'Já basta': o temor de Trump de que nova troca de ataques entre Israel e Irã
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Crédito, Getty Images
- Author, Alessandra Corrêa
- Role, De Washington para a BBC News Brasil
- Published 8 junho 2026, 14:07 -03Atualizado Há 6 minutos
- Tempo de leitura: 11 min
Quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou apoio "completo e total" ao candidato da direita na eleição presidencial colombiana, no fim de maio, ele estava repetindo um gesto raro entre seus antecessores, mas cada vez mais comum neste segundo mandato.
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O candidato, Abelardo De La Espriella, disputará o segundo turno com Iván Cepeda, do partido Pacto Histórico, o mesmo do presidente Gustavo Petro. Em sua rede social, Truth Social, Trump parabenizou De la Espriella, a quem chamou pelo apelido de "El Tigre", pela vitória no primeiro turno.
"Abelardo enfrentará um marxista de esquerda radical no segundo turno em 21 de junho", acrescentou, referindo-se a Cepeda. "Os resultados desta eleição são de extrema importância para o futuro da Colômbia e para suas relações com os Estados Unidos."
A Colômbia é apenas o exemplo mais recente em que Trump tenta influenciar o resultado de um pleito ao manifestar preferência por determinado candidato ou partido. Também fazem parte dessa lista crescente países como Argentina, Honduras, Hungria e Japão, entre vários outros. Leia também: Por que as mulheres vivem mais do que os homens?
Embora, historicamente, os Estados Unidos tenham interferido em eleições de diversos países no passado, a maneira como isso tem sido feito pelo governo Trump tem chamado a atenção.
"Era raro um presidente, antes de Trump, intervir diretamente em uma eleição em andamento e de forma tão pública", afirma Wolfe. "Trump rompeu com o modus operandi."
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Em vez de operações secretas da CIA, a agência de inteligência americana, como documentado durante a Guerra Fria, ou de manifestações sutis da diplomacia em defesa de eleições justas e transparentes, Trump recorre às redes sociais para pedir votos abertamente, às vezes com ameaças, para candidatos alinhados ideologicamente.
O presidente americano, que iniciou o segundo mandato com uma retórica de não-intervencionismo, também se destaca pela escala de seu envolvimento em assuntos domésticos de outros países.
"Neste momento, o governo Trump adota uma postura de buscar de alguma forma influenciar todas as eleições que ele acompanha", diz à BBC News Brasil o cientista político Oliver Stuenkel, pesquisador da Universidade Harvard e do Carnegie Endowment for International Peace. Leia também: PEC da Liberdade ou Escravidão? O que pode mudar no regime de trabalho por hora
"Na América Latina, o que se vê é que algum tipo de opinião ou de tentativa de influenciar virou regra", observa. "A exceção agora é o governo americano não fazer isso."
Stuenkel lembra que, às vésperas do segundo turno nas eleições presidenciais peruanas, no domingo (7/6), muitos se perguntavam por que Trump ainda não havia declarado apoio à candidata da direita, Keiko Fujimori.
Nesse contexto, crescem no Brasil discussões sobre a possibilidade de que os Estados Unidos tentem interferir nas eleições presidenciais de outubro.
A percepção de tentativa de interferência foi reforçada nas últimas semanas, com a decisão do governo americano de classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e com ameaças de novas tarifas contra produtos brasileiros.
Essas medidas foram anunciadas poucos dias após uma visita a Washington do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump.
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