de parasita que causa
Ler matéria →Covid-19: o que a audiência de Fauci no Senado realmente revelou e o que é distorção Nikolas Ferreira aproveita depoimento do médico norte-americano para questionar medidas tomadas na pandemia e reviver desinformações sobre o assunto O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou a questionar as medidas adotadas pelo Brasil durante a pandemia de covid-19, em um vídeo publicado nas redes sociais, neste domingo, 2. Na gravação, o parlamentar usa como argumento a recente audiência do médico Anthony Fauci, no Senado dos Estados Unidos, sugerindo que o depoimento fortalece as críticas feitas no passado a medidas como a vacinação e uso de máscaras durante a crise sanitária.
Fauci foi a principal autoridade de saúde pública dos Estados Unidos durante a pandemia e, na última semana, participou de uma audiência convocada por um comitê do senado liderado pelos republicanos, do partido do presidente Donald Trump. O objetivo da sessão foi discutir a resposta do governo americano à Covid-19 e, principalmente, a hipótese de que o coronavírus tenha escapado de um laboratório em Wuhan, na China. Segundo os acusadores, Fauci estaria escondendo informações sobre as reais origens do surto da doença.
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Em suas redes, Ferreira alega que documentos pessoais atribuídos ao imunologista e apresentados no senado americano contradizem as suas posições públicas defendidas durante a crise sanitária, alertando para erros nas decisões do governo. + O que aconteceu?
Anthony Fauci é ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID, na sigla em inglês), responsável pela resposta à pandemia nos EUA. Na audiência, realizada na última quarta-feira, 29, os senadores interrogaram o médico, que invocou a Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos, declaração que concede o direito ao silêncio e desobriga alguém a “testemunhar contra si mesmo”. O objetivo é proteger os indivíduos contra coerção, erros e injustiças.
Com base nisso, o médico se recusou a responder a mais de cem perguntas feitas pelos parlamentares. Entre as dúvidas levantadas, Fauci foi questionado sobre um suposto financiamento de pesquisas com coronavírus na China, a origem da pandemia e decisões adotadas pelo governo americano. Além disso, na ocasião, o senador republicano Rand Paul divulgou mais de mil páginas de um diário atribuído ao imunologista. Leia também: Saúde: Panorama de Novidades sobre Infarto, Autismo e Alimentação
As anotações refletem diálogos entre cientistas na época e mudanças de posição que aconteceram conforme o mundo compreendia mais sobre a doença. Por exemplo, em fevereiro de 2020, Fauci escreveu: “está quase certo de que o vírus evoluiu naturalmente a partir de uma transmissão entre espécies, embora… eu mantenha a mente aberta quanto à possibilidade de um vazamento de laboratório“, segundo mostrado pela BBC News.
Ele teria escrito, ainda, que: “Sempre afirmei que a hipótese altamente provável era a de que o vírus tivesse se originado naturalmente em um reservatório animal e passado para um ser humano. No entanto, nos últimos dias, diante do volume de especulações sobre a possibilidade de um vazamento de laboratório, passei a dizer que ninguém tem 100% de certeza sobre a origem do vírus, inclusive eu”, afirmou em trecho divulgado pela CBS News. A partir dos relatos, Paul afirmou que o imunologista “escreveu em privado e o que disse ao país são duas histórias diferentes”, alegando que o médico teria negado, anteriormente, as chances de um espalhamento advindo de centros de pesquisa chineses.
O senador ainda acusa o médico de ter, ele mesmo, ajudado a desencadear a pandemia por meio do financiamento de pesquisas para um laboratório em Wuhan. Fauci, em uma breve declaração, disse que o político tinha uma clara “obsessão descontrolada” por ele e já havia feito “comentários difamatórios” no passado. O que se sabe sobre a origem da pandemia
Um relatório publicado no ano passado pelo Grupo Consultivo Científico para as Origens de Novos Patógenos (SAGO), da Organização Mundial da Saúde (OMS), concluiu que a hipótese mais bem sustentada pelas evidências disponíveis é a de que o novo coronavírus (SARS-CoV-2) tenha passado de animais para seres humanos, diretamente de morcegos ou por meio de um hospedeiro intermediário. Os especialistas ressaltam, porém, que ainda não é possível determinar exatamente quando, onde e como o vírus entrou pela primeira vez na população humana. Por isso, a OMS afirma que “todas as hipóteses devem permanecer em aberto“, enquanto novos dados científicos não estiverem disponíveis.
O grupo consultivo é formado por 27 especialistas e eles avaliaram quatro cenários:- Transmissão direta de animais silvestres para seres humanos;- Um acidente relacionado a laboratório, envolvendo exposição ao vírus durante pesquisas de campo ou uma falha nos procedimentos de biossegurança;- Introdução do vírus em mercados de animais, seguida da infecção de pessoas pelo contato com produtos contaminados;- Manipulação deliberada do vírus em laboratório, seguida de uma falha de biossegurança. De acordo com o relatório, as duas últimas hipóteses já são amplamente desacreditadas pela comunidade científica e não foram encontradas evidências que as apoiem. Já em relação à transmissão zoonótica, hipótese mais consistente, o ponto cego é que, embora o Mercado Atacadista de Frutos do Mar de Wuhan tenha desempenhado um papel importante na disseminação inicial do vírus, ainda não há provas suficientes de que tenha sido o local da primeira transmissão. Mais de saude
Por isso, a questão segue em aberto. A hipótese de um acidente de laboratório, por sua vez, permanece inconclusiva porque faltam informações sobre as pesquisas com coronavírus realizadas na China e em outros países, bem como sobre as condições de biossegurança desses laboratórios. Apesar disso, até o momento, não há dados científicos que indiquem um vazamento acidental.
O que a organização afirma é que, sem acesso a informações adicionais, não é possível excluir nem aceitar essa hipótese. A OMS já realizou três missões científicas à China, sendo uma delas dedicada exclusivamente a investigar as origens da Covid-19. +
Hidroxicloroquina e ivermectina eram eficazes? Em seu vídeo, o deputado Nikolas Ferreira também diz que os documentos pessoais de Fauci comprovariam que o médico pode ter errado ao afirmar que medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina não teriam eficácia contra a doença. “ Leia também: “Gelatina Mounjaro” ganha destaque após novo desdobramento em “gelatina
Depois que o Trump endossou o medicamento [hidroxicloroquina], o Fauci voltou atrás ”, alegou o deputado, sugerindo que teria ocorrido uma mudança de posicionamento por parte do NIAID, motivada por questões políticas. Nikolas também menciona que, durante a audiência, um dos senadores republicanos apresentou uma pilha de documentos que, segundo ele, reuniria 60 estudos indicando benefícios da ivermectina no tratamento da doença.
De acordo com o deputado, essas seriam comprovações de que Jair Messias Bolsonaro estava certo quando indicou esses tratamentos para a população brasileira. As afirmações, porém, ignoram o conjunto de evidências científicas produzidas ao longo da pandemia. O que se sabe hoje sobre a hidroxicloroquina
A hidroxicloroquina e a cloroquina chegaram a ser consideradas possíveis tratamentos contra a Covid-19 no início da crise sanitária, graças a estudos iniciais com células ou com poucos participantes e sem grupos de comparação– alguns que foram, inclusive, retratados por falhas metodológicas e acusações de fraude. Em março de 2020, a agência reguladora dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), autorizou o uso emergencial para alguns pacientes. No entanto, em junho do mesmo ano, após a realização de estudos maiores e mais rigorosos (com humanos), a FDA revogou a autorização.
Parte da motivação para a medida veio de grandes ensaios clínicos, como o Recovery, do Reino Unido, e o Solidarity, coordenado pela OMS, que não comprovaram redução de mortalidade entre os pacientes tratados com essas substâncias. Aliás, os estudos destacaram que a hidroxicloroquina pode causar efeitos adversos, como alterações do ritmo cardíaco. Por isso, hoje a OMS reforça que não recomenda a substância para tratamento ou prevenção da doença.
A afirmação, diz a entidade, tem como base as análises de 30 ensaios clínicos, envolvendo mais de 10 mil pacientes. Vale mencionar que, entre eles, está uma meta-análise, publicada na revista Nature, que avaliou 146 estudos que investigaram o uso de hidroxicloroquina e cloroquina no tratamento da Covid-19. Após a aplicação de critérios de qualidade, apenas 28 estudos foram considerados elegíveis.
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