← Mundo
Mundo

Canal da Morte: o depósito que acumula cadáveres a céu aberto e reflete

Canal da Morte: o depósito que acumula cadáveres a céu aberto e reflete a violência no Equador O Canal da Morte, em Guayaquil, Equador, virou depósito de cadáveres a céu

Canal da Morte: o depósito que acumula cadáveres a céu aberto e reflete a
Canal da Morte: o depósito que acumula cadáveres a céu aberto e reflete a violência no Equador

  • O Canal da Morte, em Guayaquil, Equador, virou depósito de cadáveres a céu aberto. O local reflete a violência do crime organizado no país.

  • Com 45 quilômetros de extensão, o canal de irrigação passou a ser usado para desova de corpos após a pandemia. Georgina Bermeo foi uma das vítimas.

    Leia no AINotícia: EUA sancionam brasileiros e empresas e lavagem de dinheiro

  • A violência persiste em Guayaquil sob o governo de Daniel Noboa. A cidade registrou mais de 900 homicídios entre janeiro e maio.

Moradora do bairro de Nueva Prosperina no Canal da Morte, Equador— Foto: Marcos Pin/AFP

Quando alguém desaparece, os familiares costumam procurar hospitais, o necrotério e a polícia. Mas, em um distrito do Equador dominado pela violência do crime organizado, a busca também acontece no Canal da Morte, onde dezenas de corpos foram encontrados. Leia também: Trump colhe frutos de Suprema Corte conservadora, mas nem todos os juízes têm

Georgina Bermeo estava caída de bruços, com as roupas sujas e cercada por ervas daninhas quando os parentes encontraram o corpo dela, em maio, no depósito de cadáveres a céu aberto no noroeste de Guayaquil.

O canal, com mais de 45 quilômetros de extensão, corta Nueva Prosperina, considerado o distrito mais violento da principal cidade portuária do Equador.

Uma estrada de terra acompanha o canal, em meio a lixo, cães magros e urubus. O local não tem iluminação pública nem câmeras de segurança. Segundo moradores, homens armados em motocicletas controlam o acesso.

Georgina, de 38 anos, e o marido, José Cedeño, de 43, foram assaltados e depois baleados. O corpo dele também foi jogado no canal. Mais de mundo

A mulher afirmou que não denunciou o crime porque, segundo ela, "a polícia está nas mãos dos criminosos".

'A morte nos visita'

EUA e Equador realizam ação conjunta contra o narcoterrorismo

EUA e Equador realizam ação conjunta contra o narcoterrorismo

"Vivemos com medo, com as portas trancadas, e não há como abri-las porque a morte nos visita", disse Juan Ordóñez, líder comunitário que mora na região há 40 anos e já viu corpos amontoados nas comportas no fim do canal. Leia também: 'Você sabe o que tem que fazer': instrutor de voo abre porta e se joga de avião

Desde 2023, a polícia forense retirou mais de 100 corpos do canal. Algumas vítimas estavam dentro de sacos. Outras, nuas. Em novembro, agentes encontraram uma vala com nove cabeças, braços e torsos.

"É um lugar para jogar corpos. Eles os executam ali ou mais acima, e são levados pela correnteza", afirmou o tenente Christian Echeverría, da unidade que investiga mortes violentas.

O policial disse ter perdido a conta de quantos corpos foram recolhidos no canal durante os três anos em que trabalhou em Guayaquil, porto estratégico usado por organizações criminosas para enviar cocaína aos Estados Unidos e à Europa.

Em relatório divulgado em março, o Comitê das Nações Unidas para o Combate aos Desaparecimentos Forçados (CED) informou ter recebido denúncias de pelo menos 51 casos de desaparecimentos supostamente cometidos por agentes do Estado desde 2024.

No poder desde 2023, Noboa governa sob um estado de exceção quase permanente. Ainda assim, a violência persiste no país e em Guayaquil, cidade de quase 3 milhões de habitantes que registrou mais de 900 homicídios entre janeiro e maio, segundo dados oficiais.

  • Equador
Trump colhe frutos de Suprema Corte conservadora, mas nem todos os juízes têm
Mundo

Trump colhe frutos de Suprema Corte conservadora, mas nem todos os juízes têm

Ler matéria →

Leia também