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- Author, Pedro Martins
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Há 3 horas
- Tempo de leitura: 9 min
Augusto Cury é um sujeito de predicados superlativos. Escritor brasileiro mais lido da última década, ele vendeu mais de 30 milhões de livros no país e, agora, quer estender essa ambição à política: mesmo começando do zero, lançou-se pré-candidato à Presidência da República pelo partido Avante e faz planos grandiosos.
Cury diz que não só quer ser uma alternativa a Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para crises brasileiras, mas acredita ser possível ajudar a solucionar impasses entre líderes mundiais, de Donald Trump a Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky, presidentes dos Estados Unidos, da Rússia e da Ucrânia, respectivamente.
"Se tivesse o privilégio de sentar na cadeira de presidente, nos primeiros dias chamaria vários políticos, como Putin e Zelensky, para conversar, porque sou um especialista em pacificação de conflitos, tenho livros sobre isso", diz à BBC News Brasil.
"Quem sabe alguém de fora, de um país como o Brasil, que é pacífico, seja mais ouvido. Não apenas este, mas os conflitos na África e em outros países."
Entoando o lema de que tem "uma mente capitalista e um coração social", o escritor acrescenta que, caso seja eleito em outubro, espera "inspirar outros atores nas mais diversas nações, seja na Ásia, seja no mundo ocidental", a pôr fim às guerras e resolver desafios como a fome mundial. Leia também: A comovente história por trás da Imagem do Ano do 'World Press Photo 2026'
"Se gastasse talvez 20% do que se gasta em armas, a equação da fome teria se resolvido. Eu gostaria de chamar o G20, ou quem sabe os quase 200 países que participam da ONU, e meio por cento de todas as importações e exportações do mundo poderiam formar um fundo. Ou por que não de 2% a 3% de toda compra e venda de armas formassem um fundo para resolver a fome mundial?", ele propõe.
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Desejo antigo
O escritor diz que lançar-se à política é um desejo antigo, mas sua família tinha medo de que ele pudesse se ferir em um ambiente "extremamente agressivo, espinhoso".
Dez anos depois, com o amadurecimento de suas filhas, ele conta que teve apoio para se candidatar, com a promessa de que, caso seja eleito, não buscará um segundo mandato.
"Não avaliei me candidatar a nenhum outro cargo, seja deputado, seja senador, seja governador, porque não quero fazer carreira política. Meu objetivo é aumentar a régua do debate", afirma. Mais de mundo
Este é o motivo pelo qual Cury afirma rejeitar declarar apoio a qualquer candidato em um eventual segundo turno que não o inclua. Ele também evita dizer em quem votou na eleição passada.
Hoje, aparece com 2% das intenções de voto, segundo a pesquisa mais recente do instituto Quaest, realizada entre 9 e 13 de abril. Ele está empatado com Renan Santos (Missão) e à frente de Cabo Daciolo (Mobiliza) e Samara Martins (UP), ambos com 1%. Fica pouco atrás de Romeu Zema (Novo), com 3%, e bem distante dos líderes Flávio Bolsonaro e Lula, que têm 32% e 37%, respectivamente. Leia também: Cessar-fogo entre Líbano e Israel é prorrogado por três semanas, diz Trump

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Nos bastidores, há quem trate a candidatura do escritor como inviável e a associe mais a uma estratégia de marketing para impulsionar os negócios, tanto a venda de livros quanto de cursos.
Seria um movimento bem-vindo. Afinal, se na década passada Cury se consolidou como o autor nacional mais lido do país, hoje enfrenta forte concorrência de livros de autoajuda que viralizam nas redes sociais e, no mercado de cursos e palestras, concorre com coaches que se criaram não nas livrarias, mas já na internet, um ambiente em que navegam com mais facilidade.
A leitura remete ao movimento de Pablo Marçal (União Brasil), que disputou a Prefeitura paulistana no ano retrasado. Cury, porém, rejeita essa interpretação e diz que, na prática, a incursão na política pode até prejudicar seus negócios.
"Não pensei muito nisso, mas vários amigos me dizem que vai prejudicar, que vou sair ferido. Mas já tenho muito mais do que mereço, tanto financeiramente quanto socialmente e intelectualmente."
'Mente capitalista, coração social'

Reforma no STF com o lema 'make humanity great again'
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