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Bronquiolite ganha destaque após novo desdobramento em bronquiolite: planos

Bronquiolite: planos passam a cobrir proteção para prematuros o ano inteiro; o que muda?

Bronquiolite ganha destaque após novo desdobramento em bronquiolite: planos

Bronquiolite: planos passam a cobrir proteção para prematuros o ano inteiro; o que muda? Entenda o que foi alterado com nova medida da ANS sobre proteção de bebês contra o VSR e por que isso é importante A partir de agora, planos de saúde serão obrigados a cobrir a aplicação do imunizante nirsevimabe – que protege contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) –, em bebês prematuros, durante o ano inteiro.

A decisão é da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e foi publicada no Diário Oficial da União da última terça-feira (19). Antes dessa mudança, a cobertura pelo plano só existia nos meses de maior circulação do vírus, que variam conforme a região do país. Com isso, bebês nascidos fora dessas épocas acabavam desprotegidos.

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A sazonalidade do VSR costuma ocorrer entre fevereiro e junho na região Norte, abril e agosto no Sul e de março a julho no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SbIm). Agora, porém, o imunizante é indicado para todos os prematuros com menos de um ano, nascidos com menos de 37 semanas gestacionais, independentemente do mês de nascimento. Além dos prematuros — antes contemplados apenas quando nasciam nesses períodos de maior risco —, os planos já cobriam a imunização de crianças menores de 2 anos com doença pulmonar crônica da prematuridade, cardiopatias congênitas não corrigidas, imunocomprometimento grave, fibrose cística ou síndrome de Down.

Por que a mudança é importante? O VSR é uma das maiores causas de infecções respiratórias em recém-nascidos e crianças pequenas. Segundo o Ministério da Saúde, ele é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite, infecção respiratória que inflama os bronquíolos, pequenas vias que levam o ar aos pulmões, em crianças menores de dois anos.

É também a causa de 40% dos quadros de pneumonia nessa faixa etária, o que pode levar ao óbito. Por isso, fornecer imunização para os pequenos o ano inteiro é muito importante, ainda mais considerando que a sazonalidade da doença no Brasil pode ser diversa. “Imagine, por exemplo, a cidade de São Paulo. Leia também: Periodontite silenciosa ganha destaque após novo desdobramento em periodontite

Os moradores sabem que é um lugar que faz inverno, verão, outono… tudo no mesmo dia! Então, a nossa sazonalidade é diferente daquela vista em países temperados, que têm as estações mais demarcadas”, destaca Rosana Richtmann, infectologista do Grupo Santa Joana. Ainda de acordo com a médica, estima-se que entre 15% a 20% dos casos de infecção por vírus sinciciais respiratórios ocorram fora da sazonalidade.

“ Então, a gente estava deixando essas crianças vulneráveis o resto do ano, sendo que ainda havia o risco delas pegarem o vírus”, alerta. O imunizante é especialmente recomendado para reforçar a proteção das crianças prematuras e com comorbidades, devido à sua maior vulnerabilidade.

Por isso, ele deve ser administrado o quanto antes. “ Os primeiros seis meses de vida de uma criança, principalmente entre os prematuros, são os em que ela está mais vulnerável [devido ao sistema imunológico ainda mal formado].

O risco de ter uma doença grave ou ficar com sequelas é muito maior”, diz Rosana. Para as demais crianças, considera-se que, no cenário ideal, todas as crianças já tenham alguma proteção advinda da vacinação da mãe, ofertada, desde 2025, para gestantes entre a 28ª e a 36ª semana de gravidez. Imunizante está disponível no SUS

Em 2026, bebês prematuros e com comorbidades passaram a poder receber o imunizante nirsevimabe no Sistema Único de Saúde (SUS). Antes, como visto, a rede pública oferecia a vacina contra o VSR para gestantes, a partir da 28ª semana de gravidez. Ela cria anticorpos na mãe, que são transferidos via placenta, protegendo o bebê desde o nascimento. Mais de saude

Uma vacina, porém, é diferente de um imunizante monoclonal, como o nirsevimabe [entenda melhor a seguir]. Assim, há duas estratégias para proteção de nenéns na rede pública: a vacinação da gestante com Abrysvo® e o uso dos anticorpos monoclonais (que podem ser o nirsevimabe ou o palivizumabe) na criança após o nascimento. Como funciona

Em primeiro lugar, o nirsevimabe (comercializado como Beyfortus) é um anticorpo monoclonal, não uma vacina. “ Uma vacina envolve a aplicação de algo para que o seu sistema imune possa produzir anticorpos contra uma doença.

Já ao aplicar anticorpo monoclonal, você já entrega os anticorpos prontos, então você não precisa dar resposta imune do próprio paciente”, explica Rosana. Ou seja, eles são clones dos anticorpos, criados em laboratório, e projetados para se ligarem a um alvo específico, como um vírus. Eles funcionam, portanto, como mísseis teleguiados, ajudando o sistema imune a reconhecer e destruir essas ameaças com altíssima precisão. Leia também: Azeite extravirgem San Paolo é retirado das prateleiras por mistura irregular

Os anticorpos monoclonais contra o VSR são especialmente indicados para crianças menores de 8 meses de idade, cujas mães não se vacinaram na gestação e crianças de 8 a 23 meses de idade com risco para infecção grave. Uma vez aplicado, a proteção promovida por esse tipo de imunizante tem duração de seis meses, o que é considerado pelos médicos como imunidade prolongada. A medicação pode ser aplicada novamente após esse espaço de tempo, mas, depois desse período crítico da vida do bebê (os seis primeiros meses), pode ser menos necessária.

“ Não tem contraindicação, mas a indicação reduz, porque, após os primeiros seis meses de vida, cai um pouco a importância do imunizante”, diz Rosana. O VSR

Os dados do Boletim Infogripe, da Fiocruz, divulgados na última semana de maio, apontam para um número elevado de internações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) entre crianças pequenas, associado principalmente ao VSR. Ainda segundo o boletim, nas quatro últimas semanas epidemiológicas, 44,5% das internações por SRAG no Brasil foram relacionadas ao VSR, que também responde por 11,4% dos óbitos. Essa infecção é transmitida, principalmente, por meio de gotículas respiratórias e contato direto com secreções de uma pessoa doente (por exemplo, ao tocar superfícies ou objetos contaminados e depois tocar olhos, nariz ou boca).

Ao chegar no corpo, geralmente causa sintomas parecidos com os de um resfriado comum, mas que podem evoluir para quadros respiratórios graves nos grupos com maior risco. Segundo o Ministério da Saúde, para proteger os bebês, é importante manter a vacinação e as consultas de rotina em dias, fazer aleitamento materno sempre que possível e evitar a exposição à fumaça de cigarro. Por fim, diante dos riscos que esse vírus representa para os pequeninos, Rosana comemora a nova medida da ANS.

“ O Brasil está dando mais um passo importante, não só na rede pública, mas também na rede privada, em termos de proteção da principal causa de infecção respiratória grave nos bebês. Os nenéns prematuros agradecem e os pais mais ainda”, celebra.

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