Em discurso marcado por referências a Jair, Flávio Bolsonaro agradece
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Ana Luiza Albuquerque
Carolina Linhares
São Paulo
O PL oficializou a escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o filho 01 de Jair Bolsonaro (PL), como candidato à Presidência da República em uma convenção verde-amarela no Pacaembu, em São Paulo, neste sábado (25).
O discurso de Flávio foi em grande parte dedicado a menções ao pai, com referências a si próprio como "o filho mais velho do capitão".
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No telão, foi transmitida uma reprodução de inteligência artificial do ex-presidente, com um recado de apoio ao filho. "Peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio", disse o Bolsonaro de conteúdo sintético.
O senador chorou ao começar a falar do ex-presidente, ao mesmo tempo que a produção do evento colocou uma música triste para tocar.
Flávio disse que o pai é perseguido, injustiçado e vítima "da maior farsa" da história do país. "Faço questão de dizer a cada um de vocês que sei exatamente o tamanho da responsabilidade que meu nome carrega, o filho mais velho do capitão, o homem que defendeu a liberdade com a própria vida." Leia também: Governo americano nega intenção de 'minar' eleições no Brasil
O presidenciável do PL disse que, se Lula for reeleito, o Brasil vai caminhar para a ditadura. "Imagina ele indicando [ao STF] mais quatro Alexandres de Moraes para onde o Brasil vai?", questionou. Defendeu também que os "poderes voltem a respeitar a Constituição e sejam independentes e harmônicos entre si".
Flávio resumiu suas propostas ao dizer que filhos devem ser "estudantes e não militantes", que o agro deve ser "respeitado e não endividado" e que o salário vai voltar a durar até o fim do mês. Também defendeu castração química para estupradores de crianças e que fiquem mais tempo presos os que "enfiam o cacete em mulher".
Também foi transmitido no telão um recado de Binyamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, que afirmou que Flávio é um grande defensor do Brasil. "Você é um campeão da amizade entre nossos povos (.) Eu sei que você conduzirá o Brasil a patamares cada vez mais elevados", disse.
No palco, Flávio, que tenta diminuir a rejeição das mulheres à sua candidatura, se cercou de figuras femininas: sua mãe, Rogéria; sua mulher, Fernanda, que deve ganhar protagonismo na campanha; e sua aliada e nome preferido para a vice, Daniella Marques (Republicanos). "Você é muito mais que só meu pilar, você é minha coluna vertebral", afirmou à mulher.
O presidente da Argentina, Javier Milei, veio ao Brasil especialmente para a convenção, que teve também a participação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e do coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), além de uma série de congressistas e candidatos do PL. Mais de politica
Milei chamou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de "lixo careca" por não ter autorizado que ele visitasse Bolsonaro. Também exaltou a liberdade, criticou o socialismo e disse a Flávio que se prepare para uma grande batalha.
Apesar da festa, os sinais de isolamento de Flávio ficaram evidentes no evento, que não teve a presença de nenhum presidente nacional de outros partidos. O PL quer repetir a coligação de Bolsonaro em 2022 com a federação União Brasil-PP e o Republicanos, mas as legendas indicam preferir a neutralidade desta vez.
A falta de uma coligação deixou Flávio sem um candidato a vice a ser apresentado em sua convenção —a expectativa era de que partidos aliados indicassem um nome, de preferência uma mulher. A campanha quer bater o martelo até 5 de agosto, prazo final das convenções. Leia também: Em discurso marcado por referências a Jair, Flávio Bolsonaro agradece
Em seu discurso, Tarcísio, que foi preterido por Bolsonaro para o Planalto, disse que "Flávio está aqui não pelo sobrenome". Afirmou ainda que a esperança está com Flávio, "uma pessoa que vai honrar o pai e o legado" e será "o maior presidente da história".
Tarcísio criticou o PT e disse que "São Paulo prospera porque nunca foi governado pela esquerda". Ele pediu ao público que busque votos e convença os indecisos: "não tem espaço mais para o cansaço, a gente não pode mais se poupar, são 70 dias de trabalho e sacrifício".
Estavam no palco ainda o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e candidatos a governador pelo PL, como Sergio Moro (PR), e ao Senado, como André do Prado (SP). O evento começou com o hino nacional e 22 segundos de silêncio em alusão à suposta tentativa de calar a direita no Brasil, nas palavras do cerimonialista.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) participou por meio de um recado em vídeo. Ela afirmou que não pode estar no evento por estar em casa cuidando do "seu galego". Seu discurso foi voltado para a importância da participação das mulheres na política, assim como o desenvolvimento do PL Mulher, do qual ela deixou a presidência em meio ao conflito público com o enteado.
Michelle não elogiou Flávio diretamente, mas pediu "que Deus abençoe e proteja" sua candidatura e desejou força para a família dele para cumprir a missão "com a lealdade que nosso povo merece". "Quando mulheres e homens de bens se unem para fazer o que é certo nenhuma dificuldade é maior que nossa coragem."
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