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- Author, Leandro Prazeres
- Role, Enviado especial da BBC News Brasil aos EUA
- Published Há 3 horas
- Tempo de leitura: 7 min
A designação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como entidades terroristas internacionais pelo Departamento de Estado norte-americano, nesta quinta-feira (28/5) marcou a maior derrota do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sua relação com o governo do presidente Donald Trump desde a imposição do tarifaço, em 2025.
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Foi uma batalha que demorou mais de um ano, com idas e vindas de lado a lado e que, neste momento, parece ter sido vencida pelo grupo político agora liderado pelo senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O governo brasileiro era contra a medida. O principal argumento era de que ela poderia colocar em risco a soberania nacional ao abrir espaço para ações militares norte-americanas sob o pretexto de combate ao terrorismo.
Do outro lado, o grupo liderado por Flávio Bolsonaro vinha defendendo publicamente a medida há mais de um ano apontando a posição contrária do governo Lula à designação como uma suposta demonstração de conivência da administração petista com o crime organizado. Leia também: Classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA abre espaço para ação da
A decisão, aliás, veio um dia depois de Flávio Bolsonaro ter encerrado uma viagem para Washington, onde se encontrou com o presidente Donald Trump, o vice-presidente J.D. Vance e com o secretário de Estado, Marco Rubio.
O governo brasileiro nunca havia considerado o assunto totalmente superado dentro da administração Trump dado o que assessores de Lula classificam como imprevisibilidade do presidente norte-americano.
Apesar disso, a BBC News Brasil apurou que a decisão dos EUA pegou de surpresa até mesmo diplomatas que acompanhavam parte das conversas entre os dois países sobre o assunto.
Durante sua passagem pelos Estados Unidos, Flávio disse ter defendido, para toda a equipe de Trump, que o país tomasse a medida contra as organizações criminosas brasileiras.
Antes da viagem de Flávio, interlocutores do presidente Lula afirmavam, em caráter reservado, que o governo interpretaria um anúncio da administração Trump considerado negativo como uma possível ingerência no processo eleitoral do Brasil e que o governo responderia a exemplo do que aconteceu durante o tarifaço em 2025. Mais de mundo

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Resposta brasileira
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A BBC News Brasil apurou que o governo brasileiro pretende modular a resposta à medida adotada pelos EUA para evitar um desgaste ainda maior junto ao público interno a poucos meses das eleições.
A resposta oficial do governo só deverá sair a partir de amanhã, após reuniões internas.
As reuniões vão incluir integrantes do Ministério das Relações Exteriores e da Presidência e há possibilidade de que outras pastas façam parte do debate, como a da Fazenda.
Na resposta, o governo deverá defender medidas adotadas recentemente contra o crime organizado e afirmar que o país estaria aberto a cooperação internacional no combate às facções.
Um integrante do governo ouvido pela BBC News Brasil em caráter reservado afirmou que o governo reconhece que a decisão dos EUA foi resultado da ação da ala bolsonarista com acesso ao governo norte-americano.

Cronologia da derrota
Maio de 2025
Julho de 2025
Março de 2026
Maio de 2026
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