'Com ketchup e queijo': menina conta como sobreviveu por 32h à espera
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Crédito, Getty Images
- Author, Giulia Granchi
- Role, Da BBC News Brasil em Nova York (NY)
- Published 6 julho 2026, 15:57 -03Atualizado Há 58 minutos
- Tempo de leitura: 9 min
A eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026 pode ser contada em três números.
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O primeiro é 33,5%— a fatia de posse de bola que a seleção de Carlo Ancelotti teve na derrota por 2 a 1 para a Noruega, neste domingo (5), no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
O segundo é 1990— o ano da última vez em que o Brasil havia caído tão cedo em um Mundial, eliminado pela Argentina.
O terceiro é 28— o número mínimo de anos que separará o pentacampeonato de 2002 de um eventual sexto título, agora possível apenas a partir de 2030. É o maior jejum da história da seleção. Leia também: Brasil eliminado: o que o maior jejum em Copas desde 1958 diz
Para o jornalista e escritor Samindra Kunti, que acompanha a seleção brasileira há décadas, escreveu um livro sobre a equipe e é colaborador da BBC, os números não descrevem um acidente de percurso.
"Esta foi provavelmente a pior campanha do Brasil em uma Copa do Mundo desde 1990— e, na minha vida, a pior que já cobri e assisti", disse Kunti à BBC News Brasil. "E, para mim, tudo aponta para um declínio estrutural. Em certo sentido, esta campanha e a eliminação foram a tempestade perfeita: todos os fatores que levaram a esse declínio se juntaram."
O primeiro desses fatores, segundo ele, é externo— mas a reação brasileira a ele é o cerne do problema.
"O Brasil simplesmente foi ultrapassado pela Europa. A Europa industrializou sua formação de base, sua produção de talentos. Os exemplos são numerosos: Bélgica, Holanda, Croácia, Inglaterra, França e, em certa medida, a Noruega", afirma.
"E existe no Brasil, eu acho, um sentimento de negação. Quando você conversa com jornalistas ou treinadores brasileiros, o discurso é sempre: 'somos pentacampeões do mundo, somos a seleção do futebol'. Mas a realidade é que outras nações desenvolveram seus sistemas de formação e de detecção de talento. Por maior que o Brasil seja, em termos futebolísticos e geográficos, não dá mais para se esconder atrás da ideia de que, como nação, você sempre vai produzir talento, aconteça o que acontecer." Mais de mundo

Crédito, Tita Barros/ Reuters
'Uma geração muito mediana'
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Na leitura de Kunti, o elenco levado aos Estados Unidos é o retrato dessa linha de produção em queda— não por falta de jogadores valiosos no mercado, mas por escassez de estrelas de primeira grandeza.
"Se você se perguntar quantos astros globais jogam nesta seleção, acho que a resposta é muito limitada. É o Vinícius Júnior, obviamente, e dá para argumentar que Gabriel e Marquinhos, na defesa, também são jogadores de classe mundial", diz.
"Mas, tirando esses, esta é uma geração muito mediana de jogadores brasileiros. Não são os astros dos elencos de antigamente, quando você tinha Kaká, Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos, Cafu— todos nomes conhecidos no mundo inteiro."
O diagnóstico convive com um paradoxo que os números do mercado escancaram— e, ao mesmo tempo, confirmam. O Brasil lidera, pelo sétimo ano consecutivo, o ranking mundial de exportação de jogadores do CIES Football Observatory: são 1.455 brasileiros atuando no exterior, à frente de França (1.275) e Argentina (1.066), segundo o levantamento divulgado em maio. Nenhum país produz mais futebolista. Mas, quando o critério deixa de ser quantidade e passa a ser valor, a posição muda: o elenco levado à Copa é apenas o sexto mais valioso do torneio, avaliado em cerca de R$ 5,5 bilhões (€943 milhões) pelo Transfermarkt— atrás de Inglaterra (cerca de R$ 9,4 bilhões), França, Espanha, Alemanha e Portugal.
Em outras palavras, o próprio mercado já precificou o que Kunti descreve: o Brasil segue sendo a maior linha de produção do futebol mundial, mas deixou de ser a fábrica da elite. E a série de resultados em Mundiais acompanha a curva: quartas de final em 2006, 2010 e 2018, o 7 a 1 na semifinal de 2014, a queda nos pênaltis para a Croácia em 2022 e, agora, as oitavas de 2026.
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