Ciência desvenda os verdadeiros “efeitos colaterais” das vacinas Para além da infecção em si, os imunizantes podem nos proteger de doenças crônicas e melhorar a qualidade de vida na velhice, como revelam novíssimas pesquisas O que eu estou prestes a te contar ainda não está nos livros de medicina.
E, se você não seguir este protocolo, a sua saúde nunca vai melhorar. Imunidade baixa, sequelas de doenças infecciosas, complicações para a vida inteira! Mas tudo isso pode ser evitado se você cumprir um calendário que vem sendo elaborado há décadas por um grupo de sábios.
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Trata-se de um conjunto de fórmulas que mantêm afastados os vírus e bactérias e, de quebra, têm sido associadas a menor risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), Alzheimer e vários tipos de câncer. Estou vendendo um milagre? Não, estou falando de ciência.
Será que é assim que precisamos promover as vacinas hoje em dia? Utilizando o discurso dos defensores de curas naturais e o marketing dos pseudoespecialistas? Ironias à parte, enquanto o movimento antivacina continua com fôlego, os estudos não param de decifrar os impactos de curto e longo prazo da imunização.
Como se não bastasse evitar doenças que vão de gripe a herpes-zóster, passando por sarampo e meningite, as vacinas também conferem uma proteção extra ao cérebro e ao coração, além de prevenir diversas formas de câncer. Esses são seus verdadeiros e expressivos efeitos colaterais. Sim, as picadas podem gerar dor no braço e até despertar uma febre passageira. Leia também: Dieta do celular ganha destaque após novo desdobramento em dieta do celular: o
Mas isso não se compara aos ganhos que oferecem. São fórmulas testadas e aprovadas nos quesitos segurança e eficácia. E oferecem algo mais…
“ Os imunizantes têm ações diretas e indiretas em nossa saúde”, afirma a imunologista Lorena de Castro Diniz, da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai). Em primeiro lugar — e para isso eles foram desenvolvidos —, não nos deixam adoecer devido ao ataque de vírus e bactérias, com reduções drásticas nos índices de hospitalização e morte por infecções.
Depois vem o bônus! “ Vacinas como a da hepatite B e a do HPV eliminam infecções que levam a tumores malignos, enquanto a da gripe e a do herpes-zóster nos defendem da inflamação nos vasos sanguíneos, diminuindo a propensão a infarto e AVC”, resume Diniz.
É uma cascata de efeitos que salvam a vida de bilhões de pessoas no planeta e ajudam a mitigar a carga de doenças com as quais o ser humano tem de conviver. Como seria um mundo sem vacinas? Aprimoradas por 230 anos, as vacinas são hoje um pilar da saúde global, e, sem elas, poderíamos estar em caos.
É o que os epidemiologistas Mathew Kiang e Nathan Lo, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, alertam. Preocupados com as ações antivacinas promovidas por Robert F. Kennedy Jr., secretário da Saúde americano, os pesquisadores decidiram calcular os prejuízos de longa data da falta de políticas de imunização em seu país. Em 25 anos, a dupla estima que, se ninguém fosse vacinado contra a poliomielite, doença viral que ataca o sistema nervoso de forma irreversível, 23 mil crianças teriam paralisia. Mais de saude
Além disso, 41 mil bebês desenvolveriam uma síndrome com problemas auditivos, cardíacos e cerebrais caso as gestantes não estivessem protegidas contra a rubéola. Outro desastre seria a ausência da vacina contra a difteria, que ataca principalmente as vias aéreas superiores. Sem as picadas, a doença faria de 130 mil a 1 milhão de vítimas.
Já a falta de vacina contra o sarampo, enfermidade altamente contagiosa, levaria à morte de 290 mil indivíduos no mesmo período. Por lá, essa vacina ainda é recomendada, mas enfrenta resistência na adesão. Em 2025, houve três óbitos e 2,2 mil casos.
E o patógeno segue à solta, um cenário preocupante, pois, em junho, os EUA serão um dos países sede da Copa do Mundo de futebol. O Ministério da Saúde brasileiro já se manifestou e deu início a uma campanha de vacinação para quem vai viajar para o evento. Mas de onde vem essa hesitação diante de uma medida tão estudada e até oferecida gratuitamente pelo SUS? Leia também: previsão do tempo curitiba: o que muda após ponta grossa (pr) deve ter um dia
“Precisamos voltar a sensibilizar as pessoas sobre a importância das vacinas”, acredita a pediatra Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). “Se baixarmos a guarda, os surtos virão e os malefícios podem se estender por toda a vida”, argumenta. Uma ideia de gênio Ainda na dúvida se deve checar a caderneta de vacinação e tomar as vacinas indicadas para sua faixa etária?
Então use a cabeça! Quanto mais protegido contra infecções você estiver, melhor e por mais tempo seu cérebro irá funcionar. “Ele não é um órgão isolado do sistema imunológico”, enfatiza o neurologista Bruno Diógenes Iepsen, médico do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e diretor científico da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz).
“Inflamações sistêmicas e infecções repetidas podem ativar a imunidade e influenciar a saúde vascular e cerebral ao longo do tempo. ” As vacinas, ao que tudo indica, armam um escudo contra isso.
É o que sugere uma nova e animadora leva de pesquisas, que têm relacionado certos imunizantes à redução no risco de demência e AVC. Ao menos oito vacinas já foram associadas a esses benefícios, com índices que ultrapassam 50% de diminuição do risco. A picada contra o herpes-zóster, uma reativação do vírus da catapora, é uma das mais estudadas.
Em trabalho publicado na prestigiada Nature Medicine, observou-se que a vacina recombinante estava associada a uma proteção contra males neurológicos por ao menos seis anos após a aplicação e aumento de 17% no tempo livre de demência. Outra investigação, também publicada pela Nature, acompanhou mais de 430 mil idosos vacinados contra o herpes-zóster e o vírus sincicial respiratório — o VSR, causador da bronquiolite, que ameaça particularmente bebês e idosos. O risco de demência entre os imunizados para ambas as doenças foi 37% menor em comparação com quem não se vacinou.
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