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Como as megaprisões de Bukele se transformaram em modelo para a direita radical

Como as megaprisões de Bukele se transformaram em modelo para a direita radical Crédito, Getty Images Article Information Author, Norberto Paredes Role, BBC News Mundo

Como as megaprisões de Bukele se transformaram em modelo para a direita radical
Como as megaprisões de Bukele se transformaram em modelo para a direita radical
Preso no Cecot, em El Salvador

Crédito, Getty Images

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    • Author, Norberto Paredes
    • Role, BBC News Mundo
  • Published Há 2 horas
  • Tempo de leitura: 8 min

Nas últimas campanhas eleitorais ocorridas na América Latina, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, com sua política de pulso forte contra o crime (incluindo suas polêmicas megaprisões) passou a ser referência recorrente no debate político.

Leia no AINotícia: Mundo em foco: panorama

Durante a campanha, De la Espriella prometeu construir sete megaprisões inspiradas no modelo salvadorenho.

No vizinho Peru, a candidata à presidência e virtual vencedora Keiko Fujimori também incluiu a mesma ideia no centro da sua proposta de segurança.

A líder da direita garantiu que, se chegar ao poder, impulsionará a construção de quatro penitenciárias e uma megaprisão para réus de alta periculosidade, "como o Cecot, em El Salvador". É uma referência ao Centro de Confinamento do Terrorismo do país centro-americano, que recebeu inúmeras denúncias de abusos de direitos humanos. Leia também: 'Eu estava lá! Vi a mão de Deus e o gol do século de Maradona na Copa vencida

A atração pelas megaprisões de Bukele não se limita à América Latina. Seu modelo também começou a reverberar entre a direita radical europeia.

Na semana passada, o presidente do partido francês de extrema direita Reagrupamento Nacional, Jordan Bardella, fez referência ao sistema penitenciário salvadorenho ao abordar o problema da superlotação das penitenciárias da França.

"Em um país de 6 milhões de habitantes, Bukele construiu 40 mil vagas carcerárias em oito meses", afirmou Bardella, em entrevista à rede francesa BFMTV.

Este enfoque parece atraente para alguns líderes políticos. Mas seus críticos alertam que ele costuma ser apresentado sem fazer menção às denúncias de violações de direitos humanos, documentadas no âmbito destas políticas.

"É preciso tomar cuidado quando se fala em 'modelo Bukele' porque, na verdade, não se trata de um modelo", declarou à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC), a pesquisadora Sonja Wolf, da Faculdade de Governo e Economia da Universidade Panamericana da Cidade do México. "Mas convém a Bukele que ele receba este nome e se propague para outros países."

Wolf é a autora do livro Mano Dura ("Mão forte", em tradução livre), que examina a política de controle das gangues de El Salvador. Leia também: O Irã é a seleção mais azarada da Copa do Mundo?

"Muitos não entendem o regime político que Bukele vem consolidando", explica ela.

"É o que se pode descrever como autocracia eleitoral, onde, para se manter no poder, é preciso demonstrar que ele conta com o apoio do 'povo'."

Neste sentido, o regime de exceção, que vem permitindo detenções em massa, cumpre com uma dupla função: combater a criminalidade e reforçar sua legitimidade política.

Supostos criminosos em audiência virtual durante um julgamento coletivo contra membros da gangue 'Mara Salvatrucha' (MS-13), realizado no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot) no município de Tecoluca, São Vicente, El Salvador, no dia 23 de abril de 2026

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Supostos criminosos participam de audiência virtual durante um julgamento coletivo contra membros da gangue 'Mara Salvatrucha' (MS-13)

"Além das eleições, é fundamental para Bukele manter altos níveis de popularidade", prossegue a pesquisadora.

Nayib Bukele e sua esposa
Legenda da foto, Em fevereiro de 2024, Nayib Bukele foi reeleito presidente de El Salvador com mais de 80% dos votos. Ele destacou os resultados obtidos pelo seu governo no quesito segurança.

O porquê da atração para a direita radical

Criminoso ouve uma audiência virtual durante um julgamento coletivo contra membros da gangue Mara Salvatrucha (MS-13), realizado no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot) no município de Tecoluca, São Vicente, El Salvador, no dia 23 de abril de 2026
Legenda da foto, Da Colômbia até a França, o modelo de segurança de Nayib Bukele ganhou espaço no debate político. Mas organizações de direitos humanos alertam sobre os riscos de reproduzir as políticas do presidente salvadorenho
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Em outros países

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Legenda da foto, O presidente do Equador, Daniel Noboa, em um discurso durante a colocação da pedra fundamental de uma prisão de segurança máxima para 800 detentos em Santa Elena, no litoral do país, no dia 21 de junho de 2024
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