Adversário do Brasil, Japão tem um desafio fora de campo: um enigma econômico
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Crédito, Marco Bello/Reuters
- Author, Giulia Granchi
- Role, Da BBC News Brasil em Houston (EUA)
- Published Há 32 minutos
- Tempo de leitura: 7 min
Antes da Copa do Mundo de 2026, uma cobrança rondava o nome de Vinícius Jr.: o jogador que vive um dos melhores momentos da carreira no Real Madrid ainda não havia repetido, com a seleção brasileira, o nível de decisão que apresenta no clube espanhol.
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Os números reforçavam a crítica: antes do Mundial, eram apenas 8 gols em 46 jogos pela equipe principal, a maioria deles em amistosos.
Na Copa América de 2024, a ausência pesou: suspenso por acúmulo de cartões, Vini Jr. assistiu da tribuna à eliminação do Brasil para o Uruguai nos pênaltis, nas quartas de final, e assumiu a responsabilidade pelo resultado mesmo sem ter entrado em campo.
Pouco antes da Copa, em amistoso testando-o como o novo 10 da seleção, voltou a ser criticado: cometeu erros pouco comuns e o Brasil perdeu para a França por 2 a 1, em partida na qual pouco produziu. Leia também: Quando a seleção brasileira era formada por filhos de imigrantes e operários
Mas três jogos de Copa do Mundo depois, esse discurso de críticas perdeu força. Contra o Marrocos, na estreia, foi ele quem marcou o gol que evitou a derrota, garantindo o empate em 1 a 1.
Foi também depois desse jogo que Vini Jr. voltou a falar sobre a relação com Ancelotti, dizendo que o técnico "sempre me faz me adaptar o mais rápido possível à equipe" e que lhe dá "a importância que eu preciso e que mereço".
Contra o Haiti, balançou as redes na partida em que completou 500 jogos como profissional, além de dar uma assistência e participar do lance que originou o primeiro gol de Matheus Cunha.
Foi também o jogo do retorno de Neymar à seleção depois de mais de dois anos afastado por lesão. O camisa 10 entrou no segundo tempo, foi ovacionado pela torcida e teve seu nome cantado no aquecimento— mas quem comandou o setor ofensivo brasileiro, mais uma vez, foi Vini Jr.
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A própria presença de Neymar no banco— ainda em fase de retomar ritmo de jogo e questionado por boa parte da imprensa sobre se teria condições de ajudar a seleção neste Mundial— reforça o quanto o camisa 7 se tornou o trunfo ofensivo do Brasil: se em outros ciclos era Neymar quem desequilibrava os jogos, agora é em Vini Jr. que o Brasil encontra sua principal referência de decisão.
E é o próprio Neymar quem parece reconhecer essa mudança. Depois da vitória por 3 a 0 sobre a Escócia, o camisa 10 falou sobre o momento do companheiro: "Fico feliz pelo carinho da torcida, de todo mundo, mas mais feliz ainda por nossa equipe estar indo bem, muito feliz pelo momento do Vini." Leia também: Adversário do Brasil na Copa, Japão tenta salvar monarquia sem romper tradição
Na partida, Vini Jr. marcou dois gols.
"Vini hoje é o nosso principal jogador e está numa fase incrível, vem nos ajudando, decidindo os jogos. Isso é importante para nós. Foi o que falei: agradeço por todo o carinho, estou muito contente. Agora é mata-mata, seguir vencendo para chegar no nosso objetivo final. Dá para jogar 200 minutos (risos)", disse Neymar.
Para o comentarista e ex-futebolista Walter Casagrande, a mudança no protagonismo tem nome e sobrenome: "A mudança do jeito de jogar do Vinícius Jr na seleção se deu com a chegada de Carlo Ancelotti, que conhece bem o poder de decisão dele. Armou um esquema tático parecido com sua época de Real Madrid para deixar o Vini pronto para decidir o jogo sem se desgastar para ajudar na marcação."
"Sem dúvida o Vinícius Jr. é o principal jogador, o mais decisivo, e aquele que não só pode fazer a diferença como está fazendo nessa Copa do Mundo. Ele está nessa Copa no patamar das grandes estrelas da competição como Messi, Mbappé, Dembélé, Haaland, e obviamente o Vinícius Jr. faz parte dessa turma", disse ele à BBC News Brasil.
O jornalista Paulo Vinícius Coelho segue na mesma linha ao falar do papel do treinador italiano: "Carlo Ancelotti conhece o jogador do Real Madrid e o transformou no jogador mais livre do sistema tático. O que tem menos obrigações defensivas e que tem, por isso, mais chance de decidir jogos."
Os números que sustentam o protagonismo

A conexão com Ancelotti: o efeito que mudou sua carreira
O panorama do confronto
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