Ao leitor ganha destaque após novo desdobramento em ao leitor: os dois lados
Ler matéria →Conheça as novas canetas emagrecedoras: mais potência, menos aplicações e músculos preservados Depois de Wegovy e Mounjaro, medicamentos em pesquisa prometem outra revolução no tratamento da obesidade— muito além da perda de peso Era uma vez um remédio de aplicação semanal para o controle do diabetes que demonstrou um incrível poder de emagrecimento. Seus detentores não hesitaram em testar a ideia: que tal estudá-lo para a perda de peso? Ajustaram uma dose aqui, mudaram uma bula acolá, e, com outro nome na praça, nasceu um irmão, desta vez destinado a uma condição ainda mais prevalente e de crescimento galopante, a obesidade.
Não demorou muito até que outro personagem entrasse no roteiro. Um concorrente lançou um produto com mecanismo de ação duplo e tornou-se a farmacêutica com o maior valor global de mercado. Trata-se da medicação mais lucrativa da atualidade: em 2025, rendeu 36,5 bilhões de dólares aos seus donos.
Leia no AINotícia: Saúde: Panorama Semanal com Foco em Emagrecimento e Infância
Apetite para compras e prescrições existe de sobra: mais de 1 bilhão de pessoas estão acima do peso no mundo hoje e, até 2035, projeta-se que uma em cada quatro irá conviver com a obesidade. A questão, como se sabe, não se resume a um número na balança; desdobra-se em múltiplos problemas de saúde. E foi assim, em meio a uma trama complexa, que as “canetas emagrecedoras”, como ficaram conhecidas, começaram a reescrever as páginas de um dos maiores desafios da humanidade.
Ozempic, Wegovy e o rentável Mounjaro protagonizaram uma revolução científica, econômica e comportamental. Mas a história não termina aí. Já enxergamos as cenas dos próximos capítulos. +
Esse vislumbre foi dado durante o último encontro da Associação Americana de Diabetes, em Nova Orleans, nos Estados Unidos— sim, diabetes, já que as canetas também se prestam a domar a glicose no sangue e suas complicações. Mas sem dúvida os efeitos na perda de peso roubaram os holofotes. Há uma nova geração de medicações para a obesidade no horizonte: algumas mais potentes, outras mais práticas de usar, e há até aquelas com “efeitos colaterais” pra lá de desejáveis. Leia também: Anvisa proíbe substâncias usadas em cosméticos e produtos infantis famosos
O futuro já começou e, se os estudos confirmarem a segurança e a eficácia do que vem por aí, será empolgante para médicos e pacientes. Nesta reportagem você vai entender: Imagine um remédio que emagrece tanto quanto uma cirurgia bariátrica. Essa é a força da retatrutida, a primeira caneta semanal que mimetiza três hormônios envolvidos no balanço energético do organismo.
Relembremos: a semaglutida de Ozempic e Wegovy, pioneira nessa história, imita o hoje famoso GLP-1, aumentando a sensação de saciedade e enxugando a gordura corporal. A tirzepatida do Mounjaro, por sua vez, emula duas substâncias para turbinar esse efeito. A depender da dose, esses medicamentos chegam a eliminar ao redor de 20% do peso.
Pois a tal da retatrutida, criada pela Eli Lilly do Mounjaro e em fase final de pesquisa, chega a superar a perda de 30% do peso— um quarto dos participantes dos ensaios clínicos logrou podar 35% após pouco mais de 100 semanas de uso. Um resultado inédito nos anais da farmacologia. “Ela bateu esse recorde e ainda ofereceu outros benefícios: pacientes com pré-diabetes voltaram a ficar com a glicemia normal”, ressalta o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da USP de Ribeirão Preto.
Aí que está: tratar a obesidade é tratar outras ameaças escondidas atrás daquele número da balança ou do cálculo do IMC. Mas cabe um entreato antes de seguir com o capítulo da retatrutida. As canetas viraram uma febre, sim.
E mesmo pessoas para as quais elas não foram projetadas quiseram tirar proveito das picadas. Acontece— embora muitos influenciadores digitais e charlatões de jaleco tenham interferido nos rumos dessa história. O ponto é: estamos diante de medicamentos concebidos para tratar uma condição crônica, com mais de uma causa e grandes chances de retornar quando o acompanhamento médico é dispensado. Mais de saude
“ A obesidade está ligada a mais de 200 comorbidades, e, por muito tempo, tivemos de tratar essas situações uma a uma, de forma isolada”, diz Luiz André Magno, diretor médico da Eli Lilly no Brasil. “Mas, com os resultados dos novos estudos, já imaginamos ser possível tratar esse quadro de uma maneira mais abrangente.
” É aí que voltamos à potente retatrutida. Prevista para 2027, se não houver mudanças no script, ela não mira apenas o excesso de gordura. “
Junto com a perda de peso expressiva, observamos melhoras nas dores de joelho provocadas pela osteoartrite, na apneia do sono e no controle glicêmico”, conta Magno. É evidente que perder 30 kg com uma caneta utilizada uma vez por semana ao longo de quase dois anos soa animador, mas é preciso ponderar expectativas e necessidades. + Leia também: Saúde: Empatia, Café e Sarampo em Destaque
Benefícios para além da perda de peso Para o endocrinologista Bruno Geloneze, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), não podemos cair no canto do “pesocentrismo”. “O mais importante no tratamento da obesidade não é alcançar um peso ideal, muito menos atingir o IMC de magreza.
É controlar ou reverter as doenças associadas ao peso”, afirma. Além disso, convém ter em mente que nem toda história individual deverá ser reescrita com a mesma caneta. “
A maioria dos pacientes não precisará usar um medicamento com uma potência tão grande”, diz Geloneze, que vislumbra oportunidades com a utilização de doses mais baixas para atender a essas demandas. “ O que os novos remédios oferecem, no fundo, é a ampliação de um arsenal terapêutico que permitirá personalizar ainda mais nossa abordagem”, analisa Couri.
De fato, opções não irão faltar, de acordo com o perfil e as preferências dos usuários no que diz respeito à forma e à rotina de administração dos fármacos. + Berobenatida: menos aplicações, mais praticidade Quer facilidade?
Já pensou em um “ Ozempic mensal”? É a proposta da berobenatida, da Pfizer.
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