
Crédito, Reuters
- Author, Mariana Schreiber e Leandro Prazeres
- Role, Da BBC News Brasil em Brasília
- Há 3 horas
- Tempo de leitura: 6 min
O encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump previsto para quinta-feira (7/4) é visto por aliados como uma oportunidade para o petista mostrar boa relação com o republicano e, assim, tentar neutralizar o discurso de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seria o único candidato presidencial bem conectado com a Casa Branca.
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O governo brasileiro pretende tratar de temas econômicos como Pix, minerais críticos e tarifas comerciais, além de cooperações no combate ao crime organizado.
A viagem, porém, não é livre de riscos para Lula. O tema mais sensível na relação entre os dois governos é a ameaça americana de classificar como grupos terroristas facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
A medida, na visão do Palácio do Planalto, abriria espaço para interferências dos Estados Unidos em território brasileiro, como ocorreu no ano passado com embarcações venezuelanas, bombardeadas sob acusação de estarem transportando drogas, algo que não foi comprovado. Depois desses ataques, o governo americano invadiu a Venezuela e prendeu o presidente Nicolás Maduro em janeiro. Leia também: Apple terá que pagar US$ 250 milhões a usuários de iPhone em processo coletivo por engano sobre IA
A BBC News Brasil apurou que o Planalto também se preocupa com a eventual exploração eleitoral do tema, já que Flávio Bolsonaro, até o momento principal rival de Lula na corrida presidencial, tem defendido a medida como forma de melhorar a segurança pública e criticado a postura contrária do governo.
"Se eu fosse o presidente da República, facções já teriam sido declaradas terroristas e o Brasil estaria assinando o acordo de cooperação para prender esses marginais e libertar o povo", disse em evento de pré-campanha na Paraíba, em 22 de abril.
Para o especialista em relações internacionais Guilherme Casarões, professor da Florida International University, esse é o tema que representa maior vulnerabilidade para o governo Lula na relação com os Estados Unidos.
Hoje, nota Casarões, o Itamaraty trabalha ativamente para estabelecer cooperações com os EUA no combate ao crime organizado, na tentativa de evitar a classificação de facções como grupos terroristas.
Lula abordou esse assunto, por exemplo, no telefonema oficial que teve com Trump em dezembro. Já em 10 de abril, os dois governos anunciaram um acordo entre a Receita Federal e as autoridades de proteção à fronteira americana para intensificar o combate ao tráfico de drogas e armas entre os dois países. Mais de mundo
O combate à lavagem de dinheiro por organizações criminosas brasileiras nos EUA e a entrada de armas ilegais americanas no Brasil são dois temas em que o governo brasileiro tem buscado cooperação com a Casa Branca.
Em entrevista à emissora Globonews na terça-feira (5/5), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) disse que o assunto vai ser tratado no novo encontro entre Lula e Trump.
"Em relação ao crime organizado, esse é um tema que o presidente Lula já levou ao presidente Trump e vai levar novamente, que é um acordo para o combate a organizações criminosas transnacionais. Podemos fazer muita parceria nessa área, controle de fluxo financeiro, investigação", afirmou Alckmin. Leia também: Por que foto com Trump pode ser valiosa para Lula na eleição, segundo analistas
"Isso vale pra tudo: combustível, droga, arma, tudo que envolva esse crime transnacional."
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Crédito, REUTERS/Evelyn Hockstein
Os riscos eleitorais para Lula
O risco, diz o professor Guilherme Casarões, é a campanha de Flávio Bolsonaro usar a resistência à classificação das facções como grupos terroristas para acusar a gestão petista de uma suposta fraqueza ou cumplicidade contra esses grupos criminosos.
"Mesmo que a relação com os Estados Unidos não esteja diretamente implicada no debate eleitoral, ela vai chegar por vias tortas, e isso pode ter um efeito na percepção do eleitor mais ao centro, que ainda não se decidiu por Lula ou Flávio Bolsonaro", diz o professor, em entrevista à BBC News Brasil no fim de abril.
"Então, acho que vai ser algo muito calculado daqui para frente, para que a reação seja uma defesa da soberania nacional, por óbvio, mas que não atrapalhe a relação bilateral como um todo, num momento em que, para o Lula, manter uma boa imagem junto aos Estados Unidos é crucial também."

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