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- Author, Cecilia Barría
- Role, BBC News Mundo
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 5 min
Quando um conflito explode, sempre há alguém que lucra.
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Desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, as empresas que vendem petróleo e gás, os grandes bancos de investimento e a indústria armamentista estão entre os principais beneficiados.
O canal do Panamá também saiu ganhando com o fechamento do estreito de Ormuz, a principal rota marítima para o transporte de combustível no mundo.
"O conflito e a insegurança em Ormuz obrigaram o desvio de rotas e a busca por alternativas seguras", explicou à BBC Mundo Eduardo Lugo, presidente e diretor-executivo da consultoria Maritime & Logistics Consulting Group. Leia também: Ebola matou 131 em um país da África: por que é tão difícil impedir novo surto?
Uma dessas alternativas é o canal panamenho, cujo tráfego aumentou cerca de 11% após o início do conflito, embora, nos dias de maior demanda, a passagem de navios pela via marítima tenha chegado a crescer 20%, segundo a Autoridade do canal do Panamá.
E, assim como cresceu a demanda pelo uso do canal, também aumentaram os preços.
As tarifas pagas pelos navios dependem do tamanho da embarcação, do volume da carga e do tipo de produto transportado. Um navio de transporte de gás, por exemplo, chegou a pagar US$ 4 milhões para atravessar a hidrovia.
Embora esse tenha sido um caso excepcional, alguns preços para cruzar o canal dobraram porque existe um sistema de leilão de vagas que permite que empresas sem reserva antecipada consigam atravessar mais rapidamente.
O diretor financeiro da Autoridade do canal do Panamá, Víctor Vial, disse à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) que o aumento do tráfego e os recursos adicionais obtidos nos leilões indicam que o crescimento da receita "ficará entre 10% e 15%, embora ainda seja preciso ver quanto tempo essa situação vai durar". Mais de mundo
Diante de um cenário tão imprevisível, Vial alertou que, quando acontecem situações desse tipo, "as coisas mudam muito rápido" e, por isso, "ainda não estamos fazendo contas nem alterando nossas projeções para o ano".

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Os compradores asiáticos
Em meio à crise energética, os navios que transportam petróleo e gás natural liquefeito vêm deslocando parcialmente, nas últimas semanas, os porta-contêineres, navios frigoríficos e cargueiros de grãos, à medida que compradores impulsionam a demanda por petróleo bruto.
"O que realmente está acontecendo é que a energia proveniente dos Estados Unidos está substituindo os volumes que antes eram enviados para a Ásia a partir de cargas vindas do Golfo", explica Marc Gilbert, líder global do Centro de Geopolítica do Boston Consulting Group (BCG), uma das principais consultorias de transporte marítimo, cargas e logística.
As cargas de petróleo americano que passam pelo canal do Panamá estão próximas de atingir o nível mais alto em quatro anos, enquanto refinarias asiáticas tentam garantir abastecimento em meio a um conflito cujo fim ninguém sabe quando virá.
A viagem dos Estados Unidos até destinos asiáticos é muito mais longa, o pedágio de passagem é mais alto e os atrasos crescentes nas eclusas do canal, aponta o especialista, tornam a operação mais cara em comparação com o trajeto pelo estreito de Ormuz.
A importância do canal para a economia do Panamá

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