Yellen diz que não há hoje evidência de choque de produtividade vindo da IA
Ler matéria →A B3 (B3SA3) prepara o lançamento da B3RL, uma stablecoin lastreada em real que deve chegar ao mercado nos próximos meses e integrar a estratégia da Bolsa para ampliar a infraestrutura de ativos digitais no Brasil.
O tema foi bastante mencionado durante o painel “O futuro já tem preço: o mercado trilionário de ativos digitais”, realizado nesta quinta-feira (23), durante a Expert XP, em São Paulo, onde executivos da B3, XP Inc. e Parfin defenderam que a combinação entre tecnologia, regulação e infraestrutura pode acelerar a tokenização de ativos financeiros no país.
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Segundo Felipe Paiva, diretor de relacionamento com clientes e pessoa física da B3, o mercado amadureceu desde os primeiros experimentos com blockchain realizados há cerca de cinco anos. Na avaliação dele, o setor passou da fase de testes para um momento de adoção em escala, impulsionado pelo avanço regulatório e pelo interesse crescente das instituições financeiras.
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A B3RL funcionará como uma representação digital do real e permitirá liquidação praticamente instantânea das operações. Mais do que um novo produto, a stablecoin deve servir como base para que corretoras e bancos desenvolvam novos serviços e ampliem a oferta de investimentos digitais aos clientes. “A gente viu que era hora de participar desse movimento”, afirmou Paiva durante o painel.
Stablecoin vai além das criptomoedas
Embora as stablecoins tenham surgido no universo das criptomoedas, os participantes defenderam que seu principal potencial está na modernização da infraestrutura do mercado financeiro tradicional. Leia também: Yellen diz que não há hoje evidência de choque de produtividade vindo da IA
A tecnologia pode facilitar a negociação de ativos tokenizados– versões digitais de ações, debêntures, títulos públicos e privados, entre outros instrumentos –, o que reduz custos operacionais, simplifica processos e acelera a liquidação das operações.
Na avaliação de Paiva, essa transformação deve acontecer de forma praticamente invisível para o investidor. “Eu vejo um futuro em que a pessoa nem vai saber que aquele ativo é um token”, acredita.
O executivo diz ainda que a evolução desse mercado depende de um ambiente regulatório sólido. Segundo ele, a infraestrutura tecnológica só ganhará escala se investidores tiverem segurança de que os ativos digitais seguem os mesmos padrões de confiabilidade existentes no mercado tradicional. Nesse aspecto, ele considera que o Brasil está relativamente à frente de outros países.
“O Brasil está bem posicionado na questão de tokenização de ativos, tanto em regulação quanto em infraestrutura e segurança”
Como parte dessa estratégia, a B3 pretende iniciar, no começo de 2027, testes para tokenização de ativos. A expectativa é que a tecnologia permita ampliar o horário de negociação de investimentos, reduzir fricções operacionais e facilitar o acesso de investidores a diferentes produtos financeiros. Mais de economia
Tokenização ganha tração com nova infraestrutura
Para Marcos Viriato, CEO da Parfin, um dos principais obstáculos para o crescimento dos ativos tokenizados sempre foi a ausência de uma infraestrutura baseada em moedas digitais lastreadas em real.
De acordo com o executivo, o lançamento da stablecoin da B3 pode representar um divisor de águas para o setor. “Com o surgimento da stablecoin da B3 e de outras iniciativas semelhantes, o mercado de ativos tokenizados vai crescer muito nos próximos anos”, afirma.
Hoje, explica o executivo, a tokenização já é utilizada principalmente em operações de crédito estruturado, como recebíveis que lastreiam CRIs e CRAs. Mas a expectativa é que a tecnologia avance para praticamente todas as classes de ativos. Leia também: Risco vai além da volatilidade: carteira pode falhar em financiar objetivos
Na prática, a tokenização transforma ativos financeiros em representações digitais registradas em blockchain. Entre as vantagens estão a possibilidade de fracionar investimentos, reduzir o tempo de liquidação das operações e facilitar negociações no mercado secundário. “Você pode comprar apenas uma fração de um ativo”, explica Viriato ao destacar que a tecnologia amplia o acesso a produtos antes disponíveis apenas para investidores com maior capacidade financeira.
O executivo lembra ainda que esse movimento já começa a ganhar escala em mercados mais desenvolvidos. Gestoras globais, como a BlackRock, lançaram fundos tokenizados de renda fixa de curto prazo, que já vêm sendo utilizados como garantia em operações financeiras. A tendência, segundo ele, é que esse processo avance também para ações, ETFs, títulos públicos e outros instrumentos financeiros.
Regulação é o próximo passo
Apesar do avanço tecnológico, Viriato afirmou que a consolidação desse mercado depende da conclusão do arcabouço regulatório brasileiro. Para o executivo, a tecnologia já foi validada, possui capacidade de operar em escala e conta com avanços importantes decorrentes dos projetos conduzidos pelo Banco Central, como os pilotos do Drex.
Agora, o foco está na regulamentação dos prestadores de serviços de ativos digitais e na definição da infraestrutura de liquidação. “A tecnologia já existe, foi validada e tem escala para ser usada. Agora estamos fechando os pontos regulatórios e a infraestrutura de liquidação”, afirmou.
Na avaliação do executivo, à medida que empresas reguladas e instituições tradicionais passarem a operar nesse mercado, o investidor terá acesso a uma oferta muito maior de ativos digitais.
Tecnologia tende a desaparecer da experiência do usuário
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