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Brincar é direito e desafio na era digital, alertam especialistas

Comemoração do Dia Mundial do Brincar levanta debates sobre o impacto das telas na criatividade infantil e a necessidade de um compromisso coletivo com a infância.

Um direito fundamental em transformação

O Dia Mundial do Brincar, celebrado em 28 de maio, tem sido um catalisador para discussões sobre a importância fundamental do ato de brincar para o desenvolvimento humano, especialmente para crianças. Garantido por legislações como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pela Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU, brincar é visto como a principal maneira pela qual crianças exploram, se expressam, elaboram sentimentos e compreendem o mundo ao seu redor (segundo a Agência Brasil).

O avanço das telas e a perda da criatividade

Contudo, a forma como as crianças brincam tem passado por uma metamorfose significativa. Relatos como o de Hozana da Silva, auxiliar de limpeza, evidenciam a mudança: enquanto antes a rua era palco de brincadeiras como pique-bandeira e queimada, hoje as crianças parecem mais conectadas a celulares. Essa observação encontra respaldo em estudos, como o "Tecnologias digitais moldam o novo brincar infantil", que aponta que o uso excessivo de telas pode levar a um ciclo vicioso de perda de criatividade. As crianças, segundo a terapeuta ocupacional Amanda Sposito (da USP), demonstram dificuldade em pensar em atividades lúdicas fora do ambiente digital, tornando-se mais dependentes de adultos para propor e conduzir brincadeiras (de acordo com a Agência Brasil). Leia também: Buscas ao 7º dia; mulher foi resgatada

Compromisso coletivo pela infância

Em um manifesto recente, a Aliança pela Infância, um movimento internacional que atua na defesa da infância e celebra a data no Brasil há duas décadas, enfatizou que o brincar livre é essencial para que crianças desenvolvam vínculos, se encontrem com o outro e construam sua humanidade, sendo também uma forma de participação cidadã e democrática. A entidade alerta para a necessidade de reservar tempo para essas atividades em meio a um cotidiano cada vez mais dominado por telas. As celebrações deste ano, que se estenderam até 31 de maio, incluíram uma agenda nacional com atividades em escolas, coletivos e comunidades, como um chamado à sociedade para se engajar na defesa deste direito. A Agência Brasil também divulgou notícias relacionadas, como a da ONU que declarou a proteção de crianças no mundo digital como prioridade urgente, e a publicação de um fluxo de atendimento a crianças vítimas de abuso.

Obrigações familiares e sociais

A terapeuta ocupacional Amanda Sposito também comentou sobre as dinâmicas familiares atuais. Ela ressalta que a insegurança nas ruas e a menor estrutura familiar, com pais trabalhando mais, levam a uma delegação maior das telas para ocupar o tempo ocioso das crianças. Essa tendência, combinada com o aumento do tempo dentro de casa, pode ser um fator para a diminuição da frequência com que adultos desenvolviam brincadeiras com as crianças em gerações anteriores (segundo a Agência Brasil). Mais de noticia

O que se sabe até agora

  • O Dia Mundial do Brincar, celebrado em 28 de maio, ressalta a importância do brincar para o desenvolvimento infantil.
  • Brincar é um direito humano garantido por leis nacionais e internacionais.
  • O uso excessivo de telas está associado à diminuição da criatividade nas brincadeiras infantis.
  • Crianças dependem cada vez mais de adultos para a proposição de atividades lúdicas fora do ambiente digital.
  • Movimentos como a Aliança pela Infância clamam por um compromisso coletivo para garantir o direito ao brincar livre.
  • A ONU declarou a proteção de crianças no ambiente digital como uma prioridade urgente.

A imagem de crianças brincando em uma praça no Rio de Janeiro, ao lado de barricadas de uma operação policial em outubro de 2025, registrada por Tânia Rêgo para a Agência Brasil, serve como um lembrete sombrio de como o ambiente em que as crianças vivem pode impactar diretamente suas oportunidades de brincar e se desenvolver livremente. A reflexão sobre o brincar, portanto, vai além do lazer e se conecta com questões de segurança, direitos e a construção de uma sociedade mais atenta às necessidades da infância. Leia também: Panorama: Agro, Qualidade de Vida, Segurança e Cultura em Destaque

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