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Ler matéria →Os cartões de criptomoedas têm avançado no Brasil, impulsionados pela praticidade e pelo uso de stablecoins (criptoativos com paridade com moedas), além de permitirem evitar a incidência de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em pagamentos internacionais. O crescimento do uso ocorre, porém, em meio às novas regras do Banco Central. Especialistas alertam para os riscos de o consumidor utilizar empresas que não atendam às exigências do órgão regulador e para a possibilidade de o governo passar a tributar essas operações no futuro.
Segundo dados da Receita Federal, o mercado de criptoativos movimentou R$ 505,5 bilhões em 2025. As stablecoins, criptomoedas pareadas com alguma moeda fiduciária (dólar e real) USDT, USDC e BRZ movimentaram mais de R$ 360 bilhões no mesmo ano. A maior circulação de criptoativos fez crescer o número de cartões que permitem esse tipo de pagamento.
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Segundo dados da Binance Research, braço de análise e pesquisa de mercado da Binance, a modalidade ultrapassou a marca de US$ 747 milhões (R$ 3,9 bi) em movimentações em maio de 2026. No ano, o meio de pagamento acumulou crescimento de 48,6%. Os cartões cripto funcionam de duas maneiras.
Uma delas é por meio de cartões de débito ou pré-pagos, em que o usuário compra criptoativos e os mantém em uma conta vinculada ao cartão. À medida que o cartão é utilizado, o valor da compra é debitado automaticamente desse saldo. Também existem cartões com funcionamento semelhante ao crédito.
O usuário mantém seus ativos em uma reserva que serve como referência de valor. Ao final do mês, o cliente pode pagar a fatura com dinheiro ou usar suas criptomoedas para quitar o débito. O meio de pagamento permite transformar criptoativos, muitas vezes vistos apenas como reserva de valor ou investimento, em recursos para despesas cotidianas. Leia também: Juro médio do rotativo do cartão de crédito cai a 436,2% ao ano em julho
Também pode ser usado para compras em sites internacionais ou para manter parte do patrimônio em dólar. Para Israel Buzaym, gerente da Kast no Brasil, o principal perfil de uso dos cartões é de pessoas que já têm patrimônio em criptomoedas e querem utilizá-lo no dia a dia sem precisar fazer resgates manuais. A maior parte dos cartões cripto tem lastro em stablecoins.
Segundo Antônia Souza, diretora de Moedas Digitais da Visa para América Latina e Caribe, "a escolha está diretamente relacionada à estabilidade, já que os ativos têm comportamento similar ao das moedas fiduciárias tradicionais". Segundo Eduardo Arnoni, vice-presidente sênior de soluções para clientes da Mastercard, esse modelo permite que o estabelecimento aceite o pagamento por maquininhas ou pelo comércio eletrônico e receba o valor em moeda local. "
Isso possibilita que o consumidor utilize suas criptomoedas sem que o comerciante precise lidar com a conversão. " No Brasil, cartões como os da Binance, Kast, Onda Finance e OKX permitem usar criptoativos em compras no exterior e no Brasil.
Na Kast, o pagamento é feito com o saldo em USDC, stablecoin em dólar, e funciona de maneira similar a de um cartão de débito. O cartão da OKX é pré-pago e permite ao usuário carregar o saldo com USDG, USDC ou USDT. Na Onda Finance, a conversão para dólar ocorre na carga ou recarga do cartão, que pode ser feita com criptoativos como USDC, USDT e Bitcoin ou com moeda fiduciária.
Já o Binance Card converte em moeda corrente as criptomoedas escolhidas pelo usuário, como Bitcoin, Ether e stablecoins, no momento da compra ou do saque. Os produtos estão sujeitos a custos que variam conforme a empresa. Nas companhias consultadas pela Folha, as principais cobranças são taxas de conversão, que variam de 0,9% a 2,9%, e spread cambial. Mais de economia
O uso de criptoativos para pagamentos coloca os cartões no centro das discussões regulatórias e tributárias que envolvem o setor. Desde fevereiro de 2026, o Banco Central passou a regulamentar as prestadoras de serviços de ativos virtuais, com exigências de capital mínimo, segregação patrimonial e supervisão das empresas. A nova regulamentação enquadrou operações com ativos virtuais referenciados em moedas fiduciárias, como as stablecoins, no mercado de câmbio, o que alimentou proposta de cobrança de taxa de 3,5% de IOF sobre o ativo.
Hoje, não há essa tributação. Para Guilherme Sacamone, CEO da OKX no Brasil, as novas regras elevam o padrão do mercado e podem atrair investidores, mas ele é contrário à incidência de IOF por considerar que dólares digitais são classificados como ativos virtuais, e não como moeda estrangeira. Além da discussão tributária, a regulamentação muda as condições para as empresas que oferecem esses serviços. Leia também: Receita paga último lote do Imposto de Renda amanhã; veja se você tem direito
Para Carlos Akira Sato, cofundador da Syscapital e especialista em mercados regulados e tokenização de ativos, as novas regras trazem mais segurança ao consumidor ao estabelecer exigências. O mercado, contudo, está em fase de adaptação. As autorizações para funcionamento ainda não foram concedidas, e Sato recomenda que o consumidor acompanhe a situação da empresa com a qual mantém vínculo.
" A partir de novembro, que é a data-limite, o Banco Central efetivamente começará a fiscalizar o mercado de maneira mais rigorosa. O consumidor precisa ficar atento para não ser prejudicado por uma empresa que esteja operando de maneira irregular.
" Nos cartões de débito ou pré-pagos, o valor é descontado do saldo disponível. Nos modelos semelhantes ao crédito, a compra pode ser lançada na fatura para pagamento posterior.
3. O comerciante recebe moeda tradicional Mesmo quando o consumidor usa criptoativos, a transação é liquidada em moeda corrente, como real, dólar ou outra moeda local.
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