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Chanchada de Flávio com Trump pode acabar em duplo naufrágio

A chanchada diversionista encenada pelo pré-candidato Flávio Bolsonaro nos EUA, onde conseguiu aparecer numa foto com Donald Trump tem, como se sabe, o intuito de

Chanchada de Flávio com Trump pode acabar em duplo naufrágio

A chanchada diversionista encenada pelo pré-candidato Flávio Bolsonaro nos EUA, onde conseguiu aparecer numa foto com Donald Trump tem, como se sabe, o intuito de desviar a atenção dos rolos do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, peça central do escândalo do Banco Master. Flávio já havia demonstrado sua sabujice antipatriótica ao prometer, caso eleito, contemplar as ambições americanas de controlar reservas estratégicas de terras raras –as do Brasil. Agora, escoltado por Eduardo, seu brother desertor, resolveu também reforçar a proposta de a potência estrangeira classificar as facções criminosas e mafiosas brasileiras (PCC e Comando Vermelho) como organizações terroristas.

Foi o que fez em encontro com Marco Rubio, o secretário de Estado ora empenhado em invadir Cuba, de onde veio sua família. Aliás, considerando-se o histórico de proximidade do clã Bolsonaro com figuras do mundo crime, não deixa de ser ousada a animação do filhão com a referida proposta. Flávio demonstrou o que já se sabia: ele, seus parentes e Paulo Figueiredo, neto do ditador que disse preferir cheiro de cavalo a cheiro do povo, têm trânsito nos círculos trumpistas.

Leia no AINotícia: Flávio Bolsonaro se reúne com autoridades dos EUA e pede designação de facções Leia também: Trump fez elogio a Lula em encontro com Flávio Bolsonaro na Casa Branca

Natural. Há tempos, desde a época em que Olavo de Carvalho e o tradicionalista fascistoide Steve Bannon pontificavam, são conhecidas as relações da ultradireita bolsonarista com os soldados ideológicos de Trump e seus amigos antiliberais. Enquanto o servilismo da direita tapada brasileira se exibe em Washington e vira meme, o líder americano perde prestígio e apoio em seu país.

A revista The Economist revelou nesta semana que ele se tornou o presidente mais impopular desde que a pesquisa realizada pela publicação começou, em 2009. A façanha é fruto de um leque de erros cometidos em diversas frentes, da política externa à econômica. Uma parcela de 58% dos americanos desaprova a atuação do governante, contra 34% que aprovam e 6% que dizem não saber.

O principal motivo de insatisfação é a economia, que está longe de apresentar o desempenho prometido durante a campanha. O aumento dos preços dos combustíveis, provocado pela estúpida guerra movida em parceria com Israel contra o Irã, é um aspecto relevante na percepção de que as finanças pessoais e familiares estão piorando. Cerca de dois terços dos eleitores consideram que foi um erro entrar nesse conflito e 53% afirmam que a imagem e a posição dos EUA no mundo pioraram desde que ele reassumiu o cargo. Mais de politica

Não é demais lembrar que um dos pontos martelados na disputa eleitoral foi a condenação ao envolvimento do país em guerras longínquas e sem motivo claro. Essa promessa era um dos pilares do slogan "América em primeiro lugar", bandeira de Trump e seus aliados nacionalistas de extrema direita. Não por acaso, a pesquisa aponta para uma sensível perda de apoio do republicano numa base que se mostrava bastante fiel, formada por americanos brancos sem ensino superior. Leia também: Flávio Bolsonaro se reúne com autoridades dos EUA e pede designação de facções

O modelo de previsão da revista, em parceria com a empresa de pesquisas YouGov, indica que os democratas têm 90% de chance de conquistar o controle da Câmara nas eleições de meio de mandato, em novembro. Ainda faltam uns bons meses para o pleito tanto lá como cá. No momento, porém, os ventos prenunciam um duplo naufrágio.

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