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Condenados à morte na Arábia Saudita ligam para a BBC pedindo ajuda

Condenados à morte na Arábia Saudita ligam para a BBC pedindo ajuda Legenda da foto, Alguns presos etíopes conseguiram o número do serviço de tigrínia da BBC e ligaram

Condenados à morte na Arábia Saudita ligam para a BBC pedindo ajuda
Condenados à morte na Arábia Saudita ligam para a BBC pedindo ajuda
Ilustração de um homem em um telefone fixado na parede. Ele veste uma camiseta branca e calça laranja. À esquerda da imagem, veem-se grades de prisão.
Legenda da foto, Alguns presos etíopes conseguiram o número do serviço de tigrínia da BBC e ligaram de um telefone da prisão para contar suas histórias
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    • Author, Aklilu Tsegay
    • Role, BBC Tigrínia
  • Published Há 2 horas
  • Tempo de leitura: 9 min

Havia desespero na voz do jovem etíope quando ele conseguiu falar com a BBC pelo telefone de sua cela, em uma prisão na Arábia Saudita, onde aguarda a execução.

Habtom, cujo nome— assim como o do outro preso citado nesta reportagem— foi alterado para proteger sua identidade, está detido há mais de 3 anos em uma prisão na cidade de Khamis Mushait, no sul do país.

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"Um preso não consegue confortar o outro. Não temos escolha a não ser chorar. Estamos esperando a nossa vez, mesmo sem saber quando isso vai acontecer", disse Habtom.

Ele e alguns de seus companheiros de cela fugiram da guerra e da pobreza no país de origem, na esperança de encontrar uma vida melhor.

Mas essa busca, que o levou pelo Djibuti e pelo Iêmen, terminou com sua prisão. Ele é mais um no número crescente de etíopes em prisões sauditas que enfrentam a possibilidade de execução por tráfico de drogas. Leia também: 'Guerra ainda não começou': PT oficializa a sétima disputa eleitoral de Lula

Ansiosos para contar sua história, alguns dos presos conseguiram o número de celular do serviço em tigrínia da BBC, língua falada na Etiópia e na Eritreia.

No total, conversamos com sete dos etíopes presos que aguardam o cumprimento da sentença de morte. São dezenas de pessoas, talvez até 200.

Outros estrangeiros, incluindo paquistaneses, sudaneses e jordanianos, estão em situação semelhante. Mas, nos primeiros sete meses deste ano, 17 etíopes foram executados, o maior número entre os não sauditas. Cinco dessas execuções aconteceram na segunda-feira (27/7). Mais de mundo

Dois anos atrás, segundo levantamento da Anistia Internacional, apenas dois etíopes foram executados; já em 2025, foram 35.

Não está claro exatamente por que houve esse aumento, mas ele pode estar ligado ao maior número de pessoas que deixam a região do Tigré, no norte da Etiópia, onde uma brutal guerra civil de 2 anos terminou no fim de 2022, deixando um rastro de devastação.

Assim como a maioria dos que falaram com a BBC, Habtom é do Tigré. Ele foi considerado culpado de contrabandear haxixe, um tipo de cannabis. Na Arábia Saudita, a critério do juiz, um veredicto de culpa pode resultar em pena de morte. Leia também: Por que escolhi fazer vasectomia antes dos 30 anos — e não me arrependo

Mas grupos de direitos humanos— incluindo Reprieve, Human Rights Watch (HRW) e Anistia Internacional— afirmam que, nesse tipo de caso, o devido processo legal raramente é seguido.

Os réus não têm acesso a um advogado nem aos autos do processo, e a tradução, quando é oferecida, pode ser inadequada, diz Ahmed, da Anistia.

Embora exista, na teoria, o direito de recorrer, sem um advogado eles não conseguem apresentar recurso "e então a sentença é automaticamente mantida", afirma ela.

"Há uma falta quase total de transparência em todo o processo judicial, da sentença à revisão pela Suprema Corte e à ratificação pelo rei. As pessoas no corredor da morte e suas famílias ficam sem saber qual será seu destino."

Habtom alegou que não teve a chance de falar com um advogado nem de se defender. Também disse ter sido forçado a assinar um documento em árabe, no qual concordava com a sentença, sem entender o que estava assinando.

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Uma ilustração de uma cela lotada, com beliches apertados e prisioneiros sentados no chão. Eles vestem camisetas brancas e calças laranjas.
Legenda da foto, Os sete etíopes que falaram com a BBC disseram que as condições dentro da prisão eram duras
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Ilustração de guardas prisionais com máscaras faciais entregando comida. Um segura uma bandeja com três pães e tigelas de sopa. O outro empurra um carrinho com pães.
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