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O comunicado que acompanhou a mais recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgado nesta quarta-feira (29), entregou ao mercado peças de um quebra-cabeças da conjuntura econômica, sem deixar claros os próximos passos para a Selic. Embora o Banco Central (BC) tenha cortado a taxa de 14,75% para 14,50%, o tom do texto dividiu economistas. O recado foi hawkish (duro), sinalizando uma pausa iminente diante da piora inflacionária? Ou dovish (suave), apostando na dissipação dos choques externos?
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Uma pesquisa da XP Macro com 69 investidores institucionais ilustra essa divisão: 41% leram o comunicado como neutro, 32% como hawkish e 27% o consideraram moderado/suave.
A ausência de uma orientação futura (forward guidance) explícita, segundo avaliação do Bank of America (BofA), reflete o esforço do BC em preservar sua flexibilidade em um ambiente de incerteza global. Leia também: JPMorgan corta Azzas para neutra e vê cenário desafiador para varejo; veja preferidas
Por que o tom endureceu?
A leitura de um Banco Central mais conservador ganha força na deterioração das expectativas. Caio Megale, economista-chefe da XP, destaca que o próprio Copom admitiu o distanciamento da inflação em relação à meta, com a projeção do IPCA para 2027 subindo de 3,3% para 3,5% — acima dos 3,4% esperados pelo mercado.
Além disso, o comitê incluiu no balanço de riscos o impacto potencial dos conflitos no Oriente Médio sobre o petróleo e as cadeias de suprimentos. Para Gustavo Sung, da Suno Research, e Claudia Moreno, do C6 Bank, essa menção direta aos riscos externos e à desancoragem das expectativas confere um tom indubitavelmente duro à comunicação.
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A porta aberta para os cortes
Por outro lado, a visão dovish se sustenta na insistência do BC de que a política monetária atual já é contracionista o suficiente. O Itaú BBA destaca que o comunicado validou a eficácia das condições restritivas atuais, o que cria espaço para ajustes no ritmo e na extensão dos cortes, dependendo dos próximos dados. A avaliação é que o BC reconhece que o cenário piorou, mas não o suficiente para evitar cortes imediatos. Mais de economia
Projeções revisadas e o teto da Selic
O Itaú reduziu a projeção de corte para a reunião de junho de 0,50 p.p. para 0,25 p.p., revisando a Selic terminal para 13,25%. O banco também elevou fortemente suas estimativas de IPCA para 2026 (de 4,5% para 5,2%).
A XP manteve o cenário-base da Selic em 13,50% ao final de 2026, projetando dois cortes residuais, condicionados ao recuo do petróleo para a faixa de US$ 80. Leia também: Mesmo com corte na Selic, mercado ainda ficará de olho em inflação e conflito no Irã
A Austin Rating estima a taxa em 12,5%, mas admite viés de alta. O C6 vê um viés de taxa final mais próxima dos 14% do que dos 13%.
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Próximas reuniões do Copom:
- 16 e 17 de junho;
- 4 e 5 de agosto;
- 15 e 16 de setembro;
- 3 e 4 de novembro;
- 8 e 9 de dezembro.
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Élida Oliveira
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