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Como Trump recuou e ganhou mais tempo para negociar acordo com o Irã

Como Trump recuou e ganhou mais tempo para negociar acordo com o Irã Crédito, DANIEL HEUER/POOL/EPA/Shutterstock Legenda da foto, O presidente dos EUA, Donald Trump

Como Trump recuou e ganhou mais tempo para negociar acordo com o Irã
Como Trump recuou e ganhou mais tempo para negociar acordo com o Irã
Donald Trump está na sala de jantar da Casa Branca, diante de uma parede branca com relevos e parte de uma bandeira dos Estados Unidos ao fundo. Ele aparece da cintura para cima, falando, voltado para a direita e gesticulando. Veste um blazer azul, camisa branca e gravata rosa com estampa

Crédito, DANIEL HEUER/POOL/EPA/Shutterstock

Legenda da foto, O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que estenderia o cessar-fogo com o Irã, previsto para expirar na noite de quarta-feira (22/4)
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    • Author, Daniel Bush
    • Role, Correspondente da BBC News em Washington
  • Há 3 horas
  • Tempo de leitura: 4 min

A terça-feira (21/4) começou como um dia frenético de diplomacia nos Estados Unidos, com o Air Force Two (avião oficial do vice-presidente americano) pronto para levar o vice-presidente J.D. Vance a Islamabad, capital do Paquistão, para mais uma rodada de negociações de paz entre os EUA e o Irã.

Poucas horas depois, a aeronave ainda não havia decolado e as negociações foram adiadas. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que estenderia o cessar-fogo com o Irã, previsto para expirar na noite de quarta-feira (22/4), sob o argumento de que daria mais tempo ao Irã para formular uma "proposta unificada" para encerrar a guerra.

Nesse intervalo, Trump avaliou as suas opções enquanto o mundo aguardava para saber se os países estavam mais próximos de pôr fim ao conflito. A decisão de Trump marcou a segunda vez em duas semanas que ele recuou de uma ameaça de intensificar a guerra, ganhando mais tempo para encerrar um conflito que se aproxima de dois meses.

Vance nunca anunciou oficialmente a viagem a Islamabad, o que deixou os EUA em dúvida. E o Irã também não confirmou oficialmente presença nas negociações, colocando a Casa Branca diante da difícil decisão de enviar ou não o vice-presidente dos EUA sem garantia de que o Irã participaria das conversas.

Com o passar do dia, surgiram sinais de um adiamento. O enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, integrantes da equipe de negociação liderada por Vance, voaram de Miami para Washington D.C., em vez de seguir diretamente para Islamabad. Pouco depois, Vance foi à Casa Branca para "reuniões de política", enquanto o presidente Trump e seus principais assessores discutiam os próximos passos. Leia também: Brasileiro mostra como é morar em favela chinesa pagando R$ 30 de aluguel: 'Minha viagem nunca acabou'

No fim, Trump anunciou a extensão do cessar-fogo na rede Truth Social, seu principal meio de comunicação sobre a guerra desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. Trump afirmou que tomou a decisão a pedido do Paquistão, que tem mediado as negociações entre o Irã e os EUA.

"Nos solicitaram suspender nosso ataque ao Irã até que seus líderes e representantes possam apresentar uma proposta unificada", disse Trump.

Vale notar que, desta vez, Trump não especificou por quanto tempo o cessar-fogo poderá durar. No início deste mês, ele havia estipulado um prazo de duas semanas para o primeiro cessar-fogo. Isso ocorreu após declarações contraditórias em entrevistas à imprensa, nas quais afirmou que as negociações avançavam bem, mas também advertiu que consideraria retomar a guerra caso o Irã se recusasse a negociar.

"Não existe uma fórmula clara" para encerrar guerras, explicou James Jeffrey, ex-embaixador americano no Iraque e na Turquia, em entrevista à BBC.

Trump não é o primeiro presidente dos EUA a "ameaçar uma escalada militar significativa", acrescentou Jeffrey, "ao mesmo tempo em que coloca uma proposta favorável à mesa". Mais de mundo

Uma foto ampla do céu, com uma rodovia ao fundo, destaca um painel nas cores laranja e azul com a mensagem “Bem-vindo a Islamabad”

Crédito, REUTERS/Akhtar Soomro

Legenda da foto, Uma tela digital exibe a mensagem "Bem-vindo a Islamabad" enquanto o Paquistão se preparava para receber os EUA e Irã para a segunda fase das negociações de paz na capital, que foram adiadas na terça-feira (21/4)

A declaração em aberto de Trump na terça-feira foi mais moderada do que suas críticas anteriores ao Irã em postagens nas redes sociais. Isso pode indicar o desejo de encerrar um conflito que tem abalado a economia global e é impopular entre apoiadores anti-intervencionistas de sua base Make America Great Again (Maga, ou "Faça a América Grande Novamente", em tradução livre). Leia também: Lula ameaça adotar 'reciprocidade' após EUA pedirem saída de delegado da PF envolvido em caso Ramagem

"Esta é uma decisão pragmática, baseada em fissuras bastante evidentes na atual liderança do governo iraniano", disse Brian Katulis, pesquisador sênior do Middle East Institute, nos EUA.

Mas Katulis disse que a decisão de Trump também gerou mais incerteza sobre quanto tempo a guerra vai durar.

"Essa medida levanta a questão de como Trump lidará com o impacto econômico que os americanos estão sentindo e com o custo político dentro de sua base", disse. "Ele ainda não respondeu às questões que continuam alimentando essa crise."

Com a extensão do cessar-fogo, os EUA e o Irã agora têm mais tempo para fechar um acordo de paz duradouro. Mas grandes questões permanecem em aberto.

O Irã afirma que o bloqueio americano ao estreito de Ormuz pelos EUA constitui um ato de guerra. Embora Trump tenha optado por não retomar imediatamente o conflito, não deu sinais de que pretende encerrar o bloqueio, que os EUA esperavam usar para pressionar o Irã. Até agora, isso não ocorreu, deixando Trump com menos alternativas além de intensificar a campanha militar.

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