
Crédito, Isna
- Author, Saeid Jafari
- Role, Analista Político
- Published Há 28 minutos
- Tempo de leitura: 8 min
"Vocês precisam entender que esse regime odiado [Israel] caminha para o colapso e, pela graça de Deus, irá cair. Nada será capaz de salvá-lo. Esse regime chegou ao fim e em breve desaparecerá do mapa."
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Durante anos, declarações como essa fizeram do ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad (2005-2013) um dos principais símbolos do discurso anti-Israel no mundo. Ele questionou o Holocausto, chamou Israel de "regime fabricado" e defendeu o avanço do programa nuclear iraniano apesar das sanções, posições frequentemente usadas por autoridades israelenses para sustentar a ideia de que o Irã representava uma ameaça real.
Ainda assim, o jornal americano The New York Times informou que, nos "planos para o pós-guerra", Estados Unidos e Israel chegaram a considerar a possibilidade de Ahmadinejad romper com o aparato de segurança iraniano e se apresentar como um possível futuro líder do país.
Mas, segundo o jornal, a iniciativa teria fracassado porque um ataque destinado a libertar Ahmadinejad da prisão domiciliar, no início da guerra, acabou deixando o ex-presidente ferido. Leia também: O que acontece se Trump declarar PCC e CV terroristas, como quer Flávio
Ahmadinejad e seus aliados não comentaram as alegações, e seu paradeiro segue desconhecido.
A reportagem foi recebida com ceticismo por muitos analistas americanos e israelenses, que questionam por que os dois países cogitariam se aproximar de alguém associado durante tantos anos a um discurso extremista anti-Israel.
A aparente contradição também reacendeu dúvidas sobre se a figura pública de Ahmadinejad sempre escondeu mais complexidade do que aparentava.

Crédito, Getty Images
Um inimigo útil para Israel?
Para entender a sensibilidade dessa questão, é preciso voltar aos anos em que Ahmadinejad começou a ascender na política iraniana. Em 2003, ele foi eleito prefeito de Teerã, capital do Irã, embora ainda fosse uma figura pouco conhecida no cenário nacional. Dois anos depois, em 2005, assumiu a presidência com o aparente apoio do então líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Mais de mundo
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Na campanha presidencial, Ahmadinejad apostou em discursos sobre justiça social, simplicidade e combate à corrupção. Mas ganhou projeção internacional não por suas políticas internas, e sim pelas declarações sobre Israel, os EUA e o Holocausto. Leia também: Netanyahu afirma que ordenou ao Exército israelense ocupar 70% da Faixa de Gaza
Em outubro de 2005, durante a conferência intitulada "O mundo sem o sionismo", realizada em Teerã, Ahmadinejad declarou que "um mundo sem a América e o sionismo é possível".
Cerca de um ano depois, a capital iraniana sediou a controversa Conferência Internacional de Revisão da Visão Global do Holocausto, encontro que reuniu conhecidos negacionistas do Holocausto e provocou forte reação internacional.
Anos mais tarde, autoridades e analistas israelenses passaram a dizer publicamente que Ahmadinejad, com sua retórica agressiva e as declarações negacionistas sobre o Holocausto, acabou beneficiando Israel politicamente.
Em 2008, Efraim Halevy, ex-chefe do Mossad, a agência de inteligência israelense, chamou Ahmadinejad de "o maior presente do Irã para Israel" e afirmou que suas declarações ajudavam a reforçar, diante do mundo, a percepção de que o Irã representava uma ameaça real.
Os apoiadores de Ahmadinejad rejeitam essa leitura e afirmam que ele apenas adotou uma política agressiva e ideológica de enfrentamento a Israel e ao Ocidente.
Mudança de imagem após deixar o poder

Ceticismo entre especialistas americanos

A reação dentro de Israel

Quem é Ahmadinejad afinal?
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