
Crédito, Ypê/Divulgação
- Author, Redação
- Role, BBC News Brasil
- Há 19 minutos
- Tempo de leitura: 4 min
A suspensão de lotes de produtos da marca Ypê pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária rapidamente ultrapassou o debate sanitário e virou mais um capítulo da polarização política brasileira nas redes sociais.
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A controvérsia começou na quinta-feira (7/5), quando a Anvisa determinou o recolhimento de detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes fabricados pela empresa na unidade de Amparo, no interior de São Paulo. A medida atingia todos os lotes cuja numeração terminava em 1.
Além do recolhimento, a agência havia determinado a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso dos itens afetados, após identificar falhas no processo de fabricação e risco de contaminação microbiológica.
Embora a Anvisa tenha suspendido temporariamente os efeitos da medida após recurso apresentado pela Ypê, a agência afirma que não reviu sua avaliação técnica sobre o risco sanitário e mantém a recomendação para que consumidores não usem os produtos dos lotes afetados até decisão definitiva do caso. Leia também: As novas pistas sobre a misteriosa energia escura no maior mapa 3D já criado do
A própria Ypê informou que decidiu manter paralisada parte da produção da fábrica de produtos líquidos enquanto implementa medidas exigidas pela agência.
Em poucas horas, o episódio deixou de ser apenas uma discussão sobre vigilância sanitária e passou a ocupar o centro de uma batalha política nas redes.
Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a acusar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de perseguição contra a empresa, apontando o fato de integrantes da família controladora da Química Amparo — dona da marca Ypê — terem feito doações para a campanha de reeleição de Bolsonaro em 2022.
Segundo registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), membros da família Beira, ligada ao grupo controlador da empresa, doaram juntos R$ 1 milhão à campanha do ex-presidente.
A relação política da empresa com o bolsonarismo já havia sido alvo de debate anteriormente. Em 2022, a Química Amparo foi condenada pela Justiça do Trabalho por assédio eleitoral após promover uma live interna em apoio a Bolsonaro junto a funcionários. Na ocasião, a companhia afirmou ser apartidária. Mais de mundo
Conteúdo nas redes
Nas redes sociais, influenciadores, políticos e celebridades passaram a publicar vídeos consumindo ou comprando produtos da marca em uma espécie de campanha informal de apoio à empresa.
O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, publicou um vídeo lavando louça com detergente da marca e convocando seguidores a comprarem produtos Ypê.
"Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com essa empresa 100% brasileira", afirmou. Leia também: A mãe que refez a vida após ser abandonada com filha com zika: 'Cada dia é uma

Crédito, Reprodução/Redes sociais
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
O senador Cleitinho também gravou um vídeo utilizando o produto enquanto criticava a atuação da Anvisa. Em tom de deboche, questionou se o órgão fiscalizaria "a bucha de cada brasileiro".
O prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, adotou um discurso mais moderado: defendeu que os consumidores trocassem os lotes afetados, mas criticou o que chamou de "massacre" contra a companhia.
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