Nos últimos meses, Casa Branca publicou dois documentos demonstrando interesse em assegurar dominância militar nas Américas. Combate ao narcotráfico está no radar de Trump.
EUA decidem classificar Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas
As facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) serão classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos. A medida, anunciada na quinta-feira (28), faz parte da estratégia do governo de Donald Trump para a América Latina.
Leia no AINotícia: EUA classificam CV e PCC
▶️ Contexto: As duas facções foram designadas como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e, a partir de 5 de junho, também serão classificadas como “Organizações Terroristas Estrangeiras”.
- O anúncio foi feito na mesma semana em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com Trump e com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
- A possibilidade já era ventilada desde 2025, quando o governo Trump iniciou uma ofensiva contra cartéis de drogas latino-americanos.
- O combate ao tráfico tem sido tratado como tema de segurança nacional pela Casa Branca, que chegou a reunir líderes da América Latina para discutir o assunto e atacou alvos do narcotráfico na região.
Ainda em janeiro, antes do anúncio da classificação, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos publicou a nova “Estratégia Nacional de Defesa dos EUA”, com o objetivo de assegurar plena dominância militar e comercial “do Ártico à América do Sul”. Leia também: A reação de Lula à decisão dos EUA de declarar CV e PCC como 'terroristas'
No documento, os Estados Unidos afirmam que estão dispostos a colaborar com países do continente americano. Por outro lado, alertam que podem optar por ações militares onde e quando julgarem que os interesses norte-americanos não estão sendo atendidos.
Quando a estratégia foi anunciada, o Departamento de Guerra usou como exemplo a operação militar que capturou o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro — acusado de comandar o Cartel de los Soles, considerado terrorista pelos EUA.
Segundo o documento, os Estados Unidos buscarão “paz por meio da força”. O lema vem sendo usado pelo governo Trump desde o início do segundo mandato do republicano. O combate ao chamado “narcoterrorismo” tem papel central nessa estratégia.
- Os EUA afirmaram que se reservam o direito de realizar ataques militares diretos contra organizações narcoterroristas em qualquer lugar das Américas.
- O Departamento de Guerra disse ainda que quer ajudar aliados a desenvolver capacidade para desmantelar cartéis de drogas latino-americanos.
- Entre outros pontos da estratégia estão o combate à imigração ilegal e a contenção da influência da China na região.
Estratégia de política externa
Em dezembro de 2024, a Casa Branca divulgou outro documento para traçar a nova Estratégia de Política Externa. Nele, o governo Trump indicou que passaria a focar mais na América Latina e deixaria outras questões globais para aliados ao redor do mundo.
Segundo a estratégia, os Estados Unidos vão passar a reajustar a presença militar em outros países para enfrentar “ameaças urgentes” no hemisfério ocidental. Os objetivos estariam ligados a questões de segurança nacional.
O documento afirma que o realinhamento militar na América Latina se baseará em três elementos principais: Leia também: Casa Branca lança site
- ampliar a presença da Guarda Costeira e da Marinha para controlar rotas marítimas, combater imigração ilegal e reduzir o tráfico de drogas e de pessoas;
- reforçar a proteção das fronteiras e intensificar o combate aos cartéis de drogas, incluindo o uso de força letal em alguns casos;
- estabelecer ou ampliar o acesso dos EUA a locais considerados estratégicos na região.
A estratégia diz ainda que os EUA buscam “reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental”, com uma “retomada poderosa” da influência sobre a região. O foco seria o combate ao avanço chinês pela região.
- 🔎 Criada pelo presidente americano James Monroe, a doutrina prevê “a América para os americanos”, segundo a qual qualquer tentativa de “recolonização” por outros países seria vista como ameaça direta aos EUA.
“Negaremos a competidores de fora do Hemisfério a capacidade de posicionar forças ou outras capacidades ameaçadoras, ou de possuir ou controlar ativos de importância estratégica em nosso Hemisfério”, afirma o documento.
Segundo a estratégia, o governo Trump avalia que a influência de alguns países sobre a América Latina “será difícil de reverter”. Ainda assim, os EUA apostam no fato de que, muitas vezes, essa relação ocorre mais por interesses comerciais do que por alinhamento ideológico.
- Donald Trump
- Estados Unidos
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