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- Author, Cristina J. Orgaz
- Role, BBC News Mundo
- Há 8 horas
- Tempo de leitura: 7 min
Existe um mercado de petróleo operando fora do alcance das sanções, de organizações internacionais como a Opep e até mesmo do sistema bancário global.
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São as refinarias pequenas e independentes da China — às vezes chamadas de "refinarias bules de chá" — que proliferam na Província de Shandong e atuam como compradoras estratégicas do petróleo bruto que está sob embargo, adquirindo-o a preços reduzidos.
Sem elas, seria muito difícil levar barris mais baratos da Rússia, Irã e Venezuela para o mercado internacional.
Essas pequenas e rudimentares instalações, independentes das empresas petrolíferas estatais chinesas conhecidas como "As Três Grandes" — PetroChina, Sinopec e CNOOC — têm margens de lucro mais altas e menos burocracia. Leia também: As idas e vindas de Lula e Trump: tarifaço, 'química excelente' e Ramagem
O termo "bule de chá" surgiu na década de 1990 para descrever refinarias privadas que operavam com tecnologia obsoleta e capacidade de processamento muito limitada.
Eram, essencialmente, pequenas "panelas de pressão" em comparação com as grandes refinarias estatais.
Por décadas, elas sobreviveram processando resíduos de combustível e operando à margem da legalidade. Tudo mudou em 2015, quando o governo chinês, em uma manobra estratégica, concedeu a elas licenças para importar petróleo bruto diretamente.
Da noite para o dia, essas refinarias foram modernizadas e consolidadas, representando agora quase 20% da capacidade de refino do gigante asiático — que é o maior importador de petróleo do mundo.

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"Até o final de 2016, 19 refinarias independentes haviam recebido cotas totalizando 1,48 milhão de barris por dia, um número superior às importações líquidas de petróleo de um país como a Espanha", explica Erica Downs, pesquisadora do Centro de Política Energética Global da Universidade de Columbia e autora do relatório A Ascensão das Refinarias Independentes da China.
O principal deles, segundo o relatório, é que o presidente Xi Jinping queria que as grandes empresas petrolíferas estatais fossem mais eficientes e, consequentemente, aumentassem a concorrência no mercado interno.
O negócio de petróleo bruto sancionado
Para a Venezuela e o Irã, vender petróleo sob sanções é extremamente difícil. Como poucos se atrevem a comprá-lo, eles precisam oferecer descontos enormes, que podem chegar a US$ 30 por barril em comparação com o preço do petróleo Brent, a referência europeia. Leia também: Irã diz ter recebido resposta dos EUA sobre proposta de paz
Em 2023, 98% das importações de matéria-prima para pequenas refinarias independentes vieram da Rússia, Venezuela e Irã, segundo dados da S&P Global Commodity Insights.
O uso de petróleo bruto sancionado permitiu que essas refinarias obtivessem lucros de até 1,5 mil yuans/tonelada (US$ 28/barril) em março daquele ano.
"Os descontos que as pequenas refinarias recebem são o que as impulsionou a se tornarem as principais compradoras de petróleo bruto sancionado. Isso lhes permite aumentar seus lucros", explicou Downs à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

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"Além disso, elas são mais tolerantes ao risco do que as empresas petrolíferas estatais chinesas, já que têm muito menos, ou nenhuma, exposição ao sistema financeiro do dólar americano", acrescenta.
Temor de sanções

Da Venezuela ao Irã

Estratégias de sobrevivência
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