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Ler matéria →Como a rainha das ratas-toupeiras impede que outras fêmeas engravidem

Crédito, Felix Petermann, Max Delbrück Center
- Author, Daisy Stephens
- Role, Serviço Mundial da BBC
- Published 3 agosto 2026Atualizado Há 4 horas
- Tempo de leitura: 6 min
Um perfume que provoca infertilidade temporária nas fêmeas parece a base de uma ficção distópica.
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Mas, segundo um novo estudo, esse é justamente o método que as ratas-toupeiras-peladas (também conhecidas como ratas-toupeiras-peladas-africanas ou ratos-pelados) usam para garantir que apenas a rainha possa ter filhotes.
Os cientistas sabem desde a década de 1980 que as ratas-toupeiras-peladas, um mamífero originário da África, são eussociais (termo usado para descrever o mais alto nível de organização social observado em alguns animais).
Isso significa que vivem em colônias altamente organizadas, formadas por operárias e uma única rainha no topo. A rainha é a única fêmea da colônia que se reproduz, enquanto os demais membros, tanto machos quanto fêmeas, cuidam dos filhotes. Leia também: Por que Milei resolveu dobrar a aposta e atacar Lula de novo?
"Sabíamos que a presença da rainha é importante em sua colônia para manter a ordem, mas também para que as demais fêmeas permaneçam com a capacidade reprodutiva reprimida", afirma Mohammed Khallaf, do Centro Max Delbrück de Medicina Molecular, na Alemanha, e principal autor do novo estudo.
Mas, segundo ele, ainda não se sabia exatamente como isso acontecia.

Crédito, Tennessee Witney via Getty Images
"Uma teoria era a de que a rainha simplesmente intimidava os demais animais, empurrando-os fisicamente para suprimir sua capacidade reprodutiva", disse o coautor, o professor Gary Lewin, também do Centro Max Delbrück de Medicina Molecular, que estuda ratas-toupeiras-peladas há 15 anos.
Mas então surgiu Khallaf, cuja pesquisa anterior era voltada para o olfato dos insetos. Mais de mundo
"Na primeira vez que Gary me levou para ver as ratas-toupeiras-peladas, percebi que elas farejavam muito. Comecei a me perguntar se isso poderia ser a chave para sua eusocialidade", diz.
"O estudo tinha como objetivo inicial identificar os perfis químicos das ratas-toupeiras-peladas e verificar se o olfato era importante ou não", afirma.
"Mas então chegamos a um ponto de inflexão, quando descobrimos que uma substância química estava presente em maior concentração na rainha. A partir daí, a história começou." Leia também: Os fósseis brasileiros em Oxford que voltarão ao país para recompor acervo
'Um superanticoncepcional'
O composto químico em questão é chamado de miristato de isopropila. Ele é produzido pela rainha e está praticamente ausente nos indivíduos que não se reproduzem.
Khallaf conduziu um estudo para determinar se o odor dessa substância faria com que as ratas-toupeiras-peladas se comportassem de maneira diferente e descobriu que as fêmeas maiores evitavam o aroma.
"Foi o primeiro sinal de que essa molécula parece ser importante para as ratas-toupeiras-peladas", diz Lewin.
Em seguida, eles usaram um tipo de exame chamado ultrassonografia funcional para observar como o odor da substância química afeta o cérebro das ratas-toupeiras-peladas.

Crédito, Felix Petermann/Max Delbrück Center

'Resultado reprodutivo'


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