
Crédito, P Sainath/PARI
- Author, Muralitharan Kasiviswanathan
- Role, BBC News Tâmil
- Há 3 horas
- Tempo de leitura: 7 min
"A Índia se tornou um país independente em 1947, mas eu só ganhei minha independência em 1992", conta Jayachithra, de 55 anos. Ela trabalha como diretora de uma escola estatal no sul da Índia.
Sua vida mudou há 33 anos, quando uma autoridade distrital fez uma alteração pequena, mas radical, da Missão Nacional de Alfabetização que se espalhava pelo país. Ela incentivou as mulheres a aprender a andar de bicicleta.
Jayachithra foi uma das 100 mil mulheres de famílias rurais e conservadoras que ganharam mobilidade, independência e liberdade pedalando pelas ruas.
Muitas daquelas mulheres raramente se aventuravam a sair de casa naquela época. E algumas das que aprenderam a andar de bicicleta no início dos anos 1990 viriam a trabalhar em escritórios, recebendo altos salários.
A medida acabou mudando o futuro delas e das suas filhas e netas. Leia também: Líbano acusa Israel de crime de guerra por ataque que matou jornalista

Crédito, Arivoli Iyakkam
Caminho pioneiro
Em 1988, a Índia criou sua Missão Nacional pela Alfabetização, para promover a leitura, a matemática e a consciência sobre os direitos fundamentais.
O distrito de Pudukkottai fica no extremo sul da Índia, no Estado de Tamil Nadu. Ali, este programa ficou conhecido como o "Movimento da Iluminação".
Menos da metade das mulheres do distrito sabiam ler e escrever, segundo o censo de 1991. Eram cerca de 270 mil mulheres não alfabetizadas em Pudukkottai.
"Durante as discussões sobre a missão da alfabetização, ficou evidente que as mulheres seriam as principais beneficiárias", relembra Kannammal, coordenador do Movimento da Iluminação, que estava presente na oportunidade. Mais de mundo
A campanha calculou que seriam necessários 30 mil voluntários para lecionar para aquelas mulheres. Era um desafio logístico, que levaria à criação do programa das bicicletas.

Crédito, Arivoli Iyakkam Leia também: Quem foi São Jorge, padroeiro do Rio de Janeiro e da Inglaterra
O problema era que as famílias das mulheres não alfabetizadas esperavam receber professoras mulheres, mas muito poucas tinham seu próprio meio de transporte.
"Naquela época, as mulheres não tinham acesso a bicicletas ou motocicletas", conta ao serviço em língua tâmil da BBC a então servidora civil sênior do distrito, Sheela Rani Chunkath.
"Elas não conseguiam viajar de forma independente. Achei importante criar esta oportunidade", conta Chunkath. "As bicicletas deram às mulheres uma sensação de liberdade e autoconfiança."
"Algumas autoridades eram contra o recrutamento de mulheres voluntárias", relembra Kannammal.
"Eles diziam que as mulheres não poderiam ir às aldeias remotas, mas a coletora do distrito [Chunkath] rejeitou seus argumentos."
Histórias de sucesso


Legado duradouro


Leia também no AINotícia
- Líbano acusa Israel de crime de guerra por ataque que matou jornalistaMundo · agora
- Quem foi São Jorge, padroeiro do Rio de Janeiro e da InglaterraMundo · 4h atrás
- Como polícia desmascarou assassino brasileiro que ficou foragido no Paraguai por décadasMundo · 4h atrás
- 'Família Bolsonaro não deve se meter mais nas eleições do Rio, porque só apresentam ladrão', diz deputado ex-bolsonarista Otoni de PaulaMundo · 4h atrás