← Mundo
Mundo

PEC da Liberdade ou Escravidão? O que pode mudar no regime de trabalho por hora

Crédito, Getty Images Article Information Author, Mariana Schreiber Role, Da BBC News Brasil em Brasília Published Há 1 hora Tempo de leitura: 9 min Após a Câmara dos

PEC da Liberdade ou Escravidão? O que pode mudar no regime de trabalho por hora
Trabalhador mexe em uma cabeça de porco pendurada em um açougue

Crédito, Getty Images

Article Information
    • Author, Mariana Schreiber
    • Role, Da BBC News Brasil em Brasília
  • Published Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 9 min

Após a Câmara dos Deputados aprovar o fim da escala 6 x1 com amplo apoio dos parlamentares, o Senado Federal virou palco de disputa entre diferentes propostas para mudar o regime de trabalho no Brasil.

Leia no AINotícia: Israel Ataca Irã Desafiando Trump, Escalada Ameaça Acordo de Paz

Senadores de oposição contrários à redução de jornada apresentaram uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que cria um novo modelo em que o empregado recebe por horas trabalhadas e funcionaria simultaneamente ao regime tradicional de CLT— empresas e trabalhadores poderiam optar entre os dois.

O movimento é liderado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também assina a proposta, ao lado de quase quarenta senadores.

Segundo esses parlamentares, que chamam a proposta de PEC da Liberdade, a ideia é aumentar a flexibilidade do mercado de trabalho e dar aos trabalhadores a possibilidade de escolher se querem trabalhar mais ou menos tempo, de acordo com suas necessidades. Leia também: Melhor que qualquer 'hacker' humano: o que é o novo modelo de inteligência

O texto prevê que acordos individuais vão prevalecer sobre acordos coletivos de trabalho. Já a remuneração e benefícios como 13º salário, férias e licença maternidade seriam calculados de forma proporcional às horas trabalhadas.

"O que a gente está propondo é que o próprio trabalhador monte a sua escala, a sua jornada de trabalho, sem perder nenhum direito trabalhista", disse Flávio Bolsonaro, em entrevista à rádio Itatiaia no início de junho.

Ao contrário do que foi aprovado na Câmara, a PEC da oposição não acaba com a escala 6x1, nem prevê a redução do limite de jornada de 44 horas semanais para 40 horas, sem redução salarial.

Críticos chamam a proposta de PEC da Escravidão, dizem que ela possibilita uma escala 7x0, sem folga semanal, e afirmam que acordos individuais favorecem os patrões.

"A empresa passa a ter incentivo para contornar a negociação sindical e buscar, trabalhador por trabalhador, condições menos protetivas. O resultado tende a ser fragmentação da categoria, perda de força coletiva e rebaixamento do patamar de direitos", disse à reportagem o advogado Antonio Megale, sócio do escritório LBS, que atende a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

"Portanto, a crítica não é à vontade individual do trabalhador. A crítica é à 'ficção' de que essa vontade é livre quando exercida sob dependência econômica, subordinação jurídica e risco de desemprego", continua. Leia também: Cosmeticorexia: como meninas estão ficando obcecadas por skincare

De acordo com a Agência Senado, Marinho indicou não haver limite de horas na sua proposta de regime flexível.

"Se você quiser trabalhar 20 horas, 30 horas, 40 horas, 50 horas, é possível. E que você seja remunerado pela sua atividade e pela sua disponibilidade em relação ao seu empregador", disse o senador ao apresentar a PEC.

O senador, porém, depois negou que a proposta permita a jornada 7x0 e disse que o limite de 44 horas semanais estará mantido.

"Basicamente, o que nós propomos é que haja liberdade. Ou seja, jornada flexível, estabelecido teto de 44 horas: para baixo, ok, não para cima", afirmou, em vídeo divulgado em suas redes sociais.

Flávio Bolsonaro ri durante conversa com Rogério Marinho

Crédito, Carlos Moura/Agência Senado

Legenda da foto, Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho dizem que proposta mantém direitos dos trabalhadores

Especialistas apontam vantagens e riscos nas duas PECs

Com fim da 6x1, Brasil 'está caminhando para um modelo que não existe em nenhum lugar do mundo'

Manifestante cola cartazes por fim da jornada 6x1
Legenda da foto, PEC contra escala 6x1 será analisada pelo Senado após passar na Câmara

Para professor, flexibilizar jornada não resolve problema principal: altos encargos sobre trabalho

Trabalhador em fazenda de laranjas
Legenda da foto, Regime flexível pode comprometer contribuições previdenciárias, diz advogado trabalhista
Melhor que qualquer 'hacker' humano: o que é o novo modelo de inteligência
Mundo

Melhor que qualquer 'hacker' humano: o que é o novo modelo de inteligência

Ler matéria →

Leia também