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Ler matéria →A última mesa deste sábado (25) da Casa Folha na Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, reuniu a médica Ana Claudia Quintana Arantes e a roteirista Camila Appel para falar sobre a morte. O casarão que recebeu o encontro estava lotado de interessados pelo tema, algo que não é trivial. Por muito tempo, o fim da vida foi tratado como um assunto a ser evitado, algo que devia ser mantido em silêncio.
A julgar pelo interesse do público, esse cenário já não é mais o mesmo. Criadora do blog Morte Sem Tabu,
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na Folha, Appel considera que houve uma evolução substancial no modo como esse assunto é tratado. Há mais de uma década, quando começou a pesquisar sobre o fim da vida, ela lidou com a falta de apoio das pessoas. "Comentavam: ‘
Nossa, mas eu achava que você tinha tanto potencial.
Você vai perder tempo com uma coisa que por definição acabou, que é a morte. ’ Eu falava que não estava perdendo tempo, mas sim ganhando tempo. " Leia também: Afiada, Zadie Smith atende às altas expectativas em torno de sua estreia na Flip
Como parte dessa pesquisa, ela visitou um necrotério para testemunhar uma autópsia. A escritora diz que essa experiência foi útil para ela enfrentar os próprios preconceitos sobre a finitude. "
O que me chamou a atenção foi justamente perceber que aquilo não está destoado do que a gente vive, mas faz parte do que a gente vive. " Após presenciar o procedimento, Appel descreveu a necrópsia em "
Enquanto Você Está Aqui", livro em que ela relata a sua investigação sobre a morte e discorre a respeito da velhice de sua mãe. " Então, quando você lê, realmente parece muito pesado, mas entrar em contato com essa concretude da morte me ajudou muito a lidar com o meu próprio tabu, com o meu próprio constrangimento.
" A escritora afirmou que tinha dificuldade em encarar a perspectiva da morte de sua mãe, a dramaturga Leilah Assumpção. Atualmente, ela está debilitada após ter sofrido um AVC.
" Eu decidi investigar a morte porque claramente tinha e, ainda tenho, muita dificuldade de falar e de lidar. " Mais de entretenimento
Para a roteirista, os estigmas em torno desse assunto provocam uma série de problemas, algo que ela sentiu na prática. No livro, Appel relata um episódio traumático durante a internação de seu sogro em razão de uma doença grave. Quando chegou ao hospital com o marido, eles encontraram o paciente com os punhos amarrados.
" Eu não acreditei quando me vi nessa situação. Acho que a palavra que eu uso é violência.
Eu me senti muito violentada. " Ao questionar o médico, o profissional afirmou que o sogro de Appel estava amarrado para garantir a comodidade dele, resposta que deixou a escritora incrédula. Leia também: Poeta Ana Paula Tavares cutuca as feridas históricas de Angola durante a Flip
Após perceber que o sogro estava morrendo e que não havia nada a ser feito, o casal decidiu que cuidados paliativos seriam o melhor caminho. O médico, porém, considerou que os dois estavam matando o paciente. "
Foi muito violenta essa discussão, e a falta de preparo desse médico de conseguir conversar com a gente, de entender que realmente era uma pessoa, era uma vida que estava no final, os órgãos estavam parando de funcionar. " Médica especializada em cuidados paliativos, Ana Claudia Quintana Arantes afirmou que ouviu colegas de profissão dizerem que ninguém morreria durante o plantão deles. "
Secretamente, eu dizia que ninguém sofreria durante os meus. " Com isso em mente, ela escreveu livros como "
A Morte é Um Dia que Vale a Pena Viver", " Cuidar Até o Fim" e "
Histórias Lindas de Morrer". São livros que lançam um novo olhar sobre o fim da vida, buscando desmistificar esse tema. "
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