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- Author, Atahualpa Amerise
- Role, BBC News Mundo
- Há 58 minutos
- Tempo de leitura: 10 min
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, promoveu uma mudança histórica na política de defesa do Japão.
Ela acaba de flexibilizar as restrições à exportação de armas japonesas. A medida representa uma ruptura em relação às décadas de pacifismo do país, que se seguiram à Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Agora, o Japão poderá vender armamento letal em cinco categorias (resgate, transporte, alerta, vigilância e retirada de minas) para países com quem a nação asiática mantém acordos de defesa.
A primeira-ministra atribui a mudança à deterioração da segurança regional, em um ambiente de tensões com a China, Rússia e Coreia do Norte.
A China protestou veementemente contra a medida, acusando o Japão de abandonar o pacifismo e avançar rumo a uma "militarização imprudente". Leia também: A vítima de voyerismo filmada na própria casa para vídeos sexuais: 'Não consigo mais dormir'
Desde sua chegada ao poder, em outubro de 2025, Takaichi vem adotando uma postura mais firme em relação a Pequim.
Ela apoiou publicamente a possibilidade de reagir com as forças de autodefesa do país frente a um eventual ataque chinês a Taiwan e reforçou a cooperação militar com os Estados Unidos e os aliados regionais do Japão.
Estas medidas geraram um dos episódios de maior tensão com a China dos últimos anos, aprofundando as mudanças iniciadas no governo do primeiro-ministro conservador Shinzo Abe (2012-2020). Na ocasião, o Japão começou a reinterpretar sua Constituição pacifista para ampliar o papel militar do país no exterior.
Abe foi assassinado em 2022, aos 68 anos. Ele foi mentor e referência política de Sanae Takaichi.
Fã declarada de heavy metal, ex-baterista e admiradora da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher (1925-2013), a governante de 65 anos vem se afastando dos padrões tradicionais da liderança japonesa. Mais de mundo

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'A mulher mais poderosa do mundo'
Takaichi se tornou primeira-ministra no ano passado. Ela venceu a corrida pela liderança do Partido Liberal Democrata (PLD), governista. Leia também: 'Nunca imaginei que acabaria na África': o limbo dos latinoamericanos deportados pelos EUA para o Congo
No sistema japonês, a Dieta Nacional (o Parlamento do país) é quem elege o chefe de governo, mas o líder do partido majoritário costuma ocupar o cargo.
Meses depois, em fevereiro de 2006, Takaichi consolidou sua posição ao se impor nas eleições antecipadas, sendo novamente confirmada como chefe de governo pelos legisladores.
Foi naquela ocasião que a prestigiosa revista britânica The Economist a descreveu como "a mulher mais poderosa do mundo".
Adepta da ala mais conservadora do PLD, Takaichi é conhecida pelas suas posições conservadoras em temas como imigração, segurança nacional, valores tradicionais e políticas de gênero.
Ela chegou ao poder em um momento complexo para o Japão. A economia do país está paralisada, sua taxa de natalidade atinge mínimos históricos e o ambiente geopolítico no Extremo Oriente é cada vez mais tenso.

Do heavy metal para a política


Carreira política
Conservadora em questões sociais

Sua consolidação política

Sua visão internacional

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