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China volta ao noticiário após novo desdobramento

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China volta ao noticiário após novo desdobramento

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões. Bem-vindos ao Realpolitik, uma conversa sobre política e atualidade todas as semanas aqui na Rádio Observador e em podcast também. Eu sou o Miguel Pinheiro.

Eu sou o Sérgio Sousa Pinto E nós hoje vamos falar sobre o fato de a China se ter transformado esta semana no novo centro do mundo. Vamos falar sobre a mudança na forma de fazer a guerra na Ucrânia, que está a ter bons resultados, mas antes, Sérgio, Cavaco Silva foi nesta terça-feira distinguido com a Ordem de Mérito Europeia pelos seus contributos enquanto primeiro-ministro durante a primeira década de Portugal na Europa.

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Tivemos o Bloco de Esquerda, o PCP e o Chega a criticarem nas instituições europeias a atribuição deste prémio. Depois até fizeram questão de faltar a um encontro que Cavaco Silva teve com os eurodeputados, os anti-Europa todos juntos. Mas como é que tu olhas para o papel de Cavaco Silva na integração de Portugal na União Europeia?

Em primeiro lugar, quero felicitar o professor Cavaco Silva pelo prémio. Acho que é merecido e é uma figura importante da construção europeia. Conviveu com grandes cimeiras decisivas para o aprofundamento do mercado interno e, portanto, é um europeísta que contribuiu para a construção da Europa.

Parece-me inteiramente normal e justo, e parece-me também uma boa prática que as pessoas sejam objeto deste reconhecimento em vida, porque em Portugal a tradição é tratar mal toda a gente e depois quando as pessoas desaparecem também aparece logo um busto na praça central do município a celebrar este filho da terra, que é uma tristeza. Portanto, justo e parabéns ao professor Cavaco Silva por este merecido reconhecimento. O professor Cavaco Silva foi muitos anos primeiro-ministro, beneficiou de maiorias absolutas, teve condições políticas excepcionais para organizar a transição de Portugal e, sobretudo, há que dizê-lo, o grande beneficiário político da entrada de Portugal na CEE. Leia também: Alemanha busca redenção no Grupo E da Copa: o detalhe que mais repercutiu

A negociação que foi feita antes, foi feita pelo Governo de Mário Soares, foi o Governo do Bloco Central, e há duas figuras absolutamente centrais, que são muito mais importantes do que Cavaco Silva, no processo de integração europeia. Uma é Mário Soares e o seu talento político e a sua determinação em meter Portugal na União Europeia, que era muito difícil por causa das dificuldades criadas pela Espanha. Não que a Espanha se opusesse à entrada de Portugal, mas porque, pelo vistos, é importante que uma França se opunha à entrada da Espanha e havia o entendimento político de Portugal e a Espanha, a Península Ibérica, entraria ao mesmo tempo.

Portugal estava refém da situação espanhola. E Soares teve aquele slogan " A Europa connosco

". Isso é outra história. Isso é muito anterior.

Vamos falar disso. Certo. Bom.

Era o Ernâni Lopes. O Ernâni Lopes foi o homem que tratou da adesão de Portugal à União Europeia e que fez o país preencher os requisitos para poder aderir à CEE, melhor dizendo, à Comunidade Económica Europeia. E esses anos do Bloco Central não foram anos fáceis, foram anos difíceis, foram anos de uma brutal austeridade. Mais de entretenimento

E o Governo era profundamente impopular. O governo que criou as condições para que nós entrássemos na CEE e beneficiássemos deste surto de desenvolvimento sem precedentes, foi um Governo extraordinariamente impopular. O que revela que às vezes para darmos um salto em frente, há que sofrer um bocadinho.

E foi o que aconteceu. Sofreu-se muito, houve fome em Portugal, houve situações desgraçadas, miseráveis. Aliás, é isso que contribui para a tensão política que depois, na Marinha Grande, se traduz de forma violenta naquela agressão de que Mário Soares é vítima na sua candidatura presidencial, mas dava uma ideia do grau de tensão política do país.

Realmente, Ernâni Lopes criou as condições para que o país entrasse na União Europeia e depois de fechada a negociação, vozes no Partido Socialista disseram: " Não, isto acabou. Leia também: Entretenimento: Madonna, Cinema Brasileiro e Museus

É preciso agora abrir os cordéis à bolsa e ter uma política de mãos largas, vacas gordas, porque já resolvemos o dossiê europeu e nós agora temos que nos preparar para as próximas eleições e não podemos chegar às eleições com este rasto de dificuldades. " Eu era miúdo nesse tempo, mas salvo erro, os funcionários públicos recebiam o subsídio de férias ainda em talões de certificados da avó ou nem sequer recebiam o subsídio de Natal.

Toda a gente foi brutalmente atingida. E na altura Mário Soares disse: "

Não, isso seria um gesto de grande indignidade para com Ernâni LopesNós temos uma grande dívida e o país tem uma grande dívida para com Ernâni Lopes, e ele ficará no governo até o fim. E nós pagaremos os custos da política que tivemos que seguir. E assim foi, o PS perdeu miseravelmente as eleições e quem beneficiou dos primeiros fundos europeus e dos recursos a que o país teve acesso, uma transformação extraordinária.

Nós poderíamos dar vários exemplos, mas basta dar a autoestrada Lisboa-Porto. Nós não tínhamos uma autoestrada Lisboa-Porto. Nós tínhamos autoestradas de acordo com o Plano Nacional Rodoviário, feito de acordo com os recursos nacionais, ia demorar 100 anos a fazer, com algumas das piores autoestradas que ainda hoje temos, porque ainda foram feitos de acordo com os projetos desse plano.

Que é um plano que não era porque não tivéssemos bons técnicos, é porque as autoestradas tinham que ser aquilo que o país podia pagar e não podiam ser autoestradas suíças ou dos Alpes. Não, era o que este país podia pagar. E portanto, foram anos de crescimento.

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