Comédia, terror, ação e ficção científica, tudo num mesmo filme. Longas como "Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra" misturam gêneros e têm se tornado cada vez mais comuns. Lançada nesta quinta (23), a produção de Gore Verbinski faz essa mescla ao retratar um mundo distópico, onde azarões se unem para destruir uma inteligência artificial.
Consagrado por três " Piratas do Caribe" — franquia estrelada por Johnny Deep que adaptou os marinheiros históricos aos blockbusters—, o cineasta conquistou o Oscar com a animação "
Rango ", refez o faroeste "
O Cavaleiro Solitário" e explorou uma clínica assombrada em " A Cura". Uma década após último, ele critica tecnologias generativas, que embaralham informações online, ao reunir traços da própria filmografia.
" Filmes com atmosferas dramáticas variadas e que unem pontos de vista diferentes devem aparecer mais e mais", afirma Verbinski, que divide o seu novo projeto em capítulos. Cada segmento acompanha um dos candidatos a prevenir o fim do mundo, e a trama se ajusta entre estudantes zumbis, famílias robôs e uma princesa de festas infantis, entre outras participações bizarras.
Antes dessa estreia, "Casamento Sangrento: A Viúva" e " Eles Vão Te Matar" chegaram ao Brasil no mesmo mês. Os dois longas seguem mulheres que acabam na mira de seitas satânicas. Leia também: Mercadão de SP recebe competição de baristas no fim de semana
No processo, distribuem tiros e socos e fazem muitas piadas. O resultado é parecido com " A Noiva!
", que transforma a monstra da Universal em feminista punk rock. Em tela, a personagem mergulha numa jornada irreverente, com direito a perseguições como as de "Bonnie e Clyde" e um aceno aos musicais, entre outras safras clássicas. Daí surgem filmes frenéticos, com novas informações a cada minuto.
É um modo de manter espectadores engajados, numa era de concentração rarefeita. O crítico de cinema da Folha Sérgio Alpendre compara a estratégia com a evolução dos cinemas no período em que as televisões se popularizaram.
" Naquela época, o cinema inventou telas maiores e sistemas de som mais potentes para atrair o público. Agora que a concorrência vem de vídeos com 15 segundos de duração, uma alternativa é oferecer esses muitos estímulos em um filme só", afirma.
Para competir com plataformas de streaming e redes sociais, produções que oferecem uma refeição completa se tornam uma boa pedida. "Me parece uma nova onda, a do ‘tudo junto’", adiciona Alpendre. " O público quer tudo em um lugar só, e o cinema reflete isso. Mais de entretenimento
" Não significa que os filmes híbridos sejam inéditos. Há quem diga que esses longas nada mais são do que emaranhados de clichês usados há décadas no audiovisual.
Pense em cenas recorrentes em gêneros específicos, como beijos apaixonados em filmes românticos, criaturas sobrenaturais em longas aterrorizantes ou cavaleiros mágicos em produções fantasiosas. Exemplos conhecidos são os filmes da Amblin, produtora fundada em 1980 por Steven Spielberg. Entre alienígenas que caíam na Terra, fantasmas aprisionados em monitores antigos e crianças à procura de tesouros perdidos, longas como " Leia também: Ex-ator mirim Fabiano Thomas Vannucci morre aos 53 anos, e famosos lamentam a perda: 'Dias bem tristes'
E.T.: O Extraterrestre", "Poltergeist" e " Os Goonies" se aproximam por explorar o desconhecido em meio a dramas pessoais, com pitadas de aventura.
Eles são frutos, também, da geração conhecida como nova Hollywood, que buscou renovar o cinema americano e as suas fórmulas já gastas. A receita lembra o que acontecia, recentemente, na série "Stranger Things", tida por muitos como apanhado dessas tradições. Naquela década, também explodiram sagas como "
A Hora do Pesadelo" e " A Morte do Demônio", produções baratas e que provocavam, igualmente, sustos e risadas. Muito antes disso, diretores como Buster Keaton já apostavam em pastiches.
Em " Bancando o Águia", de 1924, a investigação de um detetive atrapalhado gera situações hilárias, lembra a pesquisadora e crítica Maria Caú. "‘
Casablanca’ é um filme de guerra ou um romance? ", questiona ela ao falar sobre o sistema de classificação que Hollywood tenta modernizar. Os envolvidos precisam ser bons em tudo.
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