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Como racha de aliados levou Ciro e Elmano a lados opostos na disputa

A disputa para o governo do Ceará coloca em lados opostos dois candidatos que, até pouco tempo atrás, faziam parte de uma mesma aliança formada pelo PDT e o PT: Ciro

Como racha de aliados levou Ciro e Elmano a lados opostos na disputa pelo

A disputa para o governo do Ceará coloca em lados opostos dois candidatos que, até pouco tempo atrás, faziam parte de uma mesma aliança formada pelo PDT e o PT: Ciro Gomes e Elmano de Freitas. O grupo rachou, alguns nomes mudaram de partido e hoje são adversários. Ciro voltou ao PSDB em 2025 e Elmano segue no PT.

A última pesquisa Quaest, divulgada pelo g1, mostrou que Ciro e Elmano disputam isolados o governo cearense: no cenário estimulado, aquele em que os nomes dos candidatos são apresentados aos eleitores, Ciro apareceu com 43% das intenções de voto, enquanto o atual governador Elmano de Freitas apareceu com 33%. Até 2022, Ciro integrava o grupo político fundado em 2006 pelo irmão, o ex-governador do Ceará e atual senador Cid Gomes.

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A aliança era formada de um lado pelos aliados dos irmãos Ferreira Gomes, que estavam no PDT; e do outro lado pelo PT, capitaneado por Camilo Santana, então governador (e hoje, senador), que ganhou notoriedade política durante a pandemia. Há 4 anos, o grupo rachou em torno da escolha do nome que iria concorrer ao governo estadual. A briga levou ao rompimento dos irmãos

Cid e Ciro, que não se falam desde então. Já nas eleições municipais de 2024, eles apoiaram nomes diferentes para a Prefeitura de Fortaleza. O cenário atual é de Ciro concorrendo a governador, tendo como vice o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União) e dois candidatos ao Senado: Capitão Wagner (União), antigo opositor do grupo, e Alcides Fernandes, deputado estadual do PL- o apoio do PL a Ciro, inclusive, foi um dos motivos da briga entre Michelle e Flávio Bolsonaro, hoje reconciliados.

Já Elmano concorre em uma chapa cuja candidata a vice é a atual vice-prefeita de Fortaleza, Gabriella Aguiar (PSD), e os dois candidatos ao Senado são Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro, e Luizianne Lins (Rede), atualmente deputada federal. A chapa foi costurada com apoio de Lula e é palanque do petista no estado. Ciro e Elmano disputam governo do Ceará em 2026— Leia também: Lula se volta para Donald Trump como aliado improvável, diz Financial Times

Foto: Thiago Gadelha/ SVM Para o cientista político Emanuel Farias, professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), o episódio, mais que um racha, marcou o fim do grupo como foi criado em 2006. "

Esse grupo político não existe mais, ele foi rompido como consequência das eleições de 2022", aponta. “ Uma parte do grupo que está com o Cid apoia a reeleição de Elmano, e a outra parte apoia Ciro Gomes, que enfrenta, que pede votos, na verdade, pedirá votos para dois candidatos [ao Senado] contra o Cid”.

A cisão de 2022 culminou na candidatura de Ciro em 2026, com apoio de ex-adversários e campos de centro e de direita. Do outro lado, está a chapa de Elmano, na qual Cid- irmão de Ciro- é candidato à reeleição como senador. A disputa pelo governo do Ceará entre os dois grupos teve desdobramentos mais recente na Câmara dos Deputados.

Na quinta (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitou o desligamento do deputado federal Mauro Benevides Filho (União Brasil-CE) da função de vice-líder do governo na Casa. Mauro é coordenador-geral do programa de governo de Ciro Gomes. Infográfico- Ciro e Elmano disputam o governo do Ceará— Foto: Arte/ g1

Lados opostos em 2026 Nas eleições deste ano, Ciro Gomes formou uma coligação que, ao todo, reúne sete partidos, que vão do centro à direita. O grupo é composto pela federação PSDB-Cidadania, pela federação União Progressista (União Brasil + PP), pelo Democracia Cristã, pelo Avante e pelo PL. Apesar do apoio do PL e de lideranças bolsonaristas no estado, Ciro já declarou que não apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Mais de noticia

Nas divulgações de campanha, a imagem que prevalece é a de Ciro, sem mostrar outras figuras nacionais. Os candidatos da chapa ao Senado são o ex-deputado federal Capitão Wagner, do União Brasil, e o deputado estadual Alcides Fernandes, do PL. Já o grupo de Elmano é formado pelos partidos PSB, PDT, Podemos, Mobiliza, Republicanos, MDB, Federação Renovação Solidária (dos partidos PRD e Solidariedade), Federação PSOL-Rede e a Federação Brasil da Esperança (PT, PC do B e PV).

Elmano lançou uma campanha baseada no alinhamento com o governo federal e aliança com o presidente Lula (PT), também candidato à reeleição. A figura de Lula aparece constantemente no material de divulgação. Em seus eventos de campanha, costuma aparecer com deputados e prefeitos aliados, como Evandro Leitão (PT), prefeito de Fortaleza.

Os candidatos da chapa ao Senado são Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lind (Rede). Ciro, portanto, tem pedido votos que vão contra o irmão Cid, que concorre à reeleição ao Senado. Em seus eventos de campanha, o tucano tem aparecido sempre acompanhado de deputados oposicionistas e outras conhecidas figuras de oposição no estado. Leia também: eintracht trier x rb leipzig

Os principais motes de campanha de Ciro são a segurança pública e a gestão de saúde, dois setores do governo Elmano que ele critica veementemente. Conforme a Quaest, a segurança é o tema que mais preocupa os cearenses. “

Mudar o Ceará, mudar aquilo que precisa ser mudado com a prioridade necessária, a segurança pública, um novo projeto inteiro”, disse Ciro durante o primeiro ato oficial de campanha, em 16 de agosto, em Fortaleza. “ Revolucionar a gestão da saúde.

Antes de fazer prédio novo, você tem que fazer com que as coisas que estão aí funcionem”. Já a campanha de Elmano tem como mote, até agora, a criação de empregos e a interiorização da saúde. Ele também tem destacado que os indicadores de violência do Ceará em 2026 apresentaram forte redução.

“Nós queremos priorizar segurança pública, saúde, priorizar o trabalho na área de emprego e, evidentemente, aumentar ainda mais a qualidade da educação do povo cearense, para oportunizar o nosso povo, ter uma mão de obra mais qualificada, nossa juventude entrando na universidade”, afirmou em evento no segundo dia de campanha. O cientista político Emanuel Farias afirma que a nacionalização da campanha é um dos movimentos claros do pleito- com Elmano tentando colar Ciro a Bolsonaro, e Ciro tentando se desvincular da imagem de bolsonarista, apesar de estar do lado do PL no Estado. “Esse é o objetivo da chapa governista, apostar na nacionalização.

E isso o Elmano já fez no primeiro debate, mostrar aí que está com o Lula, ao passo que o Ciro estaria com os bolsonaristas. Então, essa será a aposta do governo. Se vai surgir resultado ou não, amanhã a gente tem que esperar a eleição chegar”, avalia o professor Emanuel Farias.

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