← Política
Política

Com novo tarifaço de Trump e déficit fiscal crescente, Brasil chega à eleição

‘Seguiremos protegendo o PIX’, diz Durigan após tarifa dos EUA Poucos analistas têm acompanhado a ascensão e queda das nações com a profundidade de Ruchir Sharma

Com novo tarifaço de Trump e déficit fiscal crescente, Brasil chega à eleição

‘Seguiremos protegendo o PIX’, diz Durigan após tarifa dos EUA

Poucos analistas têm acompanhado a ascensão e queda das nações com a profundidade de Ruchir Sharma. Estrategista global, gestor de recursos e estudioso dos ciclos econômicos que definem o destino dos países, ele é chairman da Rockefeller International, fundador da Breakout Capital e colunista do Financial Times.

Leia no AINotícia: Política: O que movimentou o cenário após tarifaço dos EUA e campanha eleitoral

Autor de obras como Breakout Nations e What Went Wrong With Capitalism, Sharma combina análise macroeconômica com observação direta de campo em países emergentes— uma metodologia construída ao longo de três décadas.

  • 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1

Sua tese central sobre a América Latina parte de um dado que ele considera inconveniente, mas inegável: historicamente, investidores obtêm retornos muito maiores sob governos de direita na região. Leia também: Presidente da Câmara de Vitória xinga em microfone aberto após sessão

É essa dinâmica que explica, em grande parte, o bom desempenho dos mercados latino-americanos nos últimos anos. E é por isso que o Brasil, para Sharma, é a grande incógnita de 2026— talvez a eleição mais importante do ano no mundo inteiro.

O cenário ficou ainda mais carregado com a decisão do governo de Donald Trump de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Se a medida entrar em vigor no dia 22 de julho, o Brasil se tornará o segundo país mais taxado pelos Estados Unidos no planeta, atrás apenas da China.

Para Sharma, o impacto direto da medida é mais limitado do que o número sugere, mas seus efeitos sobre o investimento estrangeiro e, sobretudo, sobre o tabuleiro eleitoral de outubro, são mais complexos de calcular.

Em entrevista à BBC News Brasil, ele fala sobre o que essa decisão significa para a corrida presidencial, o risco fiscal sob Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL), a fragilidade estrutural da China, a bolha de inteligência artificial e o impacto das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia sobre a economia global.

BBC News Brasil– O governo americano anunciou uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, tornando o Brasil o segundo país mais taxado pelos EUA no mundo. Qual o impacto real dessa decisão? Mais de politica

Sharma– A tarifa de 25% incide sobre produtos que somam cerca de US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras. Mas, consideradas as isenções— pela Seção 232 e outras —, o impacto efetivo é mais estreito do que o número sugere. Em termos diretos, o efeito é limitado.

O risco maior é de segunda ordem: o impacto sobre o investimento estrangeiro direto e o fato de que esta é a segunda tentativa de Trump de usar tarifas como alavancagem sobre o Brasil em 13 meses. Isso sinaliza que a relação está estruturalmente contestada por este governo americano, não se trata de uma disputa isolada.

BBC News Brasil– E eleitoralmente? Essa decisão pode mudar o cálculo da corrida presidencial de outubro? Leia também: Lula nomeia Rubio como adversário e consagra estratégia eleitoral contra Flávio

Sharma– A narrativa de soberania e nacionalismo de Lula pode funcionar a seu favor, algo semelhante ao que aconteceu no México. Mas seus índices de aprovação estão pressionados por causa do custo de vida e do crescimento fraco. Se a economia não reagir, essa vantagem pode não se sustentar.

O governo Lula já sinalizou que não vê caminho para negociação antes de outubro. Uma vitória de Flávio Bolsonaro criaria pressão para concessões rápidas em regulação digital e plataformas de tecnologia em troca da retirada das tarifas— o que tem seu próprio custo político doméstico.

No curto prazo, a leitura política favorece a narrativa de soberania de Lula. Mas a pressão econômica de médio prazo para negociar com Washington independe de quem vença— isso muda mais a postura negociadora do próximo governo do que define quem chega à Presidência em outubro.

BBC News Brasil– O senhor disse no início do ano que a eleição brasileira poderia ser a mais importante do mundo em 2026. Com o pleito a três meses, como o senhor situa esse evento no contexto global?

Sharma– Os investidores têm olhado para a América Latina com interesse crescente no último ano, mesmo que a região não seja vista como uma potência de inteligência artificial. Um grande motivo é o número crescente de governos de direita chegando ao poder. Independentemente de preferências políticas, o fato é que historicamente os investidores obtêm retornos maiores quando governos de direita assumem na América Latina.

Presidente da Câmara de Vitória xinga em microfone aberto após sessão
Politica

Presidente da Câmara de Vitória xinga em microfone aberto após sessão

Ler matéria →

Leia também