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BC preserva flexibilidade ao evitar sinalizar rumo dos juros, dizem analistas

Felipe Gutierrez São Paulo O corte de 0,25 ponto percentual na Selic já era consenso no mercado, mas o comunicado do Copom (Comitê de Política Monetária) evitou indicar

BC preserva flexibilidade ao evitar sinalizar rumo dos juros, dizem analistas
Felipe Gutierrez
São Paulo

O corte de 0,25 ponto percentual na Selic já era consenso no mercado, mas o comunicado do Copom (Comitê de Política Monetária) evitou indicar qual será o próximo passo da política monetária. Na avaliação de economistas, o Banco Central preferiu preservar a flexibilidade e deixar em aberto tanto novos cortes quanto uma eventual pausa no ciclo.

O colegiado do BC reduziu nesta quarta-feira (5) a taxa básica pela quarta reunião consecutiva. Mais enxuto do que o anterior, o comunicado divulgado após o encontro é o mais curto desde março e evitou oferecer sinais sobre a continuidade ou não do ciclo de cortes.

Leia no AINotícia: Economia: Panorama da Semana - Inflação, IA e Mercado de Ações

Segundo o economista Sergio Vale, da MB Associados, o texto levanta motivos tanto para encerrar o ciclo de cortes quanto para continuar com novas reduções.

"A leitura está para todos os gostos. Tem argumentos para justificar que vai parar de cortar e tem argumentos para continuar cortando. Não quiseram fechar as portas [para nenhuma decisão futura]", diz.

A avaliação de Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, vai na mesma linha. Leia também: Brasil mantém a maior taxa de juros reais do mundo, aponta ranking

"Por que não se sinaliza o próximo passo? Porque não se sabe. Ainda é preciso ter mais informação para decidir na hora. O comunicado precisa ser entendido dentro de uma estratégia de cortes lentos", afirma.

Rodolfo Margato, economista da XP, destaca mudanças na caracterização do cenário de atividade econômica e de inflação.

No comunicado anterior, o comitê havia enfatizado a aceleração dos indicadores, e, desta vez, reconheceu uma moderação na atividade, alguns sinais de perda de tração, ainda que com diferença entre os setores e em meio ao mercado de trabalho aquecido.

Os diretores não deram nenhuma orientação sobre o futuro, afirma Adriana Dupita, da Bloomberg.

"O único comentário que fizeram sobre o futuro foi que eles ajustarão a política para mantê-la ‘adequadamente restritiva’, para garantir a convergência da inflação para a meta", diz. Mais de economia

Helena Veronese, economista-chefe da B. Side Investimentos, vai ao encontro das avaliações.

"O Copom deixa sua flexibilidade preservada, sem necessariamente prometer novos cortes ou pausa, deixando a porta aberta para a continuidade no movimento que eles mesmos vêm chamando de ‘calibração’ dos juros", disse.

A decisão desta quarta-feira (5) deve produzir efeitos até o começo de 2028 –no jargão dos economistas, o período de influência de um patamar de taxa de juros é chamado de horizonte relevante. Leia também: Entidades da indústria acham corte da Selic acertado, mas reclamam de juro

Homem de cabelos escuros levanta a mão direita à frente do rosto, cobrindo parcialmente os olhos e o nariz. Fundo desfocado em tons marrons.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa de conferência internacional promovida pela autoridade monetária, realizada na sede do banco - Gabriela Bilo/Folhapress

O Copom publica dois documentos relativos às decisões sobre a Selic: um comunicado, divulgado imediatamente, e, depois de uma semana, a ata da reunião.

Na última decisão, em junho, o comunicado foi considerado confuso porque o texto afirmava que havia um choque inflacionário ligado à oferta do petróleo, mas, mesmo assim, a decisão era de corte da taxa básica. No dia seguinte, o dólar chegou a subir.

A decisão do Copom já era esperada pelo mercado financeiro: as 30 instituições consultadas pela Bloomberg antes da reunião do Copom desta semana previram a medida.

"O corte de 0,25 ponto era um consenso porque a taxa de juros ainda é muito alta e restritiva", afirma Alex Agostini, economista-chefe da Austin Ratings. Por isso, ele diz, gestoras, agências de risco, consultorias e outras instituições que acompanham as decisões das taxas de juros básicas eram quase unânimes em dizer que seria essa a escolha dos diretores do comitê.

Em março deste ano, a Selic estava em 15% ao ano. A reunião do Copom desta semana foi a quarta desde então, e nas quatro houve reduções de 0,25 ponto percentual.

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