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Crédito, Getty Images
- Author, Diego Arguedas Ortiz
- Role, Da BBC Future
- Published Há 51 minutos
- Tempo de leitura: 10 min
Nos meses antes do nascimento do meu filho, minha parceira e eu participamos de um workshop sobre parto ativo, de uma sessão sobre amamentação e do curso pré-natal oferecido pelo hospital, lemos uma pilha de livros sobre gravidez e bebês e navegamos por inúmeros sites. Nossos blocos de notas rapidamente ficaram cheios.
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Entre minhas anotações daquela época estão detalhes das muitas formas como o corpo das mulheres se prepara para o parto e a maternidade: os hormônios aumentam e diminuem, os órgãos mudam de posição, o cérebro se remodela.
Ninguém, porém, me disse que meu cérebro e meu corpo também estavam se preparando para a paternidade.
Meu filho tinha mais de um ano quando me deparei pela primeira vez com essa ideia em Father Time, um livro da antropóloga Sarah Blaffer Hrdy no qual ela argumenta que os homens possuem toda a estrutura biológica necessária para serem "tão protetores e cuidadosos quanto a mãe mais dedicada". Leia também: Análise: Trump enfrenta duras realidades expostas por seus próprios aliados
Isso despertou minha curiosidade. Sou um defensor convicto da paternidade ativa (em que homens têm grande participação na rotina de criar os filhos), mas imaginava que isso fosse uma decisão cultural da minha geração de homens. O livro de Hrdy, no entanto, me apresentou a todo um campo acadêmico que afirma que nossa abordagem tem raízes na biologia, apenas adormecidas e à espera de serem ativadas.
Depois de entrevistar Hrdy e outros especialistas e analisar os estudos, cheguei a uma conclusão simples: a paternidade muda os homens de formas que refletem a maneira como a maternidade transforma as mulheres. Quanto mais envolvido um pai estiver nos cuidados com seu bebê, mais profunda se torna essa transição.
Essas mudanças em nosso sistema endócrino e neural mostram que o pai cuidador não é uma aberração moderna, mas uma característica biológica profundamente enraizada.
Queda da testosterona
As primeiras pesquisas sobre como os pais são fisicamente transformados pelos bebês surgiram a partir de observações de outros animais. Esses estudos do final do século 20 descobriram que muitos machos de mamíferos, incluindo outros primatas, apresentam alterações hormonais claras, incluindo aumentos e quedas em hormônios como testosterona, vasopressina e prolactina, normalmente associados à maternidade, à medida que passam a se envolver ativamente nos cuidados parentais.
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Quando o antropólogo americano Lee Gettler, então estudante universitário, ouviu falar dessas descobertas no início dos anos 2000, ficou fascinado.
"Perguntei [ao meu professor] se alguém estava estudando essas questões em pais humanos, e a resposta naquela época era, em grande parte, não", diz Gettler, hoje diretor do Laboratório de Hormônios, Saúde e Comportamento Humano da Universidade de Notre Dame, em Indiana, nos Estados Unidos. Leia também: Os Estados americanos que tentam barrar tarifas de Trump contra Brasil e outros
O primeiro estudo a demonstrar alterações hormonais em homens acabara de ser publicado, em 2000, por duas pesquisadoras canadenses, Katherine Wynne-Edwards e Anne Storey. Quando Gettler começou a investigar essa área, já era um fato estabelecido que os pais tinham níveis mais baixos de testosterona do que homens sem filhos.
"Mas aí existe o problema do ovo e da galinha, certo?", explicou Gettler. "Homens com baixos níveis de testosterona têm mais probabilidade de se tornar pais? Ou é a transição para a paternidade que leva a essa cascata de mudanças biológicas nos homens?"
Para responder a essa questão e a outras, Gettler se uniu aos cientistas que coordenavam um projeto de décadas na cidade de Cebu, nas Filipinas.
Em 2005, essa equipe coletou amostras de saliva de 624 homens, com idade média de 21 anos e sem parceiras, e analisou seus níveis de testosterona. Quatro anos depois, voltou a testá-los. Eles queriam responder a duas perguntas: os homens que se tornaram pais nesse intervalo teriam níveis mais baixos de testosterona? E esses níveis seriam ainda mais baixos nos pais que passavam mais horas cuidando dos filhos?
Quando os resultados chegaram, a resposta para ambas as perguntas foi "sim". Os homens que tiveram bebês apresentaram níveis significativamente mais baixos de testosterona em comparação com os que não se tornaram pais. E os homens que passaram mais tempo cuidando dos bebês apresentaram as maiores quedas de testosterona. Aqueles que dividiam a cama com seus filhos pequenos também tinham níveis mais baixos.

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- Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).
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