Mordida de macaco pode matar? Entenda caso envolvendo atriz turca
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Professor da USP une educação física, medicina, filosofia e outras disciplinas para reconstruir nosso conceito de estilo de vida saudável Em abril deste ano, o educador físico e fisiologista Bruno Gualano se tornou professor titular do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Ele é o segundo profissional não médico— e o primeiro homem— a alcançar o feito.
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Sua trajetória é “excêntrica”, como define. Depois de se dedicar à educação física, está no segundo pós-doutorado em filosofia e cursando uma graduação na área. Em 2021, fundou o Centro de Medicina do Estilo de Vida da FMUSP, que hoje reúne 120 pesquisadores das ciências sociais, humanas e biológicas, trabalhando juntos para buscar meios de melhorar os hábitos da população.
Gualano quer redefinir o conceito de estilo de vida que reina no imaginário popular. É uma proposta ousada e inovadora de um cientista que promete ir longe: com apenas 41 anos, ele já publicou mais de 400 artigos, que foram citados 11,5 mil vezes em outros estudos. A seguir, ele fala sobre descobertas que fez na carreira, modas corrosivas e mudanças críticas à sociedade.
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Fizeram essa pergunta na minha banca [para aprovação na docência]. Primeiro, a faculdade é de medicina, não de médicos. E a medicina moderna compreende a multidisciplinaridade.
Minha trajetória é bastante excêntrica: passei pela educação física, fui para a fisiologia, já estudei modelos animais em laboratório, humanos e hoje flerto muito com as ciências sociais e as humanidades, em especial a filosofia. Acho que foi essa jornada errante, digamos, que me fez um candidato à posição.
Do ponto de vista prático, a convivência com os colegas médicos é excepcional. Você sente que a integração da medicina com outras áreas melhorou nos últimos anos? Nós estamos numa instituição de vanguarda, então é difícil extrapolar o que acontece na USP para outras faculdades de medicina.
Mas sinto que, aqui, isso se dá de uma maneira muito tranquila. Seria injusto dizer que tive algum problema de acolhimento. O que penso é que o médico ou o aluno ignoram, no sentido de não saber, o papel da atividade física, da nutrição e dos comportamentos como um todo na saúde das pessoas.
Por que isso acontece? Justamente por uma falha nossa, porque não temos o estilo de vida de maneira consolidada nos currículos médicos. E já fizemos pesquisas que mostram isso. Mais de saude
Basicamente, quando você pergunta aos médicos o que eles pensam sobre essa multidisciplinaridade, sobre o papel da atividade física ou da nutrição na saúde das pessoas, eles concordam de forma quase unânime que é importantíssimo. Mas, quando você passa a avaliar o que esses médicos sabem a respeito das recomendações ou se eles prescrevem hábitos em suas consultas, aí encontramos barreiras. E não por preconceito, mas por não terem uma formação nisso.
Você é da zona leste de São Paulo, filho de um vendedor de legumes e de uma professora, e conta que seus pais se empenharam muito para que chegasse a uma faculdade pública. O que sua história diz sobre a formação de cientistas no Brasil? Eu fui o primeiro da minha família a ter acesso à universidade, graças ao esforço dos meus pais, que não tinham educação formal, mas sempre deram muita importância a isso.
Então devo muito a eles, que não só pagaram colégios particulares decentes como também negociaram bolsas quando foi preciso. Hoje vejo com muita empolgação o fato de que a universidade pública se tornou possível para pessoas em situação tão ou mais vulnerável que a minha. E o ganho que esses alunos trazem para a gente é muito grande, no sentido da diversidade, do aprendizado mútuo e da troca de experiências. Leia também: Retatrutida ilegal é investigada após seis casos graves de lesão hepática
Essa abertura continua ou estamos em um momento de preocupação com a ciência brasileira e o preparo de novos pesquisadores? Acho que nós temos desafios que são muito importantes. Na USP, ainda temos que diversificar mais o corpo docente.
Não é possível uma universidade ter só 4% dos professores negros, pardos ou indígenas. Houve um avanço inegável, mas a sociedade exige que a gente acelere esse processo. Além disso, há a questão política.
Os intelectuais, as universidades, foram alvos da extrema-direita nos últimos anos, então percebemos que há uma desconfiança generalizada, e o remédio para isso é aproximar cada vez mais a academia da sociedade, fazer pesquisas que tragam impacto real para a população. Precisamos sair da nossa torre de marfim. E como fazer isso? Temos de pisar com os dois pés na sociedade e entender quais são os problemas a serem resolvidos.
Sempre brinco que quem faz as perguntas dos estudos do nosso centro [de Medicina do Estilo de Vida] não somos nós, mas as pessoas. E a gente tenta dar boas soluções para elas. Para além da pesquisa, a universidade também deve oferecer assistência, cultura, como a USP faz com museus, hospitais etc.
Ou seja, vai muito além do artigo científico. Acredito que a gente precisa comunicar isso um pouco melhor também. Um de seus artigos na imprensa repercutiu bastante.
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